Lady sings the blues

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Uma verdadeira blues singer
Uma verdadeira blues singer

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Publicada em 04/05/2019 às 07:43:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Muita bobagem já 
foi dita sobre os 
efeitos perversos da globalização, a maioria em meados do século passado. À época dos meus quase vinte anos, os professores de redação aterrorizavam a imaginação dos vestibulandos com previsões catastróficas sobre a identidade dos povos periféricos e as manifestações mais genuínas da cultura popular. Contra todas as profecias, no entanto, Dona Nadir está por aí, firme e forte, em cima dos tamancos. 
A devoção de Soayan ao Jazz Standard não deixou nenhum sergipano mais pobre. Muito ao contrário. Basta ela abrir a boca, encarnando uma espécie local de Sarah Vaughan, para o sentimento profundo cantado pela artista americana se tornar também um pouco nosso. Antropófagos, devorar a carne de outras tribos não nos obriga a arrancar as raízes enterradas em nosso próprio quintal. 
Uma verdadeira blues singer, Soayan não perde a chance de celebrar o International Jazz Day. A data comemorada em 30 de abril foi proclamada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em 2011, com o objetivo de  "destacar o jazz e seu papel diplomático de unir pessoas em todos os cantos do globo". Sergipe incluído. 
Depois de um dia inteiro à caça de palavras, ossos do ofício, eu confesso que não tive disposição para conferir a festa abrigada pelo Blends, última quinta-feira, no Parque dos Cajueiros. Mas qualquer um que já tenha se aventurado nas madrugadas da aldeia conhece a potência vocal de Soayan. Em cima do palco, a mulher vira uma fera e abusa das notas sem jamais perder o tom.
Os maiores artistas sergipanos sempre souberam se deixar contaminar por toda sorte de influência, sem perder de vista o seu lugar no mundo. Fala-se aqui de Soayan, uma intérprete impecável, como poderia ser mencionado tantos outros, do quarteto Clube do Jazz ao Ferraro Trio, só para ficar na mesma seara. Se o Itamaraty resolveu trazer uma questão já superada de volta à baila, anunciando uma guerra santa e nacionalista contra o tal do globalismo, o problema é do chanceler Ernesto Araújo. Cá entre nós, a voz de A voz de Soayan ecoa mais alto do que as bravatas delirantes dos burocratas.

Muita bobagem já  foi dita sobre os  efeitos perversos da globalização, a maioria em meados do século passado. À época dos meus quase vinte anos, os professores de redação aterrorizavam a imaginação dos vestibulandos com previsões catastróficas sobre a identidade dos povos periféricos e as manifestações mais genuínas da cultura popular. Contra todas as profecias, no entanto, Dona Nadir está por aí, firme e forte, em cima dos tamancos. 
A devoção de Soayan ao Jazz Standard não deixou nenhum sergipano mais pobre. Muito ao contrário. Basta ela abrir a boca, encarnando uma espécie local de Sarah Vaughan, para o sentimento profundo cantado pela artista americana se tornar também um pouco nosso. Antropófagos, devorar a carne de outras tribos não nos obriga a arrancar as raízes enterradas em nosso próprio quintal. 
Uma verdadeira blues singer, Soayan não perde a chance de celebrar o International Jazz Day. A data comemorada em 30 de abril foi proclamada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em 2011, com o objetivo de  "destacar o jazz e seu papel diplomático de unir pessoas em todos os cantos do globo". Sergipe incluído. 
Depois de um dia inteiro à caça de palavras, ossos do ofício, eu confesso que não tive disposição para conferir a festa abrigada pelo Blends, última quinta-feira, no Parque dos Cajueiros. Mas qualquer um que já tenha se aventurado nas madrugadas da aldeia conhece a potência vocal de Soayan. Em cima do palco, a mulher vira uma fera e abusa das notas sem jamais perder o tom.
Os maiores artistas sergipanos sempre souberam se deixar contaminar por toda sorte de influência, sem perder de vista o seu lugar no mundo. Fala-se aqui de Soayan, uma intérprete impecável, como poderia ser mencionado tantos outros, do quarteto Clube do Jazz ao Ferraro Trio, só para ficar na mesma seara. Se o Itamaraty resolveu trazer uma questão já superada de volta à baila, anunciando uma guerra santa e nacionalista contra o tal do globalismo, o problema é do chanceler Ernesto Araújo. Cá entre nós, a voz de A voz de Soayan ecoa mais alto do que as bravatas delirantes dos burocratas.