O desprestígio da Lei

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Publicada em 15/03/2019 às 05:58:00

 

Apesar da atenção recebida, o massa
cre de Suzano é dos episódios com o 
potencial de levantar mais perguntas do que oferecer respostas. Talvez, o empenho da polícia e as especulações de colegas e familiares dos autores dos disparos jamais esclareçam as motivações por trás do atentado. A única certeza, em casos assim, diz respeito à degradação dos valores  mais caros à própria noção de civilidade.
Faz tempo que as escolas brasileiras foram tomadas pela sensação de insegurança que  predomina nos quatro cantos do país. A multiplicação de casos chocantes, capazes de mobilizar grande clamor popular, tresloucados, terminou por naturalizar o absurdo também em ambiente de ensino. A impressão que fica é de que a única lei em vigor no Brasil é a do salve-se quem puder.
Nada mais perigoso. Mas, neste particular, as autoridades públicas também têm culpa no cartório. É inadmissível, por exemplo, que um crime bárbaro como o assassinato de uma vereadora em pleno gozo de seus direitos, no exercício do cargo, demore mais de um ano para ser devidamente elucidado. Os mandantes do atentado contra Marielle Franco, um caso com todos os indícios de um crime político, no entanto, ainda dormem o sono dos justos, não há nada que os faça crer na possibilidade de algum dia chegarem a ser incomodados.
O massacre de Suzano e o assassinato de Marielle são duas faces da mesma moeda. Embora não tenham relação direta, os dois episódios atestam o desprestígio da Lei em território verde e amarelo, dominado pela milícia e o crime organizado. Não é por acaso que o Brasil elegeu um presidente fissurado na força bruta, que prometeu fuzilar adversários em plena campanha eleitoral, partidário de resolver eventuais diferenças na bala.

Apesar da atenção recebida, o massa cre de Suzano é dos episódios com o  potencial de levantar mais perguntas do que oferecer respostas. Talvez, o empenho da polícia e as especulações de colegas e familiares dos autores dos disparos jamais esclareçam as motivações por trás do atentado. A única certeza, em casos assim, diz respeito à degradação dos valores  mais caros à própria noção de civilidade.
Faz tempo que as escolas brasileiras foram tomadas pela sensação de insegurança que  predomina nos quatro cantos do país. A multiplicação de casos chocantes, capazes de mobilizar grande clamor popular, tresloucados, terminou por naturalizar o absurdo também em ambiente de ensino. A impressão que fica é de que a única lei em vigor no Brasil é a do salve-se quem puder.
Nada mais perigoso. Mas, neste particular, as autoridades públicas também têm culpa no cartório. É inadmissível, por exemplo, que um crime bárbaro como o assassinato de uma vereadora em pleno gozo de seus direitos, no exercício do cargo, demore mais de um ano para ser devidamente elucidado. Os mandantes do atentado contra Marielle Franco, um caso com todos os indícios de um crime político, no entanto, ainda dormem o sono dos justos, não há nada que os faça crer na possibilidade de algum dia chegarem a ser incomodados.
O massacre de Suzano e o assassinato de Marielle são duas faces da mesma moeda. Embora não tenham relação direta, os dois episódios atestam o desprestígio da Lei em território verde e amarelo, dominado pela milícia e o crime organizado. Não é por acaso que o Brasil elegeu um presidente fissurado na força bruta, que prometeu fuzilar adversários em plena campanha eleitoral, partidário de resolver eventuais diferenças na bala.