Lama venenosa

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 22/02/2019 às 07:41:00

 

A atualização constante do núme-
ro de mortos e desaparecidos em 
Brumadinho ainda não é suficiente para mensurar os prejuízos provocados pelo descaso ambiental da Companhia Vale do Rio Doce. Há risco plausível, por exemplo, de os rejeitos que forçaram a barragem no interior de Minas Gerais encontrem o Rio São Francisco.
O alerta é do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto. Segundo ele, a operação da hidrelétrica de Três Marias pode ser alterada para evitar um desastre ainda maior, ampliando o rastro de destruição, ferindo de morte o já moribundo rio da integração nacional. A maior esperança é de que o volume de água no reservatório da usina seja suficiente para diluir a lama venenosa, antes de abrir as comportas para o Velho Chico.
Tanto o rio São Francisco quanto o interior de Minas Gerais, palco de sucessivos crimes cometidos pelas mineradoras, são vítimas do descaso das autoridades no que tange à defesa do meio ambiente. Nunca será demais lembrar que, poucos dias antes de uma barragem de rejeitos romper em Brumadinho, o presidente Jair Bolsonaro discursava ao mundo, insinuando a necessidade de afrouxar a legislação ambiental.
Ao contrário do que defendeu o presidente, ninguém pode afirmar que as autoridades brasileiras pecam por rigorosas demais no trato com a Companhia Vale do Rio Doce. A tragédia de Mariana, como ficou conhecido o maior crime ambiental da história, resultado de negligência continuada, por exemplo, jamais recebeu punição a altura. O rompimento da barragem de Fundão, em 2015, sob a tutela da mineradora, foi tratado como mera fatalidade.
O episódio mais recente não fez mais do que sublinhar o excesso de boa vontade com uma empresa sabidamente criminosa, que ainda não respondeu pelas próprias faltas, com é devido. Até ontem, quando foi divulgado o último balanço, contava-se 171 mortos e 139 desaparecidos em Brumadinho.

A atualização constante do núme- ro de mortos e desaparecidos em  Brumadinho ainda não é suficiente para mensurar os prejuízos provocados pelo descaso ambiental da Companhia Vale do Rio Doce. Há risco plausível, por exemplo, de os rejeitos que forçaram a barragem no interior de Minas Gerais encontrem o Rio São Francisco.
O alerta é do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto. Segundo ele, a operação da hidrelétrica de Três Marias pode ser alterada para evitar um desastre ainda maior, ampliando o rastro de destruição, ferindo de morte o já moribundo rio da integração nacional. A maior esperança é de que o volume de água no reservatório da usina seja suficiente para diluir a lama venenosa, antes de abrir as comportas para o Velho Chico.
Tanto o rio São Francisco quanto o interior de Minas Gerais, palco de sucessivos crimes cometidos pelas mineradoras, são vítimas do descaso das autoridades no que tange à defesa do meio ambiente. Nunca será demais lembrar que, poucos dias antes de uma barragem de rejeitos romper em Brumadinho, o presidente Jair Bolsonaro discursava ao mundo, insinuando a necessidade de afrouxar a legislação ambiental.
Ao contrário do que defendeu o presidente, ninguém pode afirmar que as autoridades brasileiras pecam por rigorosas demais no trato com a Companhia Vale do Rio Doce. A tragédia de Mariana, como ficou conhecido o maior crime ambiental da história, resultado de negligência continuada, por exemplo, jamais recebeu punição a altura. O rompimento da barragem de Fundão, em 2015, sob a tutela da mineradora, foi tratado como mera fatalidade.
O episódio mais recente não fez mais do que sublinhar o excesso de boa vontade com uma empresa sabidamente criminosa, que ainda não respondeu pelas próprias faltas, com é devido. Até ontem, quando foi divulgado o último balanço, contava-se 171 mortos e 139 desaparecidos em Brumadinho.