Justiça encurralada

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Publicada em 20/06/2012 às 15:25:00

Independente do andamento que o processo movido contra o empresário goiano Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, venha a tomar, o prejuízo às instituições democráticas é irreparável. Numa terra onde nem mesmo os magistrados se veem a salvo da intimidação e da coerção promovida pelo banditismo não há argumento capaz de convencer o cidadão do contrário. Aqui, até mesmo a justiça se encontra encurralada.
São muitos os labirintos percorridos por um processo. Em alguns casos, como no de Cachoeira, existem desvão e subterrâneos dignos de uma novela kafkiana. No capítulo mais recente, o magistrado responsável pelo caso, Paulo Moreira Lima, pediu afastamento da 11ª Vara Federal em Goiás porque está, segundo ele, sofrendo ameaças de pessoas ligadas ao grupo do acusado. Com a saída de Moreira Lima, o caso deveria ser encaminhado ao titular da vara, juiz Leão Aparecido Alvez. No entanto, ele é suspeito de ter ligação com um dos investigados. Ontem, a Corregedoria Nacional de Justiça divulgou que a Polícia Federal identificou um telefonema do número do magistrado para uma pessoa que integra a suposta quadrilha.
Segundo Moreira Lima, desde que assumiu a Operação Monte Carlo, ele foi informado de que poderia ser alvo de atentados e que estaria obrigado a se submeter a um rígido esquema de segurança, pois sua vida correria perigo. Em um dos episódios citados pelo juiz, policiais procuraram parentes dele para falar sobre a Operação Monte Carlo, "em nítida ameaça velada, visto que mostraram que sabem quem são meus familiares e onde moram".
Na opinião do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, as ameaças ao juiz Moreira Lima são um caso de gravidade qualificada. A impressão do cidadão comum é ainda mais contundente. Parece até uma letra de rock ruim: Os assassinos estão livres, nós não estamos.