Rejeitos contaminados da Vale chegam ao rio São Francisco

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Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, a lama do rio Paraopeba, provocada pelo crime ambiental da Vale em Brumadinho já está atingindo as nascentes do São Francisco
Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, a lama do rio Paraopeba, provocada pelo crime ambiental da Vale em Brumadinho já está atingindo as nascentes do São Francisco

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Publicada em 23/03/2019 às 06:22:00

 

SOS Mata Atlântica
A cada dia que passa o 
Brasil agride um pou-
co mais seus rios. Os índices de qualidade dos rios do País, apontam que, um a um, eles vão perdendo lentamente sua capacidade de abrigar vida aquática, de abastecer a população e de promover saúde e lazer para a sociedade. Essa é a principal conclusão do relatório "O retrato da qualidade da água nas bacias da Mata Atlântica", que a Fundação SOS Mata Atlântica acaba de divulgar neste Dia Mundial da Água (22/03), onde também apresenta o resultado de sua segunda expedição pelo rio Paraopeba até o Alto São Francisco.
Dos 278 pontos de coleta de água monitorados, 207 (74,5%) apresentam qualidade regular. Em 49 pontos (17,6%) a qualidade é ruim e, em 4 pontos (1,4%) péssima. Somente 18 pontos (6,5%) apresentam qualidade boa na média do período de monitoramento e nenhum dos rios e corpos d'água tem qualidade ótima. A qualidade de água péssima e ruim obtida em 19% dos pontos monitorados evidencia que 53 pontos estão em rios indisponíveis - com água imprópria para usos - por conta da poluição e da precária condição ambiental das suas bacias hidrográficas.
"Os rios brasileiros estão por um triz. Seja por agressões geradas por grandes desastres ou por conta dos maus usos da água no dia a dia, decorrentes da falta de saneamento, da ocupação desordenada do solo nas cidades, por falta de florestas e matas ciliares que protegem os rios e nascentes e por uso indiscriminado de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Nossos rios estão sendo condenados pela falta de boa governança", afirma Malu Ribeiro, assessora da Fundação SOS Mata Atlântica, especialista em água.
O dados divulgados para a sociedade neste Dia Mundial da Água foram produzidos pelo projeto Observando os Rios. A iniciativa conta com a participação de 3.500 voluntários que monitoraram 220 rios, de oito regiões hidrográficas do Brasil, entre março de 2018 e fevereiro de 2019, etapa que contou com o patrocínio da Ype e apoio da Coca-Cola Brasil. Em 2019, o projeto contará com patrocínio da Ype e apoio da Sompo.
Entre os principais alertas feitos pela organização, está o fato de que o rio São Francisco já encontra-se contaminado com rejeitos da barragem Córrego do Feijão, da Vale, rompida no dia 25 de janeiro, em Brumadinho (MG). Entre os dias 8 e 14 de março, a equipe da SOS Mata Atlântica revisitou a região até o Alto São Francisco para verificar a presença de rejeitos, visando dar algumas respostas à sociedade.
Dos 12 pontos analisados pela organização, nove estavam com condição ruim e três regular, o que torna o trecho a  partir do Reservatório de Retiro Baixo, entre os municípios de Felixlândia e Pompéu até o Reservatório de Três Marias, no Alto São Francisco, com água imprópria para usos da população.
Nestes pontos, a turbidez estava acima dos limites legais definidos pela Resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), para qualidade da água doce superficial. Em alguns locais, este indicador chegou a ser verificado entre duas e seis vezes mais que o permitido pela resolução. Além disso, as concentrações de ferro, manganês, cromo e cobre também estavam acima dos limites máximos permitidos na legislação, o que evidencia o impacto da pluma de rejeitos de minério sobre o Alto São Francisco.
"Logo que fizemos nossa primeira expedição, diversos setores da sociedade nos perguntavam sobre o rio São Francisco. Não tínhamos a intenção de voltar à região agora, mas diante dos questionamentos, decidimos analisar o impacto na região para informar a sociedade", afirma Tiago Felix, biólogo e educador ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica.
Os dados comprovam que o Reservatório de Retiro Baixo está segurando o maior volume dos rejeitos de minério que vem sendo carreados pelo Paraopeba. Apesar das medidas tomadas no sentido de evitar que os rejeitos atinjam o rio São Francisco, os contaminantes mais finos estão ultrapassando o reservatório e descendo o rio e já são percebidos nas análises em padrões  elevados.

SOS Mata Atlântica

A cada dia que passa o  Brasil agride um pou- co mais seus rios. Os índices de qualidade dos rios do País, apontam que, um a um, eles vão perdendo lentamente sua capacidade de abrigar vida aquática, de abastecer a população e de promover saúde e lazer para a sociedade. Essa é a principal conclusão do relatório "O retrato da qualidade da água nas bacias da Mata Atlântica", que a Fundação SOS Mata Atlântica acaba de divulgar neste Dia Mundial da Água (22/03), onde também apresenta o resultado de sua segunda expedição pelo rio Paraopeba até o Alto São Francisco.
Dos 278 pontos de coleta de água monitorados, 207 (74,5%) apresentam qualidade regular. Em 49 pontos (17,6%) a qualidade é ruim e, em 4 pontos (1,4%) péssima. Somente 18 pontos (6,5%) apresentam qualidade boa na média do período de monitoramento e nenhum dos rios e corpos d'água tem qualidade ótima. A qualidade de água péssima e ruim obtida em 19% dos pontos monitorados evidencia que 53 pontos estão em rios indisponíveis - com água imprópria para usos - por conta da poluição e da precária condição ambiental das suas bacias hidrográficas.
"Os rios brasileiros estão por um triz. Seja por agressões geradas por grandes desastres ou por conta dos maus usos da água no dia a dia, decorrentes da falta de saneamento, da ocupação desordenada do solo nas cidades, por falta de florestas e matas ciliares que protegem os rios e nascentes e por uso indiscriminado de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Nossos rios estão sendo condenados pela falta de boa governança", afirma Malu Ribeiro, assessora da Fundação SOS Mata Atlântica, especialista em água.
O dados divulgados para a sociedade neste Dia Mundial da Água foram produzidos pelo projeto Observando os Rios. A iniciativa conta com a participação de 3.500 voluntários que monitoraram 220 rios, de oito regiões hidrográficas do Brasil, entre março de 2018 e fevereiro de 2019, etapa que contou com o patrocínio da Ype e apoio da Coca-Cola Brasil. Em 2019, o projeto contará com patrocínio da Ype e apoio da Sompo.
Entre os principais alertas feitos pela organização, está o fato de que o rio São Francisco já encontra-se contaminado com rejeitos da barragem Córrego do Feijão, da Vale, rompida no dia 25 de janeiro, em Brumadinho (MG). Entre os dias 8 e 14 de março, a equipe da SOS Mata Atlântica revisitou a região até o Alto São Francisco para verificar a presença de rejeitos, visando dar algumas respostas à sociedade.
Dos 12 pontos analisados pela organização, nove estavam com condição ruim e três regular, o que torna o trecho a  partir do Reservatório de Retiro Baixo, entre os municípios de Felixlândia e Pompéu até o Reservatório de Três Marias, no Alto São Francisco, com água imprópria para usos da população.
Nestes pontos, a turbidez estava acima dos limites legais definidos pela Resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), para qualidade da água doce superficial. Em alguns locais, este indicador chegou a ser verificado entre duas e seis vezes mais que o permitido pela resolução. Além disso, as concentrações de ferro, manganês, cromo e cobre também estavam acima dos limites máximos permitidos na legislação, o que evidencia o impacto da pluma de rejeitos de minério sobre o Alto São Francisco.
"Logo que fizemos nossa primeira expedição, diversos setores da sociedade nos perguntavam sobre o rio São Francisco. Não tínhamos a intenção de voltar à região agora, mas diante dos questionamentos, decidimos analisar o impacto na região para informar a sociedade", afirma Tiago Felix, biólogo e educador ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica.
Os dados comprovam que o Reservatório de Retiro Baixo está segurando o maior volume dos rejeitos de minério que vem sendo carreados pelo Paraopeba. Apesar das medidas tomadas no sentido de evitar que os rejeitos atinjam o rio São Francisco, os contaminantes mais finos estão ultrapassando o reservatório e descendo o rio e já são percebidos nas análises em padrões  elevados.