Amor de polpa e o caroço

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Nas entrelinhas do discurso, um gesto político revolucionário
Nas entrelinhas do discurso, um gesto político revolucionário

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Publicada em 03/04/2019 às 08:41:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Liniker não é só um po-
eta do lacre. A voz po-
derosa, educada na boa escola da música negra, de fato pronuncia a existência de muita gente que não se encaixa nos modelos de comportamento concebidos pelo guarda da esquina. Questões de vida e morte ardem na sua pele preta. No entanto, só ele sabe o que lhe arrepia o corpo todo, até o último fio de cabelo. Em tal urgência, no fundo do coração, mora a sua verdade.
'Goela abaixo', o segundo disco de Liniker e Os Caramelows, conclama uns e outros a amar devagar, sem nenhuma pressa, com gosto e desembaraço. 'Bem bom', por exemplo, menciona o amargo da lágrima na ponta da língua. 'Textão' percorre virilhas e reentrâncias, com toda a calma do mundo. O disco inteiro segue nessa toada, repleto de alma e veias latejando. Logo se vê, fala-se aqui do amor físico, polpa e caroço, o fruto palpável.
Mais do que a sensualidade nua e crua dos mortos de fome, 'Goela abaixo' transborda pulsão de vida, abraça a manifestação natural do desejo como um dado colhido na experiência real dos homens e mulheres de carne e osso. O cheiro de alguém rima com um beijo guardado no canto molhado da boca. Liniker canta o calor, a brasa acesa que consome o cigarro.
Um disco assim, um elogio lírico ao sentimento dos braços abertos, não seria realizado sem as colaborações afetivas de praxe. A cantora carioca Mahmundi solta a voz na já citada 'Bem bom'. A faixa que inspirou o batismo do petardo hedonista, 'Goela', ganhou um coro feminino de primeira linha, formado por Juliana Strassacapa (Francisco, El Hombre) e Tássia Reis, entre outras. 
'Goela abaixo' sucede 'Remonta' (2016)  e o EP 'Cru' (2015), acolhidos pela crítica com algum espanto. Ele mesmo admite que  tudo aconteceu muito rápido. Talvez por isso, tenha optado por respirar "eu fundo". Nas entrelinhas do discurso amoroso, Liniker ensaia um gesto político revolucionário.

Liniker não é só um po- eta do lacre. A voz po- derosa, educada na boa escola da música negra, de fato pronuncia a existência de muita gente que não se encaixa nos modelos de comportamento concebidos pelo guarda da esquina. Questões de vida e morte ardem na sua pele preta. No entanto, só ele sabe o que lhe arrepia o corpo todo, até o último fio de cabelo. Em tal urgência, no fundo do coração, mora a sua verdade.
'Goela abaixo', o segundo disco de Liniker e Os Caramelows, conclama uns e outros a amar devagar, sem nenhuma pressa, com gosto e desembaraço. 'Bem bom', por exemplo, menciona o amargo da lágrima na ponta da língua. 'Textão' percorre virilhas e reentrâncias, com toda a calma do mundo. O disco inteiro segue nessa toada, repleto de alma e veias latejando. Logo se vê, fala-se aqui do amor físico, polpa e caroço, o fruto palpável.
Mais do que a sensualidade nua e crua dos mortos de fome, 'Goela abaixo' transborda pulsão de vida, abraça a manifestação natural do desejo como um dado colhido na experiência real dos homens e mulheres de carne e osso. O cheiro de alguém rima com um beijo guardado no canto molhado da boca. Liniker canta o calor, a brasa acesa que consome o cigarro.
Um disco assim, um elogio lírico ao sentimento dos braços abertos, não seria realizado sem as colaborações afetivas de praxe. A cantora carioca Mahmundi solta a voz na já citada 'Bem bom'. A faixa que inspirou o batismo do petardo hedonista, 'Goela', ganhou um coro feminino de primeira linha, formado por Juliana Strassacapa (Francisco, El Hombre) e Tássia Reis, entre outras. 
'Goela abaixo' sucede 'Remonta' (2016)  e o EP 'Cru' (2015), acolhidos pela crítica com algum espanto. Ele mesmo admite que  tudo aconteceu muito rápido. Talvez por isso, tenha optado por respirar "eu fundo". Nas entrelinhas do discurso amoroso, Liniker ensaia um gesto político revolucionário.