Mulheres do Baixo São Francisco superam a pobreza com artesanato da palha do ouricuri

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O trabalho realizado pelas mulheres
O trabalho realizado pelas mulheres

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Publicada em 12/03/2019 às 06:21:00

 

Um grupo de mulheres 
artesãs de baixa renda 
familiar, moradoras de uma vila operária no município de Neópolis, é exemplo de superação num cenário de aparente falta de oportunidades. Elas formaram a Associação Artesanal Formiguinhas em Ação, que tem como principal produto o artesanato produzido com a folha da palmeira do ouricuri. Com a ajuda de parcerias, transformaram a atividade manual em um verdadeiro empreendimento e foram além: geraram renda sem impacto ambiental negativo.
O trajeto do grupo teve sua primeira fase entre 2002 e 2005, com produção informal. Entre 2005 e 2016 elas aprenderam noções de mercado, aperfeiçoaram seus produtos e formalizaram a Associação, com apoio do Sebrae. A partir de 2017, com a intervenção do Projeto Dom Távora, financiado pelo governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e com recursos do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), foi finalmente possível agregar máquinas e equipamentos para elevar a produção, aumentar o número de participantes do grupo produtivo para 22 artesãs, e ampliar a diversificação dos produtos.
 "Enquanto nossos maridos estavam na fábrica de tecelagem, nós ficávamos em casa sem perspectiva pessoal nenhuma", conta Rubenice Pereira de Santana, uma das fundadoras da associação. ELa conta que o grupo surgiu há 15 anos, quando quatro moradoras da Vila Operária Passagem bordavam tiras de havaianas com miçangas para revenda e recebiam R$ 0,50 por sandália. Depois passaram elas mesmas a bordá-las e vendê-las na feira livre do município. Cansadas dessa rotina, decidiram que era chegada a hora de dar novo rumo às suas vidas. Aprenderam a produzir profissionalmente o artesanato com a palha do ouricuri, planta abundante na região.
No início foram buscar empréstimo no Banco do Nordeste e qualificação no trançado da palha de ouricuri com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Sabiam então fazer cestos, calcular seu preço, comercializar - e seus produtos começaram a mofar no inverno. Com alunos de Química da Universidade Federal de Sergipe, aprenderam a preparar a palha para ficar resistente a fungos, valorizando a qualidade dos seus produtos.
O grupo de mulheres foi crescendo e, em 2007, elas formaram a Associação Artesanal Formiguinhas em Ação, cuja presidente, Alexsandra da Silva, explica a origem do nome. "Nos inspiramos na fábula das formigas que trabalham cooperando umas com as outras no verão, para terem reserva de alimentos no inverno. Também tem a ver com a colheita: no inverno não tem como fazer a secagem da palha. Por isso temos que fazer um estoque no verão, igual às formiguinhas", revela.
 Matéria-prima - A principal matéria prima deste artesanato vem da natureza - a folha da palmeira ouricuri. Para evitar dano ambiental, o grupo adotou como princípio o extrativismo sustentável da palha, para não causar morte prematura da planta e a consequente extinção da espécie. As artesãs retiram apenas uma folha nova por planta, com uma coleta por ano na mesma planta, além de fazerem alternância entre as áreas de coleta. Com essas medidas, preservam cerca de 600 plantas por ano, uma vez que retiram 100 palhas - o equivalente ao número de plantas para as seis coletas anuais. Outro fator que contribui com a sustentabilidade é a diversificação do artesanato, de modo que um número cada vez maior de plantas pode ser preservado.

Um grupo de mulheres  artesãs de baixa renda  familiar, moradoras de uma vila operária no município de Neópolis, é exemplo de superação num cenário de aparente falta de oportunidades. Elas formaram a Associação Artesanal Formiguinhas em Ação, que tem como principal produto o artesanato produzido com a folha da palmeira do ouricuri. Com a ajuda de parcerias, transformaram a atividade manual em um verdadeiro empreendimento e foram além: geraram renda sem impacto ambiental negativo.
O trajeto do grupo teve sua primeira fase entre 2002 e 2005, com produção informal. Entre 2005 e 2016 elas aprenderam noções de mercado, aperfeiçoaram seus produtos e formalizaram a Associação, com apoio do Sebrae. A partir de 2017, com a intervenção do Projeto Dom Távora, financiado pelo governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e com recursos do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), foi finalmente possível agregar máquinas e equipamentos para elevar a produção, aumentar o número de participantes do grupo produtivo para 22 artesãs, e ampliar a diversificação dos produtos.
 "Enquanto nossos maridos estavam na fábrica de tecelagem, nós ficávamos em casa sem perspectiva pessoal nenhuma", conta Rubenice Pereira de Santana, uma das fundadoras da associação. ELa conta que o grupo surgiu há 15 anos, quando quatro moradoras da Vila Operária Passagem bordavam tiras de havaianas com miçangas para revenda e recebiam R$ 0,50 por sandália. Depois passaram elas mesmas a bordá-las e vendê-las na feira livre do município. Cansadas dessa rotina, decidiram que era chegada a hora de dar novo rumo às suas vidas. Aprenderam a produzir profissionalmente o artesanato com a palha do ouricuri, planta abundante na região.
No início foram buscar empréstimo no Banco do Nordeste e qualificação no trançado da palha de ouricuri com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Sabiam então fazer cestos, calcular seu preço, comercializar - e seus produtos começaram a mofar no inverno. Com alunos de Química da Universidade Federal de Sergipe, aprenderam a preparar a palha para ficar resistente a fungos, valorizando a qualidade dos seus produtos.
O grupo de mulheres foi crescendo e, em 2007, elas formaram a Associação Artesanal Formiguinhas em Ação, cuja presidente, Alexsandra da Silva, explica a origem do nome. "Nos inspiramos na fábula das formigas que trabalham cooperando umas com as outras no verão, para terem reserva de alimentos no inverno. Também tem a ver com a colheita: no inverno não tem como fazer a secagem da palha. Por isso temos que fazer um estoque no verão, igual às formiguinhas", revela.

 Matéria-prima - A principal matéria prima deste artesanato vem da natureza - a folha da palmeira ouricuri. Para evitar dano ambiental, o grupo adotou como princípio o extrativismo sustentável da palha, para não causar morte prematura da planta e a consequente extinção da espécie. As artesãs retiram apenas uma folha nova por planta, com uma coleta por ano na mesma planta, além de fazerem alternância entre as áreas de coleta. Com essas medidas, preservam cerca de 600 plantas por ano, uma vez que retiram 100 palhas - o equivalente ao número de plantas para as seis coletas anuais. Outro fator que contribui com a sustentabilidade é a diversificação do artesanato, de modo que um número cada vez maior de plantas pode ser preservado.