Um grito de Carnaval

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A ordem treme!
A ordem treme!

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Publicada em 19/02/2019 às 07:45:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Os donos do mundo 
têm um ano intei-
ro para chamar de seu. Via de regra, os poderosos fazem e acontecem, sem dar nenhuma satisfação a ninguém. O pai do sambista estava coberto de razão, o brasileiro médio é mesmo um homem cordial. À parte as conversas em mesa de bar, um post aqui, outro ali, apesar de todos os escândalos, não se ouve bater de panelas, nem um pio.
No Carnaval, ao contrário, a voz do povo finalmente ganha volume e berra mais alto, como se fosse de fato a própria voz de Deus. O corpo fala. Além de se cobrir com todas as cores para tomar as ruas em alvoroço, o folião muitas vezes aproveita para ir à forra e faz da farra um grandiloquente ato político. 
Nos dias de festa, a ordem treme. A caretice, o moralismo e até o poder recolhem-se ao escuro de suas tocas, com o rabo entre as pernas. O escracho é a única norma. Qualquer um com culpa no cartório tem motivo de sobra para temer o confete, a serpentina e o apito. 
O sumido Queiróz, por exemplo, pode até driblar o Ministério Público, escorado na força da grana, fruto das relações pouco republicanas mantidas com a família Bolsonaro, como fez até agora, impunemente. Mas não será poupado pela fuzarca. Henrique Teles (Maria Scombona), Julio Andrade (The Baggios) e Alex Sant'Anna, três compositores da língua grande, botaram o amigo do presidente na roda, sem um pingo de dó. 
'Cadê Queiróz?', um frevo embalado a toque de caixa e guitarra fuzz, é desde já o grande hit do bloco Unidos do Laranjal, disposto a congestionar os caminhos pavimentados do ambiente virtual com o repique de uma pergunta inconveniente, que não pode se calar.
Segundo Henrique Teles, o roteiro do cortejo já está traçado. "A ideia é sair do beco do Twitter, descer a ladeira do Youtube e alcançar o largo do Instagram". O clipe dirigido por Werden Tavares, um grito de Carnaval, será jogado na rede ainda hoje, cobrando a uns e outros com muito bom humor, lavando a alma do populacho.

Os donos do mundo  têm um ano intei- ro para chamar de seu. Via de regra, os poderosos fazem e acontecem, sem dar nenhuma satisfação a ninguém. O pai do sambista estava coberto de razão, o brasileiro médio é mesmo um homem cordial. À parte as conversas em mesa de bar, um post aqui, outro ali, apesar de todos os escândalos, não se ouve bater de panelas, nem um pio.
No Carnaval, ao contrário, a voz do povo finalmente ganha volume e berra mais alto, como se fosse de fato a própria voz de Deus. O corpo fala. Além de se cobrir com todas as cores para tomar as ruas em alvoroço, o folião muitas vezes aproveita para ir à forra e faz da farra um grandiloquente ato político. 
Nos dias de festa, a ordem treme. A caretice, o moralismo e até o poder recolhem-se ao escuro de suas tocas, com o rabo entre as pernas. O escracho é a única norma. Qualquer um com culpa no cartório tem motivo de sobra para temer o confete, a serpentina e o apito. 
O sumido Queiróz, por exemplo, pode até driblar o Ministério Público, escorado na força da grana, fruto das relações pouco republicanas mantidas com a família Bolsonaro, como fez até agora, impunemente. Mas não será poupado pela fuzarca. Henrique Teles (Maria Scombona), Julio Andrade (The Baggios) e Alex Sant'Anna, três compositores da língua grande, botaram o amigo do presidente na roda, sem um pingo de dó. 
'Cadê Queiróz?', um frevo embalado a toque de caixa e guitarra fuzz, é desde já o grande hit do bloco Unidos do Laranjal, disposto a congestionar os caminhos pavimentados do ambiente virtual com o repique de uma pergunta inconveniente, que não pode se calar.
Segundo Henrique Teles, o roteiro do cortejo já está traçado. "A ideia é sair do beco do Twitter, descer a ladeira do Youtube e alcançar o largo do Instagram". O clipe dirigido por Werden Tavares, um grito de Carnaval, será jogado na rede ainda hoje, cobrando a uns e outros com muito bom humor, lavando a alma do populacho.