Palhaço de um circo sem futuro

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Publicada em 14/03/2019 às 06:07:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O ator José de Abreu 
protagonizou a pa-
ródia mais sem graça de que se tem notícia, em muito tempo. Fala-se, claro, da performance na qual o dito cujo se declarou presidente do Brasil. Para surpresa dos lúcidos, boa parte da esquerda tupiniquim encampou a pantomina, pouco se importando com as implicações humanitárias da farsa. Ao invés de considerar os percalços enfrentados pelo povo da Venezuela, esmagado pelos coturnos de Maduro, os progressistas preferiram se ater às manobras do imperialismo ianque.
Quem leu Pedro Juan Gutiérrez não cai em uma esparrela dessas. Filho de Cuba, o escritor jamais arredou pé da ilha, nem no momento mais difícil, quando faltou tudo, até comida e rum. Pedro Juan tem lugar de fala garantido no assunto, comeu o pão que o diabo amassou, mas jamais empregou sequer uma vírgula para defender as mordomias do regime de Fidel e o legado da revolução.
'A trilogia suja de Havana', o seu livro mais conhecido, traduzido em diversas línguas, mundo afora, realizou um relato cru, em primeira pessoa, a respeito da sobrevivência em Cuba nos anos de embargo econômico. Em tais páginas, escritas sem nenhum romantismo ou retoque, a perspectiva é sempre a mais ordinária possível, a dos ocupantes do andar de baixo.
Abunda na obra do escritor cubano o que falta à esquerda verde e amarela, muito atenta às disputas partidárias, satisfeita com o papel de palhaço em um circo sem futuro. Para Pedro Juan Gutiérrez, a retórica política é quase uma abstração. Ele se importa mesmo é com as pessoas de carne e osso, famintas de amor e de verdade.
Nota à margem: depois que José de Abreu "nomeou" Marielle Franco como sua primeira dama, ela que era lésbica, parte da esquerda despertou do torpor em que mergulhou desde as jornadas de junho. Segundo as feministas, por exemplo, o ator teria ido longe demais. Ainda hoje, no entanto, ele toca a brincadeira no Twitter, como um macaco que não olha o próprio rabo, e posa todo garboso com uma faixa presidencial.

O ator José de Abreu  protagonizou a pa- ródia mais sem graça de que se tem notícia, em muito tempo. Fala-se, claro, da performance na qual o dito cujo se declarou presidente do Brasil. Para surpresa dos lúcidos, boa parte da esquerda tupiniquim encampou a pantomina, pouco se importando com as implicações humanitárias da farsa. Ao invés de considerar os percalços enfrentados pelo povo da Venezuela, esmagado pelos coturnos de Maduro, os progressistas preferiram se ater às manobras do imperialismo ianque.
Quem leu Pedro Juan Gutiérrez não cai em uma esparrela dessas. Filho de Cuba, o escritor jamais arredou pé da ilha, nem no momento mais difícil, quando faltou tudo, até comida e rum. Pedro Juan tem lugar de fala garantido no assunto, comeu o pão que o diabo amassou, mas jamais empregou sequer uma vírgula para defender as mordomias do regime de Fidel e o legado da revolução.
'A trilogia suja de Havana', o seu livro mais conhecido, traduzido em diversas línguas, mundo afora, realizou um relato cru, em primeira pessoa, a respeito da sobrevivência em Cuba nos anos de embargo econômico. Em tais páginas, escritas sem nenhum romantismo ou retoque, a perspectiva é sempre a mais ordinária possível, a dos ocupantes do andar de baixo.
Abunda na obra do escritor cubano o que falta à esquerda verde e amarela, muito atenta às disputas partidárias, satisfeita com o papel de palhaço em um circo sem futuro. Para Pedro Juan Gutiérrez, a retórica política é quase uma abstração. Ele se importa mesmo é com as pessoas de carne e osso, famintas de amor e de verdade.
Nota à margem: depois que José de Abreu "nomeou" Marielle Franco como sua primeira dama, ela que era lésbica, parte da esquerda despertou do torpor em que mergulhou desde as jornadas de junho. Segundo as feministas, por exemplo, o ator teria ido longe demais. Ainda hoje, no entanto, ele toca a brincadeira no Twitter, como um macaco que não olha o próprio rabo, e posa todo garboso com uma faixa presidencial.