Uma piada de mal gosto

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Há quem ache graça
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Publicada em 23/04/2019 às 08:13:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Mecenato e filan-
tropia são pala-
vras desconhecidas pelos brasileiros endinheirados - tão cultos quanto a última flor do lácio, ignorantes da beleza cultivada no idioma bárbaro de Luís de Camões. Para quem conhece a Europa como a palma da própria mão, tanto faz se a Petrobras vai bancar os arroubos líricos da brava gente. Eles não têm nada com o assunto. Para pintar o sete em alto e bom som, melhor nascer onde todo mundo fala francês.
Bolsonaro não se elegeu presidente à toa. Segundo a impressão corrente nas praias poluídas dos tristes trópicos, Cultura não gera riqueza, nem um tostão furado. A tia do cachorro quente, sim, é uma verdadeira empreendedora, mesmo quando emprega apenas a força dos próprios braços. Já o diretor de Cinema com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão, capaz de mobilizar uma cadeia criativa imensa, só quer saber de sombra e água fresca, vive pendurado nas tetas caídas do governo, não passa de um vagabundo sustentado pela Lei Rouanet.
A bem da verdade, o presidente Bolsonaro não tem razão para temer a língua grande da classe artística tupiniquim. Desde o suposto fim da mamata, o ressentimento ideológico ganhou força de argumento. Os comunistas estariam de tocaia sob as marquises de Brasília, doidos para tomar o poder no embalo de uma ciranda. O revanchismo liquidou o debate político nacional.
O discurso de Bolsonaro pode soar delirante, mas não peca por falta de método. Para evitar a greve dos caminhoneiros, por exemplo, vale tudo, até provocar um tombo de R$ 32 bilhões no valor de mercado da estatal petroleira. Mas cada moeda empregada em patrocínio cultural, por outro lado, teria o custo incalculável de um sonho roubado ao conjunto do País.
Há poucos dias, a Petrobras anunciou a extinção do patrocínio de 13 iniciativas culturais. Entre os projetos sabotados por ordem do presidente, estão os tradicionais festivais de cinema do Rio, São Paulo e Brasília. A bolsa de valores não fechou em baixa por causa isso. Então ninguém deu um pio.
Está em curso no Brasil uma política cultural de terra arrasada, consumada em um abraço de afogados entre artistas mortos de fome e uma população imensa de ressentidos. Mas sempre há quem ache graça nas piadas de mal gosto. Segundo Vieira Neto, a alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo para juntar as cinzas depois.

Mecenato e filan- tropia são pala- vras desconhecidas pelos brasileiros endinheirados - tão cultos quanto a última flor do lácio, ignorantes da beleza cultivada no idioma bárbaro de Luís de Camões. Para quem conhece a Europa como a palma da própria mão, tanto faz se a Petrobras vai bancar os arroubos líricos da brava gente. Eles não têm nada com o assunto. Para pintar o sete em alto e bom som, melhor nascer onde todo mundo fala francês.
Bolsonaro não se elegeu presidente à toa. Segundo a impressão corrente nas praias poluídas dos tristes trópicos, Cultura não gera riqueza, nem um tostão furado. A tia do cachorro quente, sim, é uma verdadeira empreendedora, mesmo quando emprega apenas a força dos próprios braços. Já o diretor de Cinema com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão, capaz de mobilizar uma cadeia criativa imensa, só quer saber de sombra e água fresca, vive pendurado nas tetas caídas do governo, não passa de um vagabundo sustentado pela Lei Rouanet.
A bem da verdade, o presidente Bolsonaro não tem razão para temer a língua grande da classe artística tupiniquim. Desde o suposto fim da mamata, o ressentimento ideológico ganhou força de argumento. Os comunistas estariam de tocaia sob as marquises de Brasília, doidos para tomar o poder no embalo de uma ciranda. O revanchismo liquidou o debate político nacional.
O discurso de Bolsonaro pode soar delirante, mas não peca por falta de método. Para evitar a greve dos caminhoneiros, por exemplo, vale tudo, até provocar um tombo de R$ 32 bilhões no valor de mercado da estatal petroleira. Mas cada moeda empregada em patrocínio cultural, por outro lado, teria o custo incalculável de um sonho roubado ao conjunto do País.
Há poucos dias, a Petrobras anunciou a extinção do patrocínio de 13 iniciativas culturais. Entre os projetos sabotados por ordem do presidente, estão os tradicionais festivais de cinema do Rio, São Paulo e Brasília. A bolsa de valores não fechou em baixa por causa isso. Então ninguém deu um pio.
Está em curso no Brasil uma política cultural de terra arrasada, consumada em um abraço de afogados entre artistas mortos de fome e uma população imensa de ressentidos. Mas sempre há quem ache graça nas piadas de mal gosto. Segundo Vieira Neto, a alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo para juntar as cinzas depois.