Valmir Monteiro é preso por novo escândalo em matadouros

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POLÍCIA Civil deflagra Operação \"Juízo Final\" para combater o tráfico de drogas e homicídios em vários municípios sergipanos
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Policiais forçam a porta para a entrada na sede da Prefeitura de Lagarto
Policiais forçam a porta para a entrada na sede da Prefeitura de Lagarto

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Publicada em 23/02/2019 às 08:26:00

 

Gabriel Damásio
Um novo escândalo en
volvendo a gestão de 
matadouros públicos veio à tona em uma nova operação deflagrada ontem pelo Ministério Público Estadual e pelas polícias Civil e Militar. A chamada 'Operação Leak' aconteceu na manhã de ontem em Lagarto, onde equipes dos três órgãos foram mobilizadas para cumprir quatro mandados de prisão preventiva e outros de busca e apreensão. Um dos alvos foi o prefeito da cidade, José Valmir Monteiro (PSC), que não estava em casa, mas se entregou por volta das 10h na sede do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), em Aracaju. 
Valmir compareceu à polícia acompanhado de seu genro, Igor Ribeiro Costa Aragão, que atuava na administração do matadouro e também teve sua prisão decretada. Os dois prestaram um rápido depoimento e, após passarem pelo exame de corpo delito no Instituto Médico-Legal (IML), foram enviados ao Presídio Militar (Presmil), onde estão detidos. Os outros mandados de prisão foram para os empresários Joel do Nascimento Cruz e Gildo Pinto dos Santos, que aparecem como sócios da empresa JML Comércio Atacadista de Fumo Ltda. Os dois não foram encontrados e, até a noite de ontem, eram considerados foragidos. 
Segundo o MPSE, todos são acusados por um esquema de desvios de verbas públicas arrecadadas pelo Matadouro Municipal de Lagarto, que estaria associado a práticas de lavagem de dinheiro. a operação começou com uma investigação sobre o funcionamento do matadouro do município, quando a Promotoria da Comarca local interditou a unidade e, meses depois, pediu que o Tribunal de Justiça afastasse Valmir do cargo. Na ocasião, os promotores descobriram que a administração do matadouro estava entregue irregularmente à empresa de um amigo do prefeito, sem qualquer tipo de documentação formal ou legislação autorizativa. 
Ontem, após as prisões, o promotor Bruno Melo, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), disse em entrevista coletiva que já eram investigados indícios de sonegação fiscal por parte da administração do matadouro público. A partir daí, a polícia começou a investigar denúncias anônimas relacionadas à lavagem de dinheiro, principalmente à compra de imóveis e bens de alto valor com nomes e dados de pessoas ligadas a Valmir. Uma das suspeitas recai sob o genro Igor, que segundo o promotor, tem renda incompatível com o patrimônio. "Ele adquiriu em 2017 um apartamento de R$ 465 mil, todo em espécie. Pagou a compra em cinco parcelas, sendo quatro de R$ 100 mil, mas é comissionado da Assembleia Legislativa e tem uma remuneração mensal líquida de R$ 1.300. Isso é incompatível", disse Bruno. 
A outra suspeita recai sobre Joel e Gildo, apontados pelos promotores como supostos 'laranjas' do prefeito Valmir no registro de propriedade de imóveis que podem ter sido comprados com recursos de origem ilícita. "A JML, nós acreditamos que também seja de Valmir. Existe um sócio dela, chamado Gildo, que é um caminhoneiro e comissionado do Fundo Municipal de Saúde de Lagarto, que recebe em torno de R$ 1.500 líquidos. Ele não tem o patrimônio compatível com o da empresa, que movimenta milhões de reais", complementa o promotor, citando ainda que os envolvidos compraram, no ano passado, uma fazenda de cerca de R$ 2 milhões. Os valores desviados do matadouro ainda estão sendo apurados, dentro de um processo investigativo que tramita sob sigilo judicial e ainda não foi concluído. 
Quem vazou? - A operação do Gaeco seria deflagrada, mas teve que ser antecipada por um fato que surpreendeu e irritou os investigadores: o vazamento de todo o conteúdo da investigação e dos pedidos de prisão contra Valmir Monteiro, o genro e os empresários. Esta informação, segundo o promotor Jarbas Adelino Santos Júnior, do Gaeco, fez com que o prefeito e os outros investigados esvaziassem os locais que seriam visitados e, possivelmente, destruíssem provas que incriminassem os envolvidos. Nem mesmo os próprios foram encontrados em suas residências, de onde teriam saído para não serem presos.
"Desde a semana passada, grupos de redes sociais em Lagarto já circulavam a informação de que haveria essa operação. E o comportamento dos investigados leva a crer que houve sim um vazamento [de informações]. O próprio gabinete do prefeito teve toda a documentação retirada. Nas casas e nos imóveis onde foram realizadas buscas e apreensões, não encontramos praticamente nada, o que não é o normal de uma operação como essa", disse Jarbas, acrescentando ter sido informado por servidores de que o gabinete de Valmir foi esvaziado no meio da semana, com a justificativa de que ele passaria por uma reforma. 
Os promotores e policiais também fizeram buscas na sede da prefeitura de Lagarto e nas Secretarias Municipais de Finanças e Administração, além do Matadouro da cidade e da sede de uma empresa de fumo. Poucos documentos e computadores foram apreendidos, embora os promotores garantam já ter "provas robustas" dos desvios e irregularidades descobertos no matadouro. Além de aprofundar essas investigações, o objetivo é descobrir quem foi o responsável pelo vazamento das informações sobre a operação. Este, inclusive, foi o mote usado para batizar a ação conjunta do MPSE e das polícias: 'Leak', que em inglês quer dizer 'vazamento'. 
Defesa - O prefeito negou todas as acusações, mas não quis dar entrevistas na porta do Instituto Médico Legal (IML). Ele está sendo acompanhado pelos advogados Fabiano Feitosa e Evânio Moura. Em nota, a Prefeitura de Lagarto informou que, durante as buscas das polícias Civil e Militar, "todos os funcionários que se encontravam ou que chegaram para cumprir seu expediente de trabalho, atuaram de forma a garantir total acesso aos agentes para a operação em questão", e que "ao final da ação, foi comunicado pelos agentes que apenas a documentação do contrato da Prefeitura com uma empresa denominada CAOL fora apreendida". O município prometeu voltar a "prestar esclarecimentos com total transparência e respeito a partir do desenrolar dos fatos".

Gabriel Damásio

Um novo escândalo en volvendo a gestão de  matadouros públicos veio à tona em uma nova operação deflagrada ontem pelo Ministério Público Estadual e pelas polícias Civil e Militar. A chamada 'Operação Leak' aconteceu na manhã de ontem em Lagarto, onde equipes dos três órgãos foram mobilizadas para cumprir quatro mandados de prisão preventiva e outros de busca e apreensão. Um dos alvos foi o prefeito da cidade, José Valmir Monteiro (PSC), que não estava em casa, mas se entregou por volta das 10h na sede do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), em Aracaju. 
Valmir compareceu à polícia acompanhado de seu genro, Igor Ribeiro Costa Aragão, que atuava na administração do matadouro e também teve sua prisão decretada. Os dois prestaram um rápido depoimento e, após passarem pelo exame de corpo delito no Instituto Médico-Legal (IML), foram enviados ao Presídio Militar (Presmil), onde estão detidos. Os outros mandados de prisão foram para os empresários Joel do Nascimento Cruz e Gildo Pinto dos Santos, que aparecem como sócios da empresa JML Comércio Atacadista de Fumo Ltda. Os dois não foram encontrados e, até a noite de ontem, eram considerados foragidos. 
Segundo o MPSE, todos são acusados por um esquema de desvios de verbas públicas arrecadadas pelo Matadouro Municipal de Lagarto, que estaria associado a práticas de lavagem de dinheiro. a operação começou com uma investigação sobre o funcionamento do matadouro do município, quando a Promotoria da Comarca local interditou a unidade e, meses depois, pediu que o Tribunal de Justiça afastasse Valmir do cargo. Na ocasião, os promotores descobriram que a administração do matadouro estava entregue irregularmente à empresa de um amigo do prefeito, sem qualquer tipo de documentação formal ou legislação autorizativa. 
Ontem, após as prisões, o promotor Bruno Melo, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), disse em entrevista coletiva que já eram investigados indícios de sonegação fiscal por parte da administração do matadouro público. A partir daí, a polícia começou a investigar denúncias anônimas relacionadas à lavagem de dinheiro, principalmente à compra de imóveis e bens de alto valor com nomes e dados de pessoas ligadas a Valmir. Uma das suspeitas recai sob o genro Igor, que segundo o promotor, tem renda incompatível com o patrimônio. "Ele adquiriu em 2017 um apartamento de R$ 465 mil, todo em espécie. Pagou a compra em cinco parcelas, sendo quatro de R$ 100 mil, mas é comissionado da Assembleia Legislativa e tem uma remuneração mensal líquida de R$ 1.300. Isso é incompatível", disse Bruno. 
A outra suspeita recai sobre Joel e Gildo, apontados pelos promotores como supostos 'laranjas' do prefeito Valmir no registro de propriedade de imóveis que podem ter sido comprados com recursos de origem ilícita. "A JML, nós acreditamos que também seja de Valmir. Existe um sócio dela, chamado Gildo, que é um caminhoneiro e comissionado do Fundo Municipal de Saúde de Lagarto, que recebe em torno de R$ 1.500 líquidos. Ele não tem o patrimônio compatível com o da empresa, que movimenta milhões de reais", complementa o promotor, citando ainda que os envolvidos compraram, no ano passado, uma fazenda de cerca de R$ 2 milhões. Os valores desviados do matadouro ainda estão sendo apurados, dentro de um processo investigativo que tramita sob sigilo judicial e ainda não foi concluído. 

Quem vazou? - A operação do Gaeco seria deflagrada, mas teve que ser antecipada por um fato que surpreendeu e irritou os investigadores: o vazamento de todo o conteúdo da investigação e dos pedidos de prisão contra Valmir Monteiro, o genro e os empresários. Esta informação, segundo o promotor Jarbas Adelino Santos Júnior, do Gaeco, fez com que o prefeito e os outros investigados esvaziassem os locais que seriam visitados e, possivelmente, destruíssem provas que incriminassem os envolvidos. Nem mesmo os próprios foram encontrados em suas residências, de onde teriam saído para não serem presos.
"Desde a semana passada, grupos de redes sociais em Lagarto já circulavam a informação de que haveria essa operação. E o comportamento dos investigados leva a crer que houve sim um vazamento [de informações]. O próprio gabinete do prefeito teve toda a documentação retirada. Nas casas e nos imóveis onde foram realizadas buscas e apreensões, não encontramos praticamente nada, o que não é o normal de uma operação como essa", disse Jarbas, acrescentando ter sido informado por servidores de que o gabinete de Valmir foi esvaziado no meio da semana, com a justificativa de que ele passaria por uma reforma. 
Os promotores e policiais também fizeram buscas na sede da prefeitura de Lagarto e nas Secretarias Municipais de Finanças e Administração, além do Matadouro da cidade e da sede de uma empresa de fumo. Poucos documentos e computadores foram apreendidos, embora os promotores garantam já ter "provas robustas" dos desvios e irregularidades descobertos no matadouro. Além de aprofundar essas investigações, o objetivo é descobrir quem foi o responsável pelo vazamento das informações sobre a operação. Este, inclusive, foi o mote usado para batizar a ação conjunta do MPSE e das polícias: 'Leak', que em inglês quer dizer 'vazamento'. 

Defesa - O prefeito negou todas as acusações, mas não quis dar entrevistas na porta do Instituto Médico Legal (IML). Ele está sendo acompanhado pelos advogados Fabiano Feitosa e Evânio Moura. Em nota, a Prefeitura de Lagarto informou que, durante as buscas das polícias Civil e Militar, "todos os funcionários que se encontravam ou que chegaram para cumprir seu expediente de trabalho, atuaram de forma a garantir total acesso aos agentes para a operação em questão", e que "ao final da ação, foi comunicado pelos agentes que apenas a documentação do contrato da Prefeitura com uma empresa denominada CAOL fora apreendida". O município prometeu voltar a "prestar esclarecimentos com total transparência e respeito a partir do desenrolar dos fatos".