Os rios das bacias da Mata Atlântica

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Publicada em 23/03/2019 às 06:21:00

 

A situação de grandes rios brasileiros, como o Tietê (SP) e o Iguaçu (PR), além de pequenos córregos e outros corpos d'água urbanos também está crítica. Os múltiplos usos desordenados que sofrem ao longo de seu curso acabam provocando interferência direta na qualidade d água.
"Estamos percebendo que alguns rios já nascem com problemas. É como se a nossa vida começasse doente. Existem rios que possuem nascentes cristalinas, mas não é isso que nossa sociedade enxerga em seu dia-a-dia", afirma Gustavo Veronesi, coordenador técnico do projeto Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica.
O relatório traz o balanço das análises feitas pelos voluntários da ONG em 103 municípios dos 17 estados da Mata Atlântica. Foram 278 pontos monitorados com 2.066 análises de indicadores internacionais que integram o Índice de Qualidade da Água (IQA), composto na metodologia desenvolvida pela SOS Mata Atlântica por 16 parâmetros físicos, químicos e biológicos. O trabalho foi  realizado por 236 grupos de monitoramento formados por cidadãos representantes de diferentes instituições como escolas, universidades, comunidades tradicionais, ONGs, grupos informais, comunitários, escoteiros, órgãos públicos e empresas.
"Precisamos mudar a relação negativa e de distanciamento da sociedade com os rios. Nossos voluntários são exemplo de pessoas que estabeleceram nova conexão com o corpo d'água de sua região", destaca Romilda Roncatti, coordenadora do projeto Observando os Rios da ONG.
Neste relatório foi possível mensurar pela primeira vez, a evolução dos indicadores de qualidade da água em todos os 17 estados da Mata Atlântica, com base nas análises comparativas dos dados aferidos neste ciclo de monitoramento com o ciclo anterior, considerando os indicadores aferidos em 236 pontos fixos de coleta - e não o total de 278. Os índices regular (78% em 2018; e 75,4% em 2019) e ruim (17,4% em 2018 e 16,9% em 2019) não apresentaram grande diferença. Já os pontos péssimos pularam de 0 para três e os considerados bons de 11 para 15.
"Rios e águas contaminadas são reflexo da ausência de instrumentos eficazes de planejamento, gestão e governança. Refletem a falta de saneamento ambiental, a ineficiência ou falência do modelo adotado, o desrespeito aos direitos humanos e o subdesenvolvimento", afirma Cesar Pegoraro, biólogo e educador ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica.
Para reverter esse caricato e desumano retrato, o trabalho da Fundação SOS Mata Atlântica destaca exemplos de rios, riachos e nascentes que vêm sendo recuperados por suas comunidades, organizações e movimentos que transformam e se engajam na revitalização das águas.
Os 15 pontos de coleta com qualidade de água boa são: três no Espírito Santo (Lagoa dos Monsarás, em Linhares; no córrego Cupido, em Sooretama; e no rio Aribiri, em Vila Velha).  Em Goiás, foram três no município de Água Limpa: rio Piracanjuba; córrego Água Limpa; e no córrego Corumbá. No Mato grosso do Sul, dois pontos em Bonito, no rio Formoso, e no rio Perdido. No Paraná, um ponto no rio Itaqui, em São José dos Pinhais. No Piauí, um ponto em Demerval Lobão, no rio Poti. Dois pontos no Rio Grande do Sul, no rio Rolante. E na cidade de São Paulo, foram três: no afluente da Billings (Parque Shangrilá), afluente do ribeirão Caulim e córrego Alcatrazes (Parque Cordeiro), localizados respectivamente nas sub-bacias Billings-Tamanduateí, Cotia-Guarapiranga e  Pinheiros-Pirapora.
"Para melhorar este índice de qualidade boa, é fundamental que a Política Nacional de Recursos Hídricos seja implementada em todo território nacional, de forma descentralizada e participativa, por meio dos comitês de bacias hidrográficas e com todos os seus instrumentos de gestão funcionando plenamente", afirma Marcelo Naufal, advogado e consultor jurídico da Fundação SOS Mata Atlântica.
Os rios que se mantiveram na condição boa ao longo de anos e continuados ciclos hidrológicos, comprovam a relação direta com a existência da floresta, de matas nativas e as áreas protegidas. O inverso também está demonstrado por meio da perda de qualidade da água, nos indicadores ruim e péssimo obtidos quando se desprotege nascentes, margens de rios e áreas de manancial, com o uso inadequado do solo e o desmatamento.
A precária condição ambiental dos principais rios da Mata Atlântica, essenciais para as atividades humanas, saúde pública e equilíbrio dos ecossistemas, é um alerta para a urgente necessidade de ações voltadas à segurança hídrica no Brasil. Água Limpa para todos é a causa que a Fundação SOS Mata Atlântica e os mais de 3.500 voluntários que realizam este monitoramento apontam para ser incluída na agenda de desenvolvimento do Brasil.

A situação de grandes rios brasileiros, como o Tietê (SP) e o Iguaçu (PR), além de pequenos córregos e outros corpos d'água urbanos também está crítica. Os múltiplos usos desordenados que sofrem ao longo de seu curso acabam provocando interferência direta na qualidade d água.
"Estamos percebendo que alguns rios já nascem com problemas. É como se a nossa vida começasse doente. Existem rios que possuem nascentes cristalinas, mas não é isso que nossa sociedade enxerga em seu dia-a-dia", afirma Gustavo Veronesi, coordenador técnico do projeto Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica.
O relatório traz o balanço das análises feitas pelos voluntários da ONG em 103 municípios dos 17 estados da Mata Atlântica. Foram 278 pontos monitorados com 2.066 análises de indicadores internacionais que integram o Índice de Qualidade da Água (IQA), composto na metodologia desenvolvida pela SOS Mata Atlântica por 16 parâmetros físicos, químicos e biológicos. O trabalho foi  realizado por 236 grupos de monitoramento formados por cidadãos representantes de diferentes instituições como escolas, universidades, comunidades tradicionais, ONGs, grupos informais, comunitários, escoteiros, órgãos públicos e empresas.
"Precisamos mudar a relação negativa e de distanciamento da sociedade com os rios. Nossos voluntários são exemplo de pessoas que estabeleceram nova conexão com o corpo d'água de sua região", destaca Romilda Roncatti, coordenadora do projeto Observando os Rios da ONG.
Neste relatório foi possível mensurar pela primeira vez, a evolução dos indicadores de qualidade da água em todos os 17 estados da Mata Atlântica, com base nas análises comparativas dos dados aferidos neste ciclo de monitoramento com o ciclo anterior, considerando os indicadores aferidos em 236 pontos fixos de coleta - e não o total de 278. Os índices regular (78% em 2018; e 75,4% em 2019) e ruim (17,4% em 2018 e 16,9% em 2019) não apresentaram grande diferença. Já os pontos péssimos pularam de 0 para três e os considerados bons de 11 para 15.
"Rios e águas contaminadas são reflexo da ausência de instrumentos eficazes de planejamento, gestão e governança. Refletem a falta de saneamento ambiental, a ineficiência ou falência do modelo adotado, o desrespeito aos direitos humanos e o subdesenvolvimento", afirma Cesar Pegoraro, biólogo e educador ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica.
Para reverter esse caricato e desumano retrato, o trabalho da Fundação SOS Mata Atlântica destaca exemplos de rios, riachos e nascentes que vêm sendo recuperados por suas comunidades, organizações e movimentos que transformam e se engajam na revitalização das águas.
Os 15 pontos de coleta com qualidade de água boa são: três no Espírito Santo (Lagoa dos Monsarás, em Linhares; no córrego Cupido, em Sooretama; e no rio Aribiri, em Vila Velha).  Em Goiás, foram três no município de Água Limpa: rio Piracanjuba; córrego Água Limpa; e no córrego Corumbá. No Mato grosso do Sul, dois pontos em Bonito, no rio Formoso, e no rio Perdido. No Paraná, um ponto no rio Itaqui, em São José dos Pinhais. No Piauí, um ponto em Demerval Lobão, no rio Poti. Dois pontos no Rio Grande do Sul, no rio Rolante. E na cidade de São Paulo, foram três: no afluente da Billings (Parque Shangrilá), afluente do ribeirão Caulim e córrego Alcatrazes (Parque Cordeiro), localizados respectivamente nas sub-bacias Billings-Tamanduateí, Cotia-Guarapiranga e  Pinheiros-Pirapora.
"Para melhorar este índice de qualidade boa, é fundamental que a Política Nacional de Recursos Hídricos seja implementada em todo território nacional, de forma descentralizada e participativa, por meio dos comitês de bacias hidrográficas e com todos os seus instrumentos de gestão funcionando plenamente", afirma Marcelo Naufal, advogado e consultor jurídico da Fundação SOS Mata Atlântica.
Os rios que se mantiveram na condição boa ao longo de anos e continuados ciclos hidrológicos, comprovam a relação direta com a existência da floresta, de matas nativas e as áreas protegidas. O inverso também está demonstrado por meio da perda de qualidade da água, nos indicadores ruim e péssimo obtidos quando se desprotege nascentes, margens de rios e áreas de manancial, com o uso inadequado do solo e o desmatamento.
A precária condição ambiental dos principais rios da Mata Atlântica, essenciais para as atividades humanas, saúde pública e equilíbrio dos ecossistemas, é um alerta para a urgente necessidade de ações voltadas à segurança hídrica no Brasil. Água Limpa para todos é a causa que a Fundação SOS Mata Atlântica e os mais de 3.500 voluntários que realizam este monitoramento apontam para ser incluída na agenda de desenvolvimento do Brasil.