Pau mandado

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Publicada em 01/03/2019 às 23:10:00

 

Sérgio Moro largou a magistratu-
ra e mudou de mala e cuia para a 
Esplanada dos Ministérios, certo de ter em mãos uma carta branca assinada de próprio punho pelo presidente Jair Bolsonaro. O seu objetivo declarado era promover uma agenda rigorosa de combate à corrupção. Hoje, obrigado a assumir o ônus de uma decisão impensada, descobre que promessa em boca de político não vale nem um tostão furado.
O superministro da Justiça talvez tenha orientado as próprias decisões pelas melhores intenções do mundo. Mas, em realidade, tem um poder de fogo muito limitado. Depois de fazer coro à ladainha armamentista do presidente e de minimizar os efeitos perversos do crime de Caixa 2, ele foi obrigado a revogar a nomeação de uma especialista, indicada para a suplência de um simples Conselho. Moro é um pau mandado.
Nos regimes presidenciais, resguardados os limites constitucionais, só quem manda e desmanda é o presidente. Não bastasse a convivência forçada com os personagens a quem perseguia como juiz federal, a começar pela família Bolsonaro, acusada de manter relações muito suspeitas com milicianos públicos e notórios, Moro ainda foi desautorizado pelo presidente. Basta um telefonema para o ministro voltar atrás.
O paladino do combate à corrupção está num mato sem cachorro. Ainda é cedo para julgar a extensão e eficácia das medidas propostas por Moro na vida concreta dos brasileiros. É impossível afirmar com certeza absoluta, por exemplo, em que medida elas podem colocar alguma espécie de limite na atuação das milícias e o crime organizado. Os constrangimentos sofridos publicamente, no entanto, são desde já um fato.

Sérgio Moro largou a magistratu- ra e mudou de mala e cuia para a  Esplanada dos Ministérios, certo de ter em mãos uma carta branca assinada de próprio punho pelo presidente Jair Bolsonaro. O seu objetivo declarado era promover uma agenda rigorosa de combate à corrupção. Hoje, obrigado a assumir o ônus de uma decisão impensada, descobre que promessa em boca de político não vale nem um tostão furado.
O superministro da Justiça talvez tenha orientado as próprias decisões pelas melhores intenções do mundo. Mas, em realidade, tem um poder de fogo muito limitado. Depois de fazer coro à ladainha armamentista do presidente e de minimizar os efeitos perversos do crime de Caixa 2, ele foi obrigado a revogar a nomeação de uma especialista, indicada para a suplência de um simples Conselho. Moro é um pau mandado.
Nos regimes presidenciais, resguardados os limites constitucionais, só quem manda e desmanda é o presidente. Não bastasse a convivência forçada com os personagens a quem perseguia como juiz federal, a começar pela família Bolsonaro, acusada de manter relações muito suspeitas com milicianos públicos e notórios, Moro ainda foi desautorizado pelo presidente. Basta um telefonema para o ministro voltar atrás.
O paladino do combate à corrupção está num mato sem cachorro. Ainda é cedo para julgar a extensão e eficácia das medidas propostas por Moro na vida concreta dos brasileiros. É impossível afirmar com certeza absoluta, por exemplo, em que medida elas podem colocar alguma espécie de limite na atuação das milícias e o crime organizado. Os constrangimentos sofridos publicamente, no entanto, são desde já um fato.