Cocar na cabeça

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Um escárnio
Um escárnio

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Publicada em 16/02/2019 às 06:01:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O ministro Ricardo 
Salles, do Meio 
Ambiente, nunca botou os pés na Amazônia, tem apenas uma ideia vaga de quem foi Chico Mendes, mas julgou conveniente posar de cocar na cabeça. Foi durante visita a uma aldeia da tribo Pareci, no Mato Grosso. Mal sabe, o desavisado, que repetiu um gesto lamentável da então senadora Gleise Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores. Sinal de que os adversários políticos, inimigos declarados, não pensam ou agem de maneira tão distinta assim.
Todos os que enchem a boca para falar pelos povos da floresta têm a obrigação intelectual de conferir 'Martírio' (2016), de Vincent Carelli, já exibido pelo Cine Vitória. O documentário premiado no Festival de Brasília coloca o dedo na ferida da questão fundiária tupiniquim sem meias palavras, sem malabarismos retóricos, à revelia dos interesses aboletados no Palácio do Planalto, desde sempre. 
O filme de Carelli, dirigido a seis mãos com Ernesto de Cavalho e Tita, passa quase três horas relatando o confronto entre ruralistas com o poder de fogo da valente Kátia Abreu - depois nomeada ministra da agricultura pela presidente Dilma Rousseff, sua amiga -, e os índios Guarani Kaoiwá. Uma luta desigual, com todos os requintes de um genocídio. Bala de fuzil contra pedra e pau.
Peleja muito antiga, que ultrapassa várias décadas e desemboca na grande marcha de retomada dos territórios sagrados Guarani Kaiowá. Vincent Carelli, que registrou o nascedouro do movimento na década de 1980, recorre a seu arquivo pessoal para contar a história sem dourar a pílula, com todos os pingos nos is. Os relatos mais recentes dos massacres motivam a jornada do cineasta, que busca as origens do genocídio e testemunha um conflito de forças desproporcionais: a insurgência pacífica e obstinada dos Guarani Kaiowá frente ao poderoso aparato do agronegócio.
História com H maiúsculo escrita aqui e agora. Gleise Hoffmann, ex-ministra da Casa Civil, responsável direta pelo esvaziamento da Funai, como demonstra Carelli, já discursou no plenário do Congresso Nacional munida de vistoso cocar. Um escárnio. Ricardo Salles, fruto podre de um laranjal disfarçado em partido político, deu-se depois ao mesmo ridículo. Contra todas as aparências e o sinal ideológico trocado, neste particular, o penacho é prova, PT e PSL usam figurino muito parecido.

O ministro Ricardo  Salles, do Meio  Ambiente, nunca botou os pés na Amazônia, tem apenas uma ideia vaga de quem foi Chico Mendes, mas julgou conveniente posar de cocar na cabeça. Foi durante visita a uma aldeia da tribo Pareci, no Mato Grosso. Mal sabe, o desavisado, que repetiu um gesto lamentável da então senadora Gleise Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores. Sinal de que os adversários políticos, inimigos declarados, não pensam ou agem de maneira tão distinta assim.
Todos os que enchem a boca para falar pelos povos da floresta têm a obrigação intelectual de conferir 'Martírio' (2016), de Vincent Carelli, já exibido pelo Cine Vitória. O documentário premiado no Festival de Brasília coloca o dedo na ferida da questão fundiária tupiniquim sem meias palavras, sem malabarismos retóricos, à revelia dos interesses aboletados no Palácio do Planalto, desde sempre. 
O filme de Carelli, dirigido a seis mãos com Ernesto de Cavalho e Tita, passa quase três horas relatando o confronto entre ruralistas com o poder de fogo da valente Kátia Abreu - depois nomeada ministra da agricultura pela presidente Dilma Rousseff, sua amiga -, e os índios Guarani Kaoiwá. Uma luta desigual, com todos os requintes de um genocídio. Bala de fuzil contra pedra e pau.
Peleja muito antiga, que ultrapassa várias décadas e desemboca na grande marcha de retomada dos territórios sagrados Guarani Kaiowá. Vincent Carelli, que registrou o nascedouro do movimento na década de 1980, recorre a seu arquivo pessoal para contar a história sem dourar a pílula, com todos os pingos nos is. Os relatos mais recentes dos massacres motivam a jornada do cineasta, que busca as origens do genocídio e testemunha um conflito de forças desproporcionais: a insurgência pacífica e obstinada dos Guarani Kaiowá frente ao poderoso aparato do agronegócio.
História com H maiúsculo escrita aqui e agora. Gleise Hoffmann, ex-ministra da Casa Civil, responsável direta pelo esvaziamento da Funai, como demonstra Carelli, já discursou no plenário do Congresso Nacional munida de vistoso cocar. Um escárnio. Ricardo Salles, fruto podre de um laranjal disfarçado em partido político, deu-se depois ao mesmo ridículo. Contra todas as aparências e o sinal ideológico trocado, neste particular, o penacho é prova, PT e PSL usam figurino muito parecido.