Dia de ouvir Nirvana bem alto

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Kurt Cobain, vocalista do Nirvana: eterno
Kurt Cobain, vocalista do Nirvana: eterno

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Publicada em 06/04/2019 às 07:57:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Em 5 de abril de 1994, 
aos 27 anos, Kurt Co
bain cometeu suicídio. Desde então, nessa data, meio mundo tira o dia para ouvir Nirvana bem alto.
Há sim quem envelheça sem perder o pulso do tempo e o elã da criação. Morrissey e Paul McCartney estão aí, firmes e fortes, para provar. De todo modo, é impossível imaginar Kurt Cobain ganhando peso, perdendo os cabelos, desacelerando. A despeito de todas as virtudes estritamente musicais (nunca mais surgiu algo tão visceral e direto no horizonte da música pop), a verdade do Nirvana comunicava uma fé inabalável no aqui e agora do momento. Daí a bala na cabeça. Forever young. Eterno.
Eu não sei onde estava enterrado quando o Nirvana aconteceu. O mais provável é que me encontrasse no quarto, com os ouvidos entupidos de jazz e rock progressivo. De certo, as lágrimas que não derramei quando o galego foi encontrado morto. Hoje, no entanto, os ruídos de Seattle me cobram o tempo perdido.
Nevermind - O disco foi gravado entre abril e junho de 1991, em estúdios da California e de Wisconsin, e chegou às lojas no fim de setembro, já no outono do hemisfério norte. Foram necessárias algumas semanas para que o primeiro single, 'Smells Like Teen Spirit', começasse a circular com força - um movimento involuntário, já que a gravadora Geffen divulgou o álbum como mero lançamento alternativo. No fim das contas, 'Nevermind' vendeu cerca de 24 milhões de cópias no mundo inteiro e deixou um legado com poucos paralelos na história da música de massa recente.
Os rabiscos do próprio - O diário de Kurt Cobain é o grande trunfo do documentarista Brett Morgen. Mais reveladores do que as imagens de arquivo e o testemunho de seus pais, companheiros de banda e namoradas; mais relevantes do que os anos de formação e a infância feliz capturada em VHS são os rabiscos do próprio homem - As veias entupidas de heroína e os traumas de praxe irrigando uma mente perturbada. Fala-se aqui do filme 'Cobain: Montage of Heck' (2015).
Última encarnação ideal do "poeta maldito" forjado pelos românticos, o líder da banda Nirvana vivia à flor da pele. Até aqui, nenhuma novidade. A abordagem realizada por este filme, contudo, anima o pensamento desorganizado em páginas e páginas de sentenças incisivas e ilustrações deformadas. Literalmente. As inserções visuais obedecem aos propósitos do traço original, tomando o devido cuidado para não dar a falsa impressão de um relato. O resultado é um assalto aos sentidos, dando conta da inaptidão aos padrões estabelecidos de família e sucesso.
O filme foi divulgado como o retrato íntimo de um artista que raramente se revelou para a mídia. Uma meia verdade. É fato que Kurt Cobain tinha as suas razões para se manter esquivo e até paranoico ante a ansiedade provocada por sua vida privada. Cada um sabe dos próprios calos. Este documentário, no entanto, reforça a impressão consagrada de um compositor confessional. Neste sentido, 'Montage of Heck' não acrescenta nem uma vírgula ao que o próprio Cobain já havia berrado em forma de música.

Em 5 de abril de 1994,  aos 27 anos, Kurt Co bain cometeu suicídio. Desde então, nessa data, meio mundo tira o dia para ouvir Nirvana bem alto.
Há sim quem envelheça sem perder o pulso do tempo e o elã da criação. Morrissey e Paul McCartney estão aí, firmes e fortes, para provar. De todo modo, é impossível imaginar Kurt Cobain ganhando peso, perdendo os cabelos, desacelerando. A despeito de todas as virtudes estritamente musicais (nunca mais surgiu algo tão visceral e direto no horizonte da música pop), a verdade do Nirvana comunicava uma fé inabalável no aqui e agora do momento. Daí a bala na cabeça. Forever young. Eterno.
Eu não sei onde estava enterrado quando o Nirvana aconteceu. O mais provável é que me encontrasse no quarto, com os ouvidos entupidos de jazz e rock progressivo. De certo, as lágrimas que não derramei quando o galego foi encontrado morto. Hoje, no entanto, os ruídos de Seattle me cobram o tempo perdido.

Nevermind - O disco foi gravado entre abril e junho de 1991, em estúdios da California e de Wisconsin, e chegou às lojas no fim de setembro, já no outono do hemisfério norte. Foram necessárias algumas semanas para que o primeiro single, 'Smells Like Teen Spirit', começasse a circular com força - um movimento involuntário, já que a gravadora Geffen divulgou o álbum como mero lançamento alternativo. No fim das contas, 'Nevermind' vendeu cerca de 24 milhões de cópias no mundo inteiro e deixou um legado com poucos paralelos na história da música de massa recente.
Os rabiscos do próprio - O diário de Kurt Cobain é o grande trunfo do documentarista Brett Morgen. Mais reveladores do que as imagens de arquivo e o testemunho de seus pais, companheiros de banda e namoradas; mais relevantes do que os anos de formação e a infância feliz capturada em VHS são os rabiscos do próprio homem - As veias entupidas de heroína e os traumas de praxe irrigando uma mente perturbada. Fala-se aqui do filme 'Cobain: Montage of Heck' (2015).
Última encarnação ideal do "poeta maldito" forjado pelos românticos, o líder da banda Nirvana vivia à flor da pele. Até aqui, nenhuma novidade. A abordagem realizada por este filme, contudo, anima o pensamento desorganizado em páginas e páginas de sentenças incisivas e ilustrações deformadas. Literalmente. As inserções visuais obedecem aos propósitos do traço original, tomando o devido cuidado para não dar a falsa impressão de um relato. O resultado é um assalto aos sentidos, dando conta da inaptidão aos padrões estabelecidos de família e sucesso.
O filme foi divulgado como o retrato íntimo de um artista que raramente se revelou para a mídia. Uma meia verdade. É fato que Kurt Cobain tinha as suas razões para se manter esquivo e até paranoico ante a ansiedade provocada por sua vida privada. Cada um sabe dos próprios calos. Este documentário, no entanto, reforça a impressão consagrada de um compositor confessional. Neste sentido, 'Montage of Heck' não acrescenta nem uma vírgula ao que o próprio Cobain já havia berrado em forma de música.