Que reforma?

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Publicada em 15/02/2019 às 06:03:00

 

Depois de muito disse me disse, 
avanços, recuos e cabeçadas, o 
presidente Jair Bolsonaro finalmente definiu a idade mínima para a aposentadoria, apenas mais uma das pendências protelando a apresentação de uma proposta de reforma da previdência ao Congresso Nacional. Se o texto com data marcada para ser conhecido, no próximo dia 20, finalmente for aprovado, homens se aposentarão aos 65 anos, mulheres aos 62. As dúvidas mais importantes em relação ao documento, no entanto, ainda precisam ser sanadas.
A idade mínima para a aposentadoria, o tempo de transição para um novo modelo de previdência, são questões menores, embora tenham repercussão direta na vida de milhões de trabalhadores. Mais importante, contudo, é saber se a proposta de reforma redigida pela equipe econômica do governo realmente vai acabar com os privilégios que sabotam e distorcem os propósitos da seguridade social.
Espera-se que a reforma da previdência seja a mais abrangente e envolva também os servidores militares, por exemplo. Hoje, quem segue carreira militar no Brasil conta com um sistema de aposentadoria especial, com regras mais brandas e mais benefícios, em comparação com os demais funcionários públicos e até com o setor privado.
Para acabar com privilégios, Bolsonaro terá de cortar na própria carne. A resistência declarada do pessoal do coturno, com grande representação no governo, entretanto, obriga o Planalto a pisar em ovos. Resta saber quem é que manda e governa de fato. Resta saber se o presidente da República, um capitão reformado, terá a disposição de peitar os generais empossados por ele mesmo, com expediente na Esplanada dos Ministérios.
A reforma virá, isso é dado por certo. Mas que reforma? Eis a pergunta que não quer calar.

Depois de muito disse me disse,  avanços, recuos e cabeçadas, o  presidente Jair Bolsonaro finalmente definiu a idade mínima para a aposentadoria, apenas mais uma das pendências protelando a apresentação de uma proposta de reforma da previdência ao Congresso Nacional. Se o texto com data marcada para ser conhecido, no próximo dia 20, finalmente for aprovado, homens se aposentarão aos 65 anos, mulheres aos 62. As dúvidas mais importantes em relação ao documento, no entanto, ainda precisam ser sanadas.
A idade mínima para a aposentadoria, o tempo de transição para um novo modelo de previdência, são questões menores, embora tenham repercussão direta na vida de milhões de trabalhadores. Mais importante, contudo, é saber se a proposta de reforma redigida pela equipe econômica do governo realmente vai acabar com os privilégios que sabotam e distorcem os propósitos da seguridade social.
Espera-se que a reforma da previdência seja a mais abrangente e envolva também os servidores militares, por exemplo. Hoje, quem segue carreira militar no Brasil conta com um sistema de aposentadoria especial, com regras mais brandas e mais benefícios, em comparação com os demais funcionários públicos e até com o setor privado.
Para acabar com privilégios, Bolsonaro terá de cortar na própria carne. A resistência declarada do pessoal do coturno, com grande representação no governo, entretanto, obriga o Planalto a pisar em ovos. Resta saber quem é que manda e governa de fato. Resta saber se o presidente da República, um capitão reformado, terá a disposição de peitar os generais empossados por ele mesmo, com expediente na Esplanada dos Ministérios.
A reforma virá, isso é dado por certo. Mas que reforma? Eis a pergunta que não quer calar.