Sindimina teme pela segurança de trabalhadores em mina de potásio

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SINDIMINA COBRA INFORMAÇÕES SOBRE ROTAS DE FUGA NA MINA TAQUARI-VASSOURAS
SINDIMINA COBRA INFORMAÇÕES SOBRE ROTAS DE FUGA NA MINA TAQUARI-VASSOURAS

A mina de potássio em Sergipe, na época que era explorada pela Vale
A mina de potássio em Sergipe, na época que era explorada pela Vale

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Publicada em 23/02/2019 às 15:12:00

 

Milton Alves Júnior
Com o mínimo de in
formações atualiza
das sobre a Usina Taquari Vassouras, no município sergipano de Rosário do Catete, trabalhadores da unidade e gestores do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Prospecção, Pesquisa, Extração e Beneficiamento de Minérios dos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Piauí (Sindimina), acionaram o grupo Mosaic Fertilizantes - responsável pela usina -, a fim de obter um relatório minucioso sobre as ações de prevenção à acidentes as quais foram realizadas desde janeiro do ano passado, quando o grupo assumiu a operação industrial no lugar da Vale Fertilizantes. Esta unidade foi erguida no final da década de 70 pelo Grupo Odebrecht, e desde então o sindicato não possui informações quanto as manutenções aplicadas.
O relatório reivindicado oficialmente na semana passada deve transparecer ainda o projeto de evacuação e as rotas de fugas em caso de inundações, mecanismos de resgate aos profissionais ilhados por saídas obstruídas, bem como o volume de água que o local dispõe. Apontando a necessidade desse relatório apenas como forma de conhecimento, e não de propagação de pânico, o sindicato reconhece não saber, por exemplo, em caso de acidente com maior escala de gravidade, quanto tempo seria necessário para retirar todos os 130 profissionais  que atuam na usina. O mesmo ofício apresentado à Mosaic também foi compartilhado junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), e a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Sergipe (SRTE).
Esta não é a primeira vez que o Sindimina se dirige à direção da Mosaic para solicitar informações de interesse coletivo. Em 28 de junho foi encaminhado um ofício solicitando uma reunião para tratar do acidente ocorrido em 22 de maio no Poço 2 da Mina. Cinco dias depois, houve um novo pedido, desta vez reivindicando a imediata interdição do Skip de Transporte de Pessoal e de Insumos do Poço 2. No dia 06 de julho um documento de número 096/2018 alertava sobre o funcionamento irregular do Skip de Transporte de Pessoal e de Insumos do Poço 2 da Mina. Por fim, no dia 10, também de julho, o sindicato pedia à Mosaic Fertilizantes, adoção de providências visando à segurança dos trabalhadores que utilizam o Skip de Transporte de Pessoal e de Insumos do Poço 2 da Mina.
Sem resposta - Nenhuma dos ofícios apresentados foram respondidos. Neste novo documento compartilhado ainda com o Ministério Público Estadual (MPE), o sindicato acredita que terá resposta. O ofício foi protocolado no início da semana passada, mas até o final da tarde de ontem não havia sido respondido. De acordo com Álvaro Luiz da Silva, presidente do Sindimina Sergipe, é preciso destacar que os moradores imediatos - os quais residem nas proximidades da usina -, não precisam se preocupar já que não existem riscos de catástrofes internas da mina atingirem a população. O foco dessa ação é apenas obter conhecimento dos fatos e evitar que os trabalhadores sejam atingidos em caso de inundações provocadas pelo 'rio subterrâneo'.
"Estamos falando de uma usina que foi erguida na década de 70, quando a vedação para perfuração da mina foi feita pela Odebrecht. Depois do susto e tragédia envolvendo os casos de do pimento em Mariana e Brumadinho, estamos todos mais preocupados com as rotas de fuga em caso de sinistro. Esperamos que, também em virtude dessas tragédias em Minas Gerais, a Mosaic esteja mais transparente nas ações e responda nosso ofício, já que nenhum do ano passado nenhum foi atendido", disse. Sobre o compartilhamento do ofício 019/2019, datado em 14 de fevereiro deste ano, junto aos órgãos estatuais e federais de fiscalização, o Sindimina disse tratar de uma medida protetiva, quando os órgãos devem se manter atualizados sobre a operação realizada na Usina Taquari Vassouras.
"São medidas de precaução, proteção e orientação. Não existe a perspectiva de embate com a empresa, apenas o desejo unificado de obtermos informações gerais sobre a usina", declarou. Um ponto destacado pelo sindicalista gira em torno dos elevadores que levam os trabalhadores até o coração da usina. Hoje, dois - com capacidade cada para 25 pessoas -, leva os profissionais até o local de trabalho. Em contraponto, apenas um - com capacidade para dez operários, realiza o sistema de volta. "É preciso se pensar nisso; em como seriam removidas essas pessoas rapidamente em caso de inconsistência operacional que necessite a retirada imediata de todos os trabalhadores. Precisamos dessas informações gerais justamente para repassar aos trabalhadores que também seguem sem ter conhecimento", concluiu.
Sobre a empresa - A Mosaic é uma das maiores empresas do mundo em produção e comercialização de fosfato e potássio combinados, tendo como objetivo transformar de forma harmoniosa e responsável as riquezas do solo em desenvolvimento sustentável. No Brasil atua na produção, importação, comercialização e distribuição de fertilizantes para aplicação em diversas culturas agrícolas, além do desenvolvimento de produtos para nutrição animal e comercialização de produtos industriais. Com sede nacional em São Paulo (SP), a Mosaic Fertilizantes tem unidades próprias e contratadas em diferentes estados brasileiros e no Paraguai. Possui ainda seis minas de fosfato e uma de potássio no Brasil.
A empresa conta também com cerca de oito mil funcionários próprios e atende mais de 5.500 clientes. Na tarde de ontem buscamos ouvir a empresa sobre os pleitos apresentados pelo Sindimina, mas até o início da noite não houve resposta ao JORNAL DO DIA.

Milton Alves Júnior

Com o mínimo de in formações atualiza das sobre a Usina Taquari Vassouras, no município sergipano de Rosário do Catete, trabalhadores da unidade e gestores do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Prospecção, Pesquisa, Extração e Beneficiamento de Minérios dos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Piauí (Sindimina), acionaram o grupo Mosaic Fertilizantes - responsável pela usina -, a fim de obter um relatório minucioso sobre as ações de prevenção à acidentes as quais foram realizadas desde janeiro do ano passado, quando o grupo assumiu a operação industrial no lugar da Vale Fertilizantes. Esta unidade foi erguida no final da década de 70 pelo Grupo Odebrecht, e desde então o sindicato não possui informações quanto as manutenções aplicadas.
O relatório reivindicado oficialmente na semana passada deve transparecer ainda o projeto de evacuação e as rotas de fugas em caso de inundações, mecanismos de resgate aos profissionais ilhados por saídas obstruídas, bem como o volume de água que o local dispõe. Apontando a necessidade desse relatório apenas como forma de conhecimento, e não de propagação de pânico, o sindicato reconhece não saber, por exemplo, em caso de acidente com maior escala de gravidade, quanto tempo seria necessário para retirar todos os 130 profissionais  que atuam na usina. O mesmo ofício apresentado à Mosaic também foi compartilhado junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), e a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Sergipe (SRTE).
Esta não é a primeira vez que o Sindimina se dirige à direção da Mosaic para solicitar informações de interesse coletivo. Em 28 de junho foi encaminhado um ofício solicitando uma reunião para tratar do acidente ocorrido em 22 de maio no Poço 2 da Mina. Cinco dias depois, houve um novo pedido, desta vez reivindicando a imediata interdição do Skip de Transporte de Pessoal e de Insumos do Poço 2. No dia 06 de julho um documento de número 096/2018 alertava sobre o funcionamento irregular do Skip de Transporte de Pessoal e de Insumos do Poço 2 da Mina. Por fim, no dia 10, também de julho, o sindicato pedia à Mosaic Fertilizantes, adoção de providências visando à segurança dos trabalhadores que utilizam o Skip de Transporte de Pessoal e de Insumos do Poço 2 da Mina.

Sem resposta - Nenhuma dos ofícios apresentados foram respondidos. Neste novo documento compartilhado ainda com o Ministério Público Estadual (MPE), o sindicato acredita que terá resposta. O ofício foi protocolado no início da semana passada, mas até o final da tarde de ontem não havia sido respondido. De acordo com Álvaro Luiz da Silva, presidente do Sindimina Sergipe, é preciso destacar que os moradores imediatos - os quais residem nas proximidades da usina -, não precisam se preocupar já que não existem riscos de catástrofes internas da mina atingirem a população. O foco dessa ação é apenas obter conhecimento dos fatos e evitar que os trabalhadores sejam atingidos em caso de inundações provocadas pelo 'rio subterrâneo'.
"Estamos falando de uma usina que foi erguida na década de 70, quando a vedação para perfuração da mina foi feita pela Odebrecht. Depois do susto e tragédia envolvendo os casos de do pimento em Mariana e Brumadinho, estamos todos mais preocupados com as rotas de fuga em caso de sinistro. Esperamos que, também em virtude dessas tragédias em Minas Gerais, a Mosaic esteja mais transparente nas ações e responda nosso ofício, já que nenhum do ano passado nenhum foi atendido", disse. Sobre o compartilhamento do ofício 019/2019, datado em 14 de fevereiro deste ano, junto aos órgãos estatuais e federais de fiscalização, o Sindimina disse tratar de uma medida protetiva, quando os órgãos devem se manter atualizados sobre a operação realizada na Usina Taquari Vassouras.
"São medidas de precaução, proteção e orientação. Não existe a perspectiva de embate com a empresa, apenas o desejo unificado de obtermos informações gerais sobre a usina", declarou. Um ponto destacado pelo sindicalista gira em torno dos elevadores que levam os trabalhadores até o coração da usina. Hoje, dois - com capacidade cada para 25 pessoas -, leva os profissionais até o local de trabalho. Em contraponto, apenas um - com capacidade para dez operários, realiza o sistema de volta. "É preciso se pensar nisso; em como seriam removidas essas pessoas rapidamente em caso de inconsistência operacional que necessite a retirada imediata de todos os trabalhadores. Precisamos dessas informações gerais justamente para repassar aos trabalhadores que também seguem sem ter conhecimento", concluiu.

Sobre a empresa - A Mosaic é uma das maiores empresas do mundo em produção e comercialização de fosfato e potássio combinados, tendo como objetivo transformar de forma harmoniosa e responsável as riquezas do solo em desenvolvimento sustentável. No Brasil atua na produção, importação, comercialização e distribuição de fertilizantes para aplicação em diversas culturas agrícolas, além do desenvolvimento de produtos para nutrição animal e comercialização de produtos industriais. Com sede nacional em São Paulo (SP), a Mosaic Fertilizantes tem unidades próprias e contratadas em diferentes estados brasileiros e no Paraguai. Possui ainda seis minas de fosfato e uma de potássio no Brasil.
A empresa conta também com cerca de oito mil funcionários próprios e atende mais de 5.500 clientes. Na tarde de ontem buscamos ouvir a empresa sobre os pleitos apresentados pelo Sindimina, mas até o início da noite não houve resposta ao JORNAL DO DIA.