A flor do mamulengo

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Coração aberto no compasso de um xote
Coração aberto no compasso de um xote

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Publicada em 15/03/2019 às 06:10:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Quando o mês de ju-
nho chegar, vai en-
contrar o coração do trio Crav&roza de portas abertas, batendo no compasso arrastado de um xote. Passado o Carnaval, Bárbara Sandes, Henrique Teles e Lucas Campelo se reúnem mais uma vez em torno da sanfona, ansiosos para acender logo o fogo dos festejos juninos.
Henrique já nos contou essa história. "Quando nos encontramos com o desejo de, simplesmente, cantar o forró, descobrimos que há uma parte de nós enraizada nesse mundo, dessa música nascida e espalhada a partir do Nordeste brasileiro, mas capaz de tocar a alma de qualquer pessoa do planeta. Depois da estreia e de várias apresentações cheias de encantamento e alegria, o repertório cresceu, novos momentos dentro show foram criados e a nossa essência sergipana, nordestina, brasileira está cada vez mais evidente".
Agora, ele explica, a ideia é ressaltar a natureza ecumênica da música, atraindo artistas de todos os gêneros para o terreiro de chão batido do forró. Hoje à noite, por exemplo, o mulherio brilha à frente do palco. Jeca, Tori Nogueira, Raquel Diniz e a dupla Julia e Laura soltam a voz, com muita graça e toda a força dos pulmões. 
"Isto mostra que o forró é parte da história de todos nós e temos muito prazer em cantá-lo".
Henrique também adianta que o show 'A Flor do Mamulengo' inaugura uma temporada de apresentações mensais no Café da Gente, até o mês de junho, a melhor época do ano, quando as ruas ficam cobertas de bandeirolas coloridas e as fogueiras de São João ardem em todas as esquinas da cidade.
Forró em estado de graça - A serenata brejeira do trio Crav&roza devolve uma espécie de pureza fundamental ao cancioneiro nordestino. Se na forma o forró é evocado o tempo inteiro, é na feição, contudo, que o projeto investe com mais felicidade. Leituras íntimas, ancoradas no arfar delicado do acordeon, privilegiam sutilezas melódicas e acentuam a natureza agreste do repertório. As reações variam: Há quem cante junto, quem balance o corpo, mais animado, e há também quem desfrute tudo de olhos fechados.
A fina flor da tradição regional. De Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Flávio José, Elba Ramalho e Trio Nordestino, a João Silva, Pinto do Acordeon, Acioly Neto e Petrúcio Amorim. Mais do que a reverência pura e simples, entretanto, importa ao projeto reanimar a beleza latente em alguns dos versos mais inspirados que pontuam a música brasileira. Nem que seja por força da heresia.
Segundo Henrique Teles, as aproximações realizadas entre o nordeste brasileiro e o resto do mundo se dão de maneira muito natural no repertório da Crav&roza, a partir de nossa própria herança musical. Assim é que uma típica chanson francesa, por exemplo, pode suceder um xote. Do mesmo modo, os arranjos podem revelar acentos musicais essencialmente estranhos a esta seara. Basta que a pesquisa colabore com a sensibilidade evocada pelo projeto. A emoção é a única norma. 
Nenhum artifício, nenhuma firula, nenhum excesso. Voz e sanfona, simplesmente. Sempre a serviço da melodia.
Crav&roza apresenta 'A Flor de Mamulengo' no Café da Gente:
Sexta-feira, 15, às 20 horas, no Museu da Gente Sergipana.

Quando o mês de ju- nho chegar, vai en- contrar o coração do trio Crav&roza de portas abertas, batendo no compasso arrastado de um xote. Passado o Carnaval, Bárbara Sandes, Henrique Teles e Lucas Campelo se reúnem mais uma vez em torno da sanfona, ansiosos para acender logo o fogo dos festejos juninos.
Henrique já nos contou essa história. "Quando nos encontramos com o desejo de, simplesmente, cantar o forró, descobrimos que há uma parte de nós enraizada nesse mundo, dessa música nascida e espalhada a partir do Nordeste brasileiro, mas capaz de tocar a alma de qualquer pessoa do planeta. Depois da estreia e de várias apresentações cheias de encantamento e alegria, o repertório cresceu, novos momentos dentro show foram criados e a nossa essência sergipana, nordestina, brasileira está cada vez mais evidente".
Agora, ele explica, a ideia é ressaltar a natureza ecumênica da música, atraindo artistas de todos os gêneros para o terreiro de chão batido do forró. Hoje à noite, por exemplo, o mulherio brilha à frente do palco. Jeca, Tori Nogueira, Raquel Diniz e a dupla Julia e Laura soltam a voz, com muita graça e toda a força dos pulmões. "Isto mostra que o forró é parte da história de todos nós e temos muito prazer em cantá-lo".
Henrique também adianta que o show 'A Flor do Mamulengo' inaugura uma temporada de apresentações mensais no Café da Gente, até o mês de junho, a melhor época do ano, quando as ruas ficam cobertas de bandeirolas coloridas e as fogueiras de São João ardem em todas as esquinas da cidade.

Forró em estado de graça - A serenata brejeira do trio Crav&roza devolve uma espécie de pureza fundamental ao cancioneiro nordestino. Se na forma o forró é evocado o tempo inteiro, é na feição, contudo, que o projeto investe com mais felicidade. Leituras íntimas, ancoradas no arfar delicado do acordeon, privilegiam sutilezas melódicas e acentuam a natureza agreste do repertório. As reações variam: Há quem cante junto, quem balance o corpo, mais animado, e há também quem desfrute tudo de olhos fechados.
A fina flor da tradição regional. De Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Flávio José, Elba Ramalho e Trio Nordestino, a João Silva, Pinto do Acordeon, Acioly Neto e Petrúcio Amorim. Mais do que a reverência pura e simples, entretanto, importa ao projeto reanimar a beleza latente em alguns dos versos mais inspirados que pontuam a música brasileira. Nem que seja por força da heresia.
Segundo Henrique Teles, as aproximações realizadas entre o nordeste brasileiro e o resto do mundo se dão de maneira muito natural no repertório da Crav&roza, a partir de nossa própria herança musical. Assim é que uma típica chanson francesa, por exemplo, pode suceder um xote. Do mesmo modo, os arranjos podem revelar acentos musicais essencialmente estranhos a esta seara. Basta que a pesquisa colabore com a sensibilidade evocada pelo projeto. A emoção é a única norma. 
Nenhum artifício, nenhuma firula, nenhum excesso. Voz e sanfona, simplesmente. Sempre a serviço da melodia.

Crav&roza apresenta 'A Flor de Mamulengo' no Café da Gente:
Sexta-feira, 15, às 20 horas, no Museu da Gente Sergipana.