Lembrando o Campo de Aviação ( III )

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Publicada em 19/02/2019 às 07:22:00

 

* Raymundo Mello
(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)
 
Continuo com as lembranças do 
velho 'Campo de Aviação de Ara-
caju' contadas por meu pai, o 'Memorialista Raymundo Mello': trago hoje para os amigos leitores a parte final do artigo "Voando na memória", publicado na edição de 28 de novembro de 2014 do 'Jornal do Dia', onde ele relata duas histórias engraçadas das 'tantas' que ali aconteceram e que ele adorava contar, interrompidas sempre por boas risadas, alegre que era...
Bom mesmo era ele contando, mas, enfim ... boa leitura pra todos!
Fala, Raymundo Mello!
- [No campo de aviação] também ocorriam fatos hilariantes. Conto um: O DC-3 da Cruzeiro do Sul, empresa da elite, na época, só rivalizando com a Panair do Brasil, fez o atendimento normal da viagem e deslocou-se para a cabeceira da pista 13, para prosseguir o voo. Lá, demorou-se mais que o normal e voltou para o estacionamento. Vinha desembarcar um passageiro que não aceitava colocar o cinto de segurança. Não atendeu a recomendação da aeromoça, que levou a ocorrência ao comandante. Este deixou a cabine e veio ao passageiro pedir que colocasse o cinto, como os demais. O passageiro, porém, não acedeu ao convite e repetia sempre que era instado: "Não coloco. Nada de cinto. Sou Deputado Federal, vou para a sessão da Câmara, no Rio de Janeiro, e só faço o que quero. Não cumpro ordem, especialmente para ser amarrado".
"Paciência!" - disse-lhe o comandante; "O senhor vai desembarcar"; e trouxe o avião para o estacionamento. Curiosidade geral. Aberta a porta do avião descobriu-se que o passageiro rebelde era o Deputado Federal Francisco de Araujo Macedo. Então, subiu a bordo, senhora de fino trato, elegantemente vestida, e convenceu-o a colocar o cinto. Era sua esposa, senhora Núbia Nabuco Macedo. Ela mesma colocou, beijou-lhe a testa e desejou boa viagem. Ao que consta, ele só tirou o cinto após horas de voo, com escalas e tudo, ao chegar ao Rio de Janeiro. Dias depois, o fato saiu na Revista "O Cruzeiro", dada a sua importância.
Para encerrar esta memória, registro mais um fato interessante. O senhor Augusto Luz, uma das pessoas mais alegres e simpáticas de Aracaju, dono do Cinema Guarany, Farmácia Guarany, Carro de propaganda Guarany, arrendatário da PRJ-6 - Rádio Aperipê de Sergipe - e dos Cines São Francisco e Tupy, bem casado por mais de 50 anos com Dona Yayá, dizia-se marido fiel, mas, mui respeitosamente, "pulava a cerca", como se dizia, e tinha seus encontros fortuitos, mas, quando menos esperava, contavam a Dona Yayá e dela recebia as reprimendas. Resolve, então, dar uma escapulida diferente - acerta um negócio a ser tratado em Penedo - Alagoas. Ia de avião pra chegar ligeiro, tratar o negócio e voltar logo cedo, no dia seguinte, tudo, ida e volta, pelo voo da LAP. A companheira do pulo fez o mesmo percurso, quase no mesmo horário, mas pelo avião Catalina da Aero Geral. Ele viajou, fez seu programa bem à vontade e, alegre e feliz, voltou, como prometera, na manhã seguinte. Mas não é que cochicharam no ouvido da esposa que a viagem não passava de mais um pulo e passaram todos os detalhes imaginados?!
Yayá foi esperar seu Augusto no aeroporto (campo de aviação) e quando ele caminhou para ela, abraço preparado, recebeu o primeiro golpe de sombrinha, seguido de outros e outros, enquanto tentava esquivar-se. Mas Dona Yayá, aos gritos de "moleque", disse a ele tudo que sabia e queria identificar a companheira fortuita para dar-lhe também uns tabefes e golpes de sombrinha. Não conseguiu, o voo dela foi outro. A cada "sonbrinhada", seu Augusto resmungava: "Que coisa! Que perseguição! Meus amigos têm seus casos quase defronte de casa, ninguém diz nada. Eu vou de avião pra outro estado e Yayá fica sabendo. Arre!!!".
Esses fatos, à época que foram vividos, eram considerados simples ocorrências que passavam quase despercebidas. Mas o que se assenta na memória, um dia ressurge e nos leva a contá-los, com a melhor das intenções.
* * *
E.T. - Espero na próxima terça, 26/02, com a graça de Deus, concluir esta pequena série de textos sobre o campo de aviação. Outros assuntos já nos batem à porta.
* Raymundo Mello é Memorialista
raymundopmello@yahoo.com.br

* Raymundo Mello

(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)

Continuo com as lembranças do  velho 'Campo de Aviação de Ara- caju' contadas por meu pai, o 'Memorialista Raymundo Mello': trago hoje para os amigos leitores a parte final do artigo "Voando na memória", publicado na edição de 28 de novembro de 2014 do 'Jornal do Dia', onde ele relata duas histórias engraçadas das 'tantas' que ali aconteceram e que ele adorava contar, interrompidas sempre por boas risadas, alegre que era...
Bom mesmo era ele contando, mas, enfim ... boa leitura pra todos!
Fala, Raymundo Mello!
- [No campo de aviação] também ocorriam fatos hilariantes. Conto um: O DC-3 da Cruzeiro do Sul, empresa da elite, na época, só rivalizando com a Panair do Brasil, fez o atendimento normal da viagem e deslocou-se para a cabeceira da pista 13, para prosseguir o voo. Lá, demorou-se mais que o normal e voltou para o estacionamento. Vinha desembarcar um passageiro que não aceitava colocar o cinto de segurança. Não atendeu a recomendação da aeromoça, que levou a ocorrência ao comandante. Este deixou a cabine e veio ao passageiro pedir que colocasse o cinto, como os demais. O passageiro, porém, não acedeu ao convite e repetia sempre que era instado: "Não coloco. Nada de cinto. Sou Deputado Federal, vou para a sessão da Câmara, no Rio de Janeiro, e só faço o que quero. Não cumpro ordem, especialmente para ser amarrado".
"Paciência!" - disse-lhe o comandante; "O senhor vai desembarcar"; e trouxe o avião para o estacionamento. Curiosidade geral. Aberta a porta do avião descobriu-se que o passageiro rebelde era o Deputado Federal Francisco de Araujo Macedo. Então, subiu a bordo, senhora de fino trato, elegantemente vestida, e convenceu-o a colocar o cinto. Era sua esposa, senhora Núbia Nabuco Macedo. Ela mesma colocou, beijou-lhe a testa e desejou boa viagem. Ao que consta, ele só tirou o cinto após horas de voo, com escalas e tudo, ao chegar ao Rio de Janeiro. Dias depois, o fato saiu na Revista "O Cruzeiro", dada a sua importância.
Para encerrar esta memória, registro mais um fato interessante. O senhor Augusto Luz, uma das pessoas mais alegres e simpáticas de Aracaju, dono do Cinema Guarany, Farmácia Guarany, Carro de propaganda Guarany, arrendatário da PRJ-6 - Rádio Aperipê de Sergipe - e dos Cines São Francisco e Tupy, bem casado por mais de 50 anos com Dona Yayá, dizia-se marido fiel, mas, mui respeitosamente, "pulava a cerca", como se dizia, e tinha seus encontros fortuitos, mas, quando menos esperava, contavam a Dona Yayá e dela recebia as reprimendas. Resolve, então, dar uma escapulida diferente - acerta um negócio a ser tratado em Penedo - Alagoas. Ia de avião pra chegar ligeiro, tratar o negócio e voltar logo cedo, no dia seguinte, tudo, ida e volta, pelo voo da LAP. A companheira do pulo fez o mesmo percurso, quase no mesmo horário, mas pelo avião Catalina da Aero Geral. Ele viajou, fez seu programa bem à vontade e, alegre e feliz, voltou, como prometera, na manhã seguinte. Mas não é que cochicharam no ouvido da esposa que a viagem não passava de mais um pulo e passaram todos os detalhes imaginados?!
Yayá foi esperar seu Augusto no aeroporto (campo de aviação) e quando ele caminhou para ela, abraço preparado, recebeu o primeiro golpe de sombrinha, seguido de outros e outros, enquanto tentava esquivar-se. Mas Dona Yayá, aos gritos de "moleque", disse a ele tudo que sabia e queria identificar a companheira fortuita para dar-lhe também uns tabefes e golpes de sombrinha. Não conseguiu, o voo dela foi outro. A cada "sonbrinhada", seu Augusto resmungava: "Que coisa! Que perseguição! Meus amigos têm seus casos quase defronte de casa, ninguém diz nada. Eu vou de avião pra outro estado e Yayá fica sabendo. Arre!!!".
Esses fatos, à época que foram vividos, eram considerados simples ocorrências que passavam quase despercebidas. Mas o que se assenta na memória, um dia ressurge e nos leva a contá-los, com a melhor das intenções.

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E.T. - Espero na próxima terça, 26/02, com a graça de Deus, concluir esta pequena série de textos sobre o campo de aviação. Outros assuntos já nos batem à porta.

* Raymundo Mello é Memorialistaraymundopmello@yahoo.com.br