Sergipanidade, para uns e outros

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Falta-lhe expertise para gerir a Cultura sergipana
Falta-lhe expertise para gerir a Cultura sergipana

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Publicada em 13/03/2019 às 06:11:00

 

Rian santos
riansantos@jornaldodiase.com.br 
Os poetas ruins não 
perdem um recital 
por nada. Há, no tom pomposo de tais reuniões, algo de solene que sempre lhes atrai. Ninguém nunca soube de Drummond declamando versos com toda a força dos pulmões para entreter quem fosse. Um autor de província, ao contrário, aceita a atenção duvidosa dos bocejos aborrecidos de muito bom grado.
Assim, nada mais natural do que convidar poetas rasos para se derramar em gestos largos no Palácio Museu Olímpio Campos, a fim de celebrar o aniversário de Aracaju. No que diz respeito a Conceição Vieira, à frente da Fundação de Cultura e Arte Aperipê, sergipanidade é isso mesmo: uma cerimônia chata, laudatória, pretexto para mesuras e rapapés. 
Conceição Vieira pensa igualzinho a todos os cidadãos privados de convivência com a arte realizada aqui e agora, em plena aldeia Serigy. Enquanto a juventude reivindica a ocupação criativa das ruas da cidade, doida para fazer e acontecer, gestores de cabelos brancos se trancam entre quatro paredes, apegados a verdades caducas. E se recusam a espiar pelas janelas.  
Fosse diferente, Conceição Vieira já teria se abalado até as alturas da Caixa D'água, pintando o diabo no Centro de Criatividade. De outro modo, a galeria J Inácio,  improvisada na Biblioteca Epifânio Dória, estaria de portas abertas para os artistas visuais sergipanos. Em um mundo ideal, os teatros Atheneu e Lourival Baptista teriam uma agenda de espetáculos locais regular, um palco sempre a disposição para atores, diretores e músicos se esgoelarem.
Ninguém em sã consciência tem motivos para duvidar das boas intenções de Conceição Vieira. Ela recebeu uma missão do governador Belivaldo Chagas e faz de tudo para não faltar com a palavra empenhada.  Tudo indica, por exemplo, que o Palácio Museu Olímpio Campos enche os seus olhos. De fato, a arquitetura do prédio e a sua localização estratégica poderiam se prestar à revitalização do Centro da cidade. Infelizmente, no entanto, falta-lhe expertise para gerir a cultura local. Sem pulsão de vida, impossível despertar a tal sergipanidade.

Os poetas ruins não  perdem um recital  por nada. Há, no tom pomposo de tais reuniões, algo de solene que sempre lhes atrai. Ninguém nunca soube de Drummond declamando versos com toda a força dos pulmões para entreter quem fosse. Um autor de província, ao contrário, aceita a atenção duvidosa dos bocejos aborrecidos de muito bom grado.
Assim, nada mais natural do que convidar poetas rasos para se derramar em gestos largos no Palácio Museu Olímpio Campos, a fim de celebrar o aniversário de Aracaju. No que diz respeito a Conceição Vieira, à frente da Fundação de Cultura e Arte Aperipê, sergipanidade é isso mesmo: uma cerimônia chata, laudatória, pretexto para mesuras e rapapés. 
Conceição Vieira pensa igualzinho a todos os cidadãos privados de convivência com a arte realizada aqui e agora, em plena aldeia Serigy. Enquanto a juventude reivindica a ocupação criativa das ruas da cidade, doida para fazer e acontecer, gestores de cabelos brancos se trancam entre quatro paredes, apegados a verdades caducas. E se recusam a espiar pelas janelas.  
Fosse diferente, Conceição Vieira já teria se abalado até as alturas da Caixa D'água, pintando o diabo no Centro de Criatividade. De outro modo, a galeria J Inácio,  improvisada na Biblioteca Epifânio Dória, estaria de portas abertas para os artistas visuais sergipanos. Em um mundo ideal, os teatros Atheneu e Lourival Baptista teriam uma agenda de espetáculos locais regular, um palco sempre a disposição para atores, diretores e músicos se esgoelarem.
Ninguém em sã consciência tem motivos para duvidar das boas intenções de Conceição Vieira. Ela recebeu uma missão do governador Belivaldo Chagas e faz de tudo para não faltar com a palavra empenhada.  Tudo indica, por exemplo, que o Palácio Museu Olímpio Campos enche os seus olhos. De fato, a arquitetura do prédio e a sua localização estratégica poderiam se prestar à revitalização do Centro da cidade. Infelizmente, no entanto, falta-lhe expertise para gerir a cultura local. Sem pulsão de vida, impossível despertar a tal sergipanidade.