O sonho de Augusto Leite pode renascer

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Publicada em 15/03/2019 às 05:55:00

 

* Antonio Samarone
A medicina moderna em Sergipe nasceu com o Hospital de Cirurgia. A chamada medicina científica, filha de Andreas Vesalius, Marie François Xavier Bichat, Rudolf Virchow, Joseph Lister, Robert Koch, Louis Pasteur e Paul Ehrlich chegou à Sergipe pelas mãos de Augusto Leite. O Hospital de Cirurgia foi o seu Templo.
Aí nasceu a Faculdade de Medicina.
O povo pobre de Sergipe teve uma boa assistência hospitalar por mais de cinquenta anos. Depois o Hospital de Cirurgia desandou. O Hospital de Cirurgia caiu em mãos ambiciosas, de politiqueiros, mercadores, negociantes da medicina. O hospital foi saqueado, quase acaba!
Por último, a justiça resolveu intervir, creio que parou a sangria... Mas o mal estava feito. O hospital é um mercado persa, uma federação de empresas. A filantropia e a velha misericórdia jazem há tempos. A boa medicina, centrada no humanismo, respira com dificuldade.
Quando tudo parecia sem jeito, sem alternativas. A providência acendeu uma luz: fui informado, por fonte segura, que Henrique Prata, organizador do Hospital do Câncer de Barretos, pode assumir o Hospital de Cirurgia.
Henrique Prata tem sangue sergipano, e não precisa demonstrar a sua competência. O Hospital do Câncer de Barretos é o melhor Brasil, e só atende SUS. Podemos resolver o mais grave problema da assistência médica em Sergipe: a forma desumana como os pacientes com câncer é tratada.
Espero que não botem dificuldades. O Cirurgia não se resolve com reformas. O câncer lá é avançado. As metástases estão generalizadas. O Cirurgia é um paciente respirando por aparelhos. Jeitinho não resolve! O Hospital de Cirurgia necessita de uma faxina completa, um banho de sal grosso. Recomeçar tudo de novo! Expulsar os vendilhões do Templo!
Que renasçam os espíritos de Augusto Leite, João Garcez, Benjamim Carvalho, Nestor Piva, Juliano Simões, Carlos Melo, Lauro Porto, que voltem as Irmãs de Misericórdia, que o Hospital de Cirurgia volte a atender o povo.
O Hospital de Cirurgia pode ressuscitar.
***
Não deu certo: o Hospital de Cirurgia fica como está! Henrique Prata não enxergou viabilidade. E agora?
* Antônio Samarone, médico sanitarista, é professor da UFS

* Antonio Samarone

A medicina moderna em Sergipe nasceu com o Hospital de Cirurgia. A chamada medicina científica, filha de Andreas Vesalius, Marie François Xavier Bichat, Rudolf Virchow, Joseph Lister, Robert Koch, Louis Pasteur e Paul Ehrlich chegou à Sergipe pelas mãos de Augusto Leite. O Hospital de Cirurgia foi o seu Templo.
Aí nasceu a Faculdade de Medicina.
O povo pobre de Sergipe teve uma boa assistência hospitalar por mais de cinquenta anos. Depois o Hospital de Cirurgia desandou. O Hospital de Cirurgia caiu em mãos ambiciosas, de politiqueiros, mercadores, negociantes da medicina. O hospital foi saqueado, quase acaba!
Por último, a justiça resolveu intervir, creio que parou a sangria... Mas o mal estava feito. O hospital é um mercado persa, uma federação de empresas. A filantropia e a velha misericórdia jazem há tempos. A boa medicina, centrada no humanismo, respira com dificuldade.
Quando tudo parecia sem jeito, sem alternativas. A providência acendeu uma luz: fui informado, por fonte segura, que Henrique Prata, organizador do Hospital do Câncer de Barretos, pode assumir o Hospital de Cirurgia.
Henrique Prata tem sangue sergipano, e não precisa demonstrar a sua competência. O Hospital do Câncer de Barretos é o melhor Brasil, e só atende SUS. Podemos resolver o mais grave problema da assistência médica em Sergipe: a forma desumana como os pacientes com câncer é tratada.
Espero que não botem dificuldades. O Cirurgia não se resolve com reformas. O câncer lá é avançado. As metástases estão generalizadas. O Cirurgia é um paciente respirando por aparelhos. Jeitinho não resolve! O Hospital de Cirurgia necessita de uma faxina completa, um banho de sal grosso. Recomeçar tudo de novo! Expulsar os vendilhões do Templo!
Que renasçam os espíritos de Augusto Leite, João Garcez, Benjamim Carvalho, Nestor Piva, Juliano Simões, Carlos Melo, Lauro Porto, que voltem as Irmãs de Misericórdia, que o Hospital de Cirurgia volte a atender o povo.
O Hospital de Cirurgia pode ressuscitar.

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Não deu certo: o Hospital de Cirurgia fica como está! Henrique Prata não enxergou viabilidade. E agora?

* Antônio Samarone, médico sanitarista, é professor da UFS