Neve sobre Os Sete Reinos

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O inverno chegou, finalmente
O inverno chegou, finalmente

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Publicada em 12/04/2019 às 10:20:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A série 'Game of thro
nes' é, antes de 
tudo, um dos maiores fenômenos de massa na história recente da TV por assinatura. A constatação talvez soe como uma contradição em termos, sobretudo em plena era do streaming. Mas, verdade seja dita: desde o Napster e a bancarrota das grandes gravadoras, a pirataria é atividade ordinária nos sete mares do mundo virtual.
Produto de mídia embalado em muita propaganda, a série da HBO conjuga o apelo visual a um enredo dos mais absorventes, pontuado por zumbis e dragões intrigas palacianas, muito sexo e cabeças rolando. Faz pensar no universo de 'Star Wars'. Se durante o reinado de George Lucas a experiência no escuro do cinema era supervalorizada, entretanto, hoje em dia, ao contrário, mais e mais gente do próprio audiovisual considera a dimensão da tela onde o seu trabalho é compartilhado apenas mais um detalhe, quase irrelevante.
As implicações éticas e estéticas da tecnologia nas narrativas audiovisuais passa longe das preocupações de quem acompanha a série. Questões mais espinhosas já foram levantadas. Feministas de plantão em blogs e redes sociais protestaram contra a exposição dos corpos femininos, resvalando em um moralismo francamente reacionário. Ocorre que 'Game of thrones' é objeto de culto. As moças deram com os burros n'água.
A estreia da última temporada de 'Game of thrones' coincide com a escalada conservadora em curso no Brasil. O chanceler Ernesto Araújo, à frente do Itamaraty, por exemplo, não se conforma com a globalização, o globalismo, o marxismo cultural. Dependesse dele, o País inteiro seria pintado de verde e amarelo. No extremo, com o fim de interromper um fluxo realmente desigual na produção e consumo de bens culturais, o ministro transformaria o território nacional em uma ilha cercada de muros e água por todos os lados, sem acesso a HBO, Netflix, Torrent e internet.
Felizmente, a distopia liberal/nacionalista (?!) de Bolsonaro e Ernesto Araújo até agora só ganhou corpo nos discursos mais delirantes. Assim, os brasileiros contam os dias para a estreia de 'Game of thrones', igual a meio mundo. Aqui mesmo, em Sergipe, o escritor André Comanche, quadrinista e ilustrador de mão cheia, participa de um debate sobre a série, dos livros de George R.R. Martin ao derivado audiovisual, em uma livraria do Shopping Riomar. O inverno chegou, finalmente. O destino dos sete reinos de Westeros está selado.
Debatendo GOT
Sábado, 13 de abril, às 19 horas, na Saraiva do Shopping Riomar.

A série 'Game of thro nes' é, antes de  tudo, um dos maiores fenômenos de massa na história recente da TV por assinatura. A constatação talvez soe como uma contradição em termos, sobretudo em plena era do streaming. Mas, verdade seja dita: desde o Napster e a bancarrota das grandes gravadoras, a pirataria é atividade ordinária nos sete mares do mundo virtual.
Produto de mídia embalado em muita propaganda, a série da HBO conjuga o apelo visual a um enredo dos mais absorventes, pontuado por zumbis e dragões intrigas palacianas, muito sexo e cabeças rolando. Faz pensar no universo de 'Star Wars'. Se durante o reinado de George Lucas a experiência no escuro do cinema era supervalorizada, entretanto, hoje em dia, ao contrário, mais e mais gente do próprio audiovisual considera a dimensão da tela onde o seu trabalho é compartilhado apenas mais um detalhe, quase irrelevante.
As implicações éticas e estéticas da tecnologia nas narrativas audiovisuais passa longe das preocupações de quem acompanha a série. Questões mais espinhosas já foram levantadas. Feministas de plantão em blogs e redes sociais protestaram contra a exposição dos corpos femininos, resvalando em um moralismo francamente reacionário. Ocorre que 'Game of thrones' é objeto de culto. As moças deram com os burros n'água.
A estreia da última temporada de 'Game of thrones' coincide com a escalada conservadora em curso no Brasil. O chanceler Ernesto Araújo, à frente do Itamaraty, por exemplo, não se conforma com a globalização, o globalismo, o marxismo cultural. Dependesse dele, o País inteiro seria pintado de verde e amarelo. No extremo, com o fim de interromper um fluxo realmente desigual na produção e consumo de bens culturais, o ministro transformaria o território nacional em uma ilha cercada de muros e água por todos os lados, sem acesso a HBO, Netflix, Torrent e internet.
Felizmente, a distopia liberal/nacionalista (?!) de Bolsonaro e Ernesto Araújo até agora só ganhou corpo nos discursos mais delirantes. Assim, os brasileiros contam os dias para a estreia de 'Game of thrones', igual a meio mundo. Aqui mesmo, em Sergipe, o escritor André Comanche, quadrinista e ilustrador de mão cheia, participa de um debate sobre a série, dos livros de George R.R. Martin ao derivado audiovisual, em uma livraria do Shopping Riomar. O inverno chegou, finalmente. O destino dos sete reinos de Westeros está selado.

Debatendo GOTSábado, 13 de abril, às 19 horas, na Saraiva do Shopping Riomar.