Subtenente dos Bombeiros mata professora e comete suicídio

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A professora Andrea Monte Santo Belizário, 37 anos, foi morta na porta da escola
A professora Andrea Monte Santo Belizário, 37 anos, foi morta na porta da escola

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Publicada em 03/05/2019 às 10:45:00

 

Gabriel Damásio
Uma tragédia chocou a 
população na manhã 
de ontem em Aracaju. A professora Andrea Monte Santo Belizário, 37 anos, foi assassinada a tiros por volta das 7h de ontem, enquanto chegava para trabalhar na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) José Souza de Jesus, no bairro 17 de Março (zona de expansão). A polícia confirma que o autor do crime foi o subtenente Jefferson Mendonça, 48, que era oficial do Corpo de Bombeiros e usava a farda da corporação quando abriu fogo contra a professora. Em seguida, ele cometeu suicídio. 
O crime foi presenciado por pessoas que chegavam para trabalhar ou estudar na escola. Elas relatam que Andrea tinha parado seu carro no outro lado da rua, enquanto chegava à unidade de ensino, e iria atravessar a rua quando foi abordada por Jefferson. A descer de sua moto, o militar começou a discutir com a professora, que deu-lhe as costas depois de um tempo e tentou sair, no momento em que, segundo um motorista, o oficial segurou a bolsa dela. No momento em que Andrea tentou entrar no colégio, Jefferson sacou a pistola e disparou dois tiros. Um deles acertou as costas da vítima. 
O barulho causou medo nas pessoas que estavam na rua e muitas delas fugiram. Um homem relatou nas redes sociais que tentou fazer imagens do subtenente, imaginando que ele iria fugir do local, mas o mesmo estava transtornado e apontou a arma contra a testemunha, fazendo-a desistir. Em seguida, Jefferson voltou a pistola contra o próprio peito e deu um tiro no coração, morrendo na hora. A professora, por sua vez, caiu ferida e passou cerca de cinco minutos pedindo por ajuda, até a chegada de equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Andrea chegou a ser atendida, mas morreu na ambulância, a caminho do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). 
Equipes dos Bombeiros e da Polícia Civil estiveram no local para colher informações e confirmaram que Jefferson e Andrea eram casados há cerca de 15 anos, mas entraram há três meses em um processo de separação. Em entrevista à TV Sergipe, o delegado Mário de Carvalho Leony, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), confirmou que o militar chegou a fazer uma série de ameaças e intimidações à vítima, que até então não eram conhecidas da polícia. "Essa vítima não chegou a registrar ocorrência, mas a gente tem notícias de que ele [Jefferson] já a importunava e tinha tentado intimidá-la na escola, na academia, em outros lugares. Infelizmente, ela não chegou a pedir a medida protetiva", disse ele.
Ainda de acordo com o delegado, um inquérito policial foi instaurado, mas vai apenas apurar e esclarecer as motivações e as circunstâncias das duas mortes. "Lamentavelmente, foi mais um caso de feminicídio seguido de suicídio", conclui Leony, referindo-se ao crime tipificado como assassinato de mulheres por motivação de caráter machista. O inquérito será concluído sem indiciamentos, devido à morte do apontado pela autoria do crime. Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que a arma usada era de uso pessoal do subtenente. 
Entre os bombeiros, o sentimento era de choque e de incredulidade. Colegas da corporação destacaram que Jefferson era uma pessoa pacífica e de boa conduta, que tinha um bom relacionamento com todos e não demonstrava nenhum indício de que estava passando por problemas pessoais, nem mesmo o da separação. "Ninguém percebeu que isso poderia acontecer. Até porque o comportamento dele estava normal, sem nenhuma alteração. Infelizmente, a pessoa até consegue, por fora, manter um padrão, uma rotina de comportamento, mas por dentro tem alguma coisa que a assola. Isso aconteceu com nosso colega e ele chegou ao extremo", disse o segundo-tenente José Lino. 
O corpo da professora Andrea Belizário foi sepultado ontem à tarde no Cemitério São João Batista, no Castelo Branco (zona oeste). Ela estava lotada há menos de dois meses na Escola José Souza de Jesus e ensinava para alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. O clima foi de consternação entre alunos e professores da unidade, cuja direção suspendeu todas as aulas em sinal de luto. Já o corpo do subtenente Mendonça deve ser enterrado hoje. O casal deixa um filho de oito anos. 

Gabriel Damásio

Uma tragédia chocou a  população na manhã  de ontem em Aracaju. A professora Andrea Monte Santo Belizário, 37 anos, foi assassinada a tiros por volta das 7h de ontem, enquanto chegava para trabalhar na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) José Souza de Jesus, no bairro 17 de Março (zona de expansão). A polícia confirma que o autor do crime foi o subtenente Jefferson Mendonça, 48, que era oficial do Corpo de Bombeiros e usava a farda da corporação quando abriu fogo contra a professora. Em seguida, ele cometeu suicídio. 
O crime foi presenciado por pessoas que chegavam para trabalhar ou estudar na escola. Elas relatam que Andrea tinha parado seu carro no outro lado da rua, enquanto chegava à unidade de ensino, e iria atravessar a rua quando foi abordada por Jefferson. A descer de sua moto, o militar começou a discutir com a professora, que deu-lhe as costas depois de um tempo e tentou sair, no momento em que, segundo um motorista, o oficial segurou a bolsa dela. No momento em que Andrea tentou entrar no colégio, Jefferson sacou a pistola e disparou dois tiros. Um deles acertou as costas da vítima. 
O barulho causou medo nas pessoas que estavam na rua e muitas delas fugiram. Um homem relatou nas redes sociais que tentou fazer imagens do subtenente, imaginando que ele iria fugir do local, mas o mesmo estava transtornado e apontou a arma contra a testemunha, fazendo-a desistir. Em seguida, Jefferson voltou a pistola contra o próprio peito e deu um tiro no coração, morrendo na hora. A professora, por sua vez, caiu ferida e passou cerca de cinco minutos pedindo por ajuda, até a chegada de equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Andrea chegou a ser atendida, mas morreu na ambulância, a caminho do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). 
Equipes dos Bombeiros e da Polícia Civil estiveram no local para colher informações e confirmaram que Jefferson e Andrea eram casados há cerca de 15 anos, mas entraram há três meses em um processo de separação. Em entrevista à TV Sergipe, o delegado Mário de Carvalho Leony, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), confirmou que o militar chegou a fazer uma série de ameaças e intimidações à vítima, que até então não eram conhecidas da polícia. "Essa vítima não chegou a registrar ocorrência, mas a gente tem notícias de que ele [Jefferson] já a importunava e tinha tentado intimidá-la na escola, na academia, em outros lugares. Infelizmente, ela não chegou a pedir a medida protetiva", disse ele.
Ainda de acordo com o delegado, um inquérito policial foi instaurado, mas vai apenas apurar e esclarecer as motivações e as circunstâncias das duas mortes. "Lamentavelmente, foi mais um caso de feminicídio seguido de suicídio", conclui Leony, referindo-se ao crime tipificado como assassinato de mulheres por motivação de caráter machista. O inquérito será concluído sem indiciamentos, devido à morte do apontado pela autoria do crime. Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que a arma usada era de uso pessoal do subtenente. 
Entre os bombeiros, o sentimento era de choque e de incredulidade. Colegas da corporação destacaram que Jefferson era uma pessoa pacífica e de boa conduta, que tinha um bom relacionamento com todos e não demonstrava nenhum indício de que estava passando por problemas pessoais, nem mesmo o da separação. "Ninguém percebeu que isso poderia acontecer. Até porque o comportamento dele estava normal, sem nenhuma alteração. Infelizmente, a pessoa até consegue, por fora, manter um padrão, uma rotina de comportamento, mas por dentro tem alguma coisa que a assola. Isso aconteceu com nosso colega e ele chegou ao extremo", disse o segundo-tenente José Lino. 
O corpo da professora Andrea Belizário foi sepultado ontem à tarde no Cemitério São João Batista, no Castelo Branco (zona oeste). Ela estava lotada há menos de dois meses na Escola José Souza de Jesus e ensinava para alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. O clima foi de consternação entre alunos e professores da unidade, cuja direção suspendeu todas as aulas em sinal de luto. Já o corpo do subtenente Mendonça deve ser enterrado hoje. O casal deixa um filho de oito anos.