Altos e baixos de uma estreia

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Estréia pomposa como um piano de churrascaria.
Estréia pomposa como um piano de churrascaria.

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Publicada em 22/02/2019 às 07:54:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Eu morro de medo dos 
discos bem produzi-
dos. Nestes, o esforço de encontrar a substância das canções é dificultado pela excelência dos arranjos, o virtuosismo dos músicos e artifícios da tecnologia. A estréia de Gustavo Mattos, por exemplo, não tem uma única peça fora de lugar. E, no entanto, soa pomposa como um piano de churrascaria.
Cantor competente, dado a um exagero de falsetes e vibratos, Gustavo não desafina nunca. Mas também não me convence. Além disso, o seu repertório é marcado por um pecado original: Concebidas como poemas ruins, as letras das canções arranjadas pelo sete cordas Ricardo Vieira, um gigante, não obedecem, necessariamente, aos desígnios da melodia. Assim, o tributo prestado à inspiração paterna, pretensão aqui presumida, dá status de documento a uma relação unilateral. O pai de Gustavo certamente foi um poeta devotado, mas jamais foi correspondido pelas musas.
Gustavo Mattos, o disco batizado com a assinatura do artista, sofre de uma incongruência muito saliente. A sessão instrumental de cada faixa é, em geral, impecável. Mas basta o cantor abrir a boca para botar tudo a perder. A sua inflexão é a mesma de qualquer cantor evangélico. A impressão, nas passagens mais constrangedoras, é de ser surpreendido no meio de um show gospel, transportado para o ambiente insalubre de um culto mercenário, repleto de aleluias.
Um disco ruim, com músicos e arranjos excelentes. Gustavo Mattos, é imperativo reconhecer, teve cacife e esperteza para se fazer muito bem acompanhado. Fala-se aqui de gente como Fred Andrade (guitarra), Fabio Oliveira (baixo), Rômulo Filho (bateria) e Pedrinho Mendonça (percussão), além do já citado Ricardo Vieira, entre outros. Por mais que a gaita de Julio Rego puxe para o alto, contudo, a voz de Gustavo, mais a pobreza das metáforas pronunciadas em tom afetado, empurram os mais sensíveis das nuvens. Entre altos e baixos, estes acabam sempre de pés no chão. 

Eu morro de medo dos  discos bem produzi- dos. Nestes, o esforço de encontrar a substância das canções é dificultado pela excelência dos arranjos, o virtuosismo dos músicos e artifícios da tecnologia. A estréia de Gustavo Mattos, por exemplo, não tem uma única peça fora de lugar. E, no entanto, soa pomposa como um piano de churrascaria.
Cantor competente, dado a um exagero de falsetes e vibratos, Gustavo não desafina nunca. Mas também não me convence. Além disso, o seu repertório é marcado por um pecado original: Concebidas como poemas ruins, as letras das canções arranjadas pelo sete cordas Ricardo Vieira, um gigante, não obedecem, necessariamente, aos desígnios da melodia. Assim, o tributo prestado à inspiração paterna, pretensão aqui presumida, dá status de documento a uma relação unilateral. O pai de Gustavo certamente foi um poeta devotado, mas jamais foi correspondido pelas musas.
Gustavo Mattos, o disco batizado com a assinatura do artista, sofre de uma incongruência muito saliente. A sessão instrumental de cada faixa é, em geral, impecável. Mas basta o cantor abrir a boca para botar tudo a perder. A sua inflexão é a mesma de qualquer cantor evangélico. A impressão, nas passagens mais constrangedoras, é de ser surpreendido no meio de um show gospel, transportado para o ambiente insalubre de um culto mercenário, repleto de aleluias.
Um disco ruim, com músicos e arranjos excelentes. Gustavo Mattos, é imperativo reconhecer, teve cacife e esperteza para se fazer muito bem acompanhado. Fala-se aqui de gente como Fred Andrade (guitarra), Fabio Oliveira (baixo), Rômulo Filho (bateria) e Pedrinho Mendonça (percussão), além do já citado Ricardo Vieira, entre outros. Por mais que a gaita de Julio Rego puxe para o alto, contudo, a voz de Gustavo, mais a pobreza das metáforas pronunciadas em tom afetado, empurram os mais sensíveis das nuvens. Entre altos e baixos, estes acabam sempre de pés no chão.