SSP vai substituir Plantonistas por uma Central de Flagrantes

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A desativação da plantonista sul gerou protestos de moradores e policiais
A desativação da plantonista sul gerou protestos de moradores e policiais

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Publicada em 08/03/2019 às 07:30:00

 

Gabriel Damásio
Uma decisão tomada 
pela Secretaria da 
Segurança Pública (SSP) gerou polêmicas e dúvidas até mesmo dentro da Polícia Civil. A partir do próximo dia 18, a 4ª Delegacia Metropolitana (4ª DM), no conjunto Augusto Franco (zona sul de Aracaju) deixará de funcionar como Delegacia Plantonista Sul e terá o seu atendimento noturno transferido para uma Central de Flagrantes. Esta unidade será criada na estrutura da 3ª DM, no Santos Dumont (zona norte), onde atualmente funciona a Delegacia Plantonista Norte - que também será substituída. A Central será uma delegacia que funcionará exclusivamente para registrar e processar as prisões em flagrantes ou cumprimentos de mandados pelas polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal, bem como as guardas municipais. 
Segundo a coordenadora de Polícia da Capital, delegada Viviane Pessoa, a mudança é baseada em estudos e planejamentos que já vinham sendo feitos para reorganizar o atendimento e o trabalho diário das delegacias de polícia na Grande Aracaju, além de ser baseada em experiências adotadas pelas polícias civis em outras capitais, como Maceió (AL), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Curitiba (PR), Goiânia (GO) e Brasília (DF). Uma primeira experiência foi realizada nos últimos dias, quando a 3ª DM concentrou o atendimento das guarnições policiais de serviço em toda a capital durante as tardes. O resultado foi considerado positivo. Agora, em seu funcionamento definitivo, a Central de Flagrantes vai funcionar como plantonista, 24 horas em todos os dias da semana.
Viviane ressaltou que o objetivo é fazer com que as equipes das delegacias de bairro ganhem tempo e energia para se concentrar nas investigações de crimes e no andamento de inquéritos policiais. "Quando a gente monta uma central 24 horas para atender guarnições das forças de segurança, podemos liberar as delegacias de áreas desse atendimento de flagrantes para que elas se dediquem às investigações nas regiões a elas atribuídas. Nos casos de furto, roubo e pequenos tráficos, muitas vezes as equipes ficam comprometidas porque têm que parar o trabalho delas e fazer as prisões em flagrante. E agora, elas vão ficar livres para dar uma resposta melhor à sociedade", disse a delegada, em entrevista à rádio CBN. 
Outra vantagem apontada pela coordenadora é que a Central de Flagrantes pode diminuir o tempo levado pelas equipes de policiamento ostensivo para permanecer nas delegacias e apresentar os flagrantes. Em geral, os militares e guardas precisam permanecer nas unidades com os presos para prestar depoimentos e preencher relatórios, muitas vezes para um único escrivão ou agente de plantão, o que pode levar horas. Para Viviane, este tempo será diminuído com a concentração de equipes e a distribuição de tarefas e espaços no único local. "Em algumas situações, você tinha uma demanda alta em uma unidade e nenhuma demanda em outra, e represava aquelas guarnições que estavam aguardando. Se você coloca as equipes em um único espaço, você distribui esse trabalho e dá mais agilidade para que as guarnições voltem mais rápido às suas áreas", explica ela. 
Queixas - A mudança das duas Plantonistas para a única Central de Flagrantes também gerou críticas. A primeira reação foi dos delegados de polícia lotados na Plantonista Sul: seis dos sete que compõem a equipe entregaram seus cargos à Delegacia Geral e pediram transferência de unidade, em protesto contra a desativação da 4ª DM como plantonista. A Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe (Adepol), considerou que a medida é um "retrocesso" e foi tomada "de improviso", podendo gerar mais transtornos para as vítimas de violência. 
"Como é que um cidadão que mora no bairro Mosqueiro vai se deslocar até o Santos Dumont pra registrar o boletim de ocorrência de um assalto sofrido dentro do ônibus? Ou de um simples roubo de celular? O que vai acontecer? Uma redução do registro das ocorrências, e não do crime. No ano passado, nós tivemos mais de mil autos de prisão em flagrante na Plantonista Sul, e mais de mil na Plantonista Norte. Aí, a direção da Policia Civil decide colocar toda essa demanda em uma única estrutura. É claro que isso aí vai ter repercussão", criticou o delegado Robério Santiago, vice-presidente da Adepol. Ele também se referiu à possível sobrecarga de trabalho para os servidores lotados na Central, com a concentração das equipes policiais na unidade. 
Santiago avalia que a medida mais correta seria a melhoria da estrutura da Plantonista Sul e a criação de outras duas Delegacias Plantonistas, sendo uma no Centro da cidade e outra que seria instalada em Nossa Senhora do Socorro ou na Zona de Expansão. Esta ideia constava em um projeto original de criação das Plantonistas, criado em 2016, durante a gestão do então delegado-geral Alessandro Vieira (hoje senador). "A intenção era aproximar a população da polícia, o que foi visto com bons olhos. O que a Adepol defende é uma ampliação deste projeto", disse ele. 
A coordenadora da Copcal disse ontem que está conversando com todos os órgãos e entidades envolvidos na implantação da Central, incluindo a Adepol, o Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis) e a Polícia Militar, buscando sanar dúvidas e ouvir sugestões. Ela já garantiu que o efetivo de servidores lotados na nova unidade será ampliado e que uma coordenação exclusiva será criada para garantir seu funcionamento e resolver eventuais problemas. "O que posso dizer à população é que não haverá perda alguma. Quem mora no Augusto Franco ou no Orlando Dantas vai continuar contando com a 4ª DM, mesmo funcionando em horário de expediente. O que estamos fazendo é otimizando o trabalho da polícia em uma estrutura adequada para atender melhor à população", afirmou. 

Gabriel Damásio

Uma decisão tomada  pela Secretaria da  Segurança Pública (SSP) gerou polêmicas e dúvidas até mesmo dentro da Polícia Civil. A partir do próximo dia 18, a 4ª Delegacia Metropolitana (4ª DM), no conjunto Augusto Franco (zona sul de Aracaju) deixará de funcionar como Delegacia Plantonista Sul e terá o seu atendimento noturno transferido para uma Central de Flagrantes. Esta unidade será criada na estrutura da 3ª DM, no Santos Dumont (zona norte), onde atualmente funciona a Delegacia Plantonista Norte - que também será substituída. A Central será uma delegacia que funcionará exclusivamente para registrar e processar as prisões em flagrantes ou cumprimentos de mandados pelas polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal, bem como as guardas municipais. 
Segundo a coordenadora de Polícia da Capital, delegada Viviane Pessoa, a mudança é baseada em estudos e planejamentos que já vinham sendo feitos para reorganizar o atendimento e o trabalho diário das delegacias de polícia na Grande Aracaju, além de ser baseada em experiências adotadas pelas polícias civis em outras capitais, como Maceió (AL), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Curitiba (PR), Goiânia (GO) e Brasília (DF). Uma primeira experiência foi realizada nos últimos dias, quando a 3ª DM concentrou o atendimento das guarnições policiais de serviço em toda a capital durante as tardes. O resultado foi considerado positivo. Agora, em seu funcionamento definitivo, a Central de Flagrantes vai funcionar como plantonista, 24 horas em todos os dias da semana.
Viviane ressaltou que o objetivo é fazer com que as equipes das delegacias de bairro ganhem tempo e energia para se concentrar nas investigações de crimes e no andamento de inquéritos policiais. "Quando a gente monta uma central 24 horas para atender guarnições das forças de segurança, podemos liberar as delegacias de áreas desse atendimento de flagrantes para que elas se dediquem às investigações nas regiões a elas atribuídas. Nos casos de furto, roubo e pequenos tráficos, muitas vezes as equipes ficam comprometidas porque têm que parar o trabalho delas e fazer as prisões em flagrante. E agora, elas vão ficar livres para dar uma resposta melhor à sociedade", disse a delegada, em entrevista à rádio CBN. 
Outra vantagem apontada pela coordenadora é que a Central de Flagrantes pode diminuir o tempo levado pelas equipes de policiamento ostensivo para permanecer nas delegacias e apresentar os flagrantes. Em geral, os militares e guardas precisam permanecer nas unidades com os presos para prestar depoimentos e preencher relatórios, muitas vezes para um único escrivão ou agente de plantão, o que pode levar horas. Para Viviane, este tempo será diminuído com a concentração de equipes e a distribuição de tarefas e espaços no único local. "Em algumas situações, você tinha uma demanda alta em uma unidade e nenhuma demanda em outra, e represava aquelas guarnições que estavam aguardando. Se você coloca as equipes em um único espaço, você distribui esse trabalho e dá mais agilidade para que as guarnições voltem mais rápido às suas áreas", explica ela. 

Queixas - A mudança das duas Plantonistas para a única Central de Flagrantes também gerou críticas. A primeira reação foi dos delegados de polícia lotados na Plantonista Sul: seis dos sete que compõem a equipe entregaram seus cargos à Delegacia Geral e pediram transferência de unidade, em protesto contra a desativação da 4ª DM como plantonista. A Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe (Adepol), considerou que a medida é um "retrocesso" e foi tomada "de improviso", podendo gerar mais transtornos para as vítimas de violência. 
"Como é que um cidadão que mora no bairro Mosqueiro vai se deslocar até o Santos Dumont pra registrar o boletim de ocorrência de um assalto sofrido dentro do ônibus? Ou de um simples roubo de celular? O que vai acontecer? Uma redução do registro das ocorrências, e não do crime. No ano passado, nós tivemos mais de mil autos de prisão em flagrante na Plantonista Sul, e mais de mil na Plantonista Norte. Aí, a direção da Policia Civil decide colocar toda essa demanda em uma única estrutura. É claro que isso aí vai ter repercussão", criticou o delegado Robério Santiago, vice-presidente da Adepol. Ele também se referiu à possível sobrecarga de trabalho para os servidores lotados na Central, com a concentração das equipes policiais na unidade. 
Santiago avalia que a medida mais correta seria a melhoria da estrutura da Plantonista Sul e a criação de outras duas Delegacias Plantonistas, sendo uma no Centro da cidade e outra que seria instalada em Nossa Senhora do Socorro ou na Zona de Expansão. Esta ideia constava em um projeto original de criação das Plantonistas, criado em 2016, durante a gestão do então delegado-geral Alessandro Vieira (hoje senador). "A intenção era aproximar a população da polícia, o que foi visto com bons olhos. O que a Adepol defende é uma ampliação deste projeto", disse ele. 
A coordenadora da Copcal disse ontem que está conversando com todos os órgãos e entidades envolvidos na implantação da Central, incluindo a Adepol, o Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis) e a Polícia Militar, buscando sanar dúvidas e ouvir sugestões. Ela já garantiu que o efetivo de servidores lotados na nova unidade será ampliado e que uma coordenação exclusiva será criada para garantir seu funcionamento e resolver eventuais problemas. "O que posso dizer à população é que não haverá perda alguma. Quem mora no Augusto Franco ou no Orlando Dantas vai continuar contando com a 4ª DM, mesmo funcionando em horário de expediente. O que estamos fazendo é otimizando o trabalho da polícia em uma estrutura adequada para atender melhor à população", afirmou.