Quadrilha Juninas em Sergipe: da banalização à escola de samba

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Publicada em 20/06/2012 às 15:29:00

Estamos cada vez mais distantes de qualquer conceito mais singular do que venha ser tradição e, o que é pior, fazendo da dança nordestina, tradicionalmente rural e em louvor aos nossos santos juninos e às colheitas, para o transformismo exagerado (e de péssimo gosto) em coreografias banalizantes, de ritmos frenéticos e balés exibicionistas de formas físicas, daquelas disputas entre academias musculares

 

* Elton Coelho

Vi, com imensa tristeza, num lance rápido exibido no Sergipe Noticias 2ª edição, TV Sergipe, dia 18 de junho, imagens do concurso Levanta Poeira. Não pelo concurso em si, mas pela imensidão de alegorias carnavalescas teatralizadas que tomam conta dos nossos pensadores, marcadores e quadrilheiros sergipanos.
Estamos cada vez mais distantes de qualquer conceito mais singular do que venha ser tradição e, o que é pior, fazendo da dança nordestina, tradicionalmente rural e em louvor aos nossos santos juninos e às colheitas, para o transformismo exagerado (e de péssimo gosto) em coreografias banalizantes, de ritmos frenéticos e balés exibicionistas de formas físicas, daquelas disputas entre academias musculares.
Ao também ver as imagens exibidas na TV, a professora e historiadora sergipana, Terezina Oliva, num comentário em meu Face, assim disparou: "Também achei sem graça essa 'quadrilha pra televisão'. O que é isso? Não é melhor irem dançar no sambódromo? Chega a ser cansativa!", bradou. A ex-quadrilheira Marta Santos, também via Face, foi além. "Passei pela Maracangaia, Chapéu de Couro, Unidos em Asa Branca, Som Brasil, Apaga Fogueira e hoje vejo não mais quadrilhas com a tradição do nosso Estado e sim puro carnaval e teatro, é triste porque o luxo em demasia hoje prevalece", raciocina.
Mais que isso. Quem tenta manter as tradições juninas, sem o teatralismo ou encenações coreográficas, já não conta nem com componentes dispostos a integrá-los em seu grupo, tamanha é a influência da forma de disputa entre as quadrilhas juninas nos concursos existentes.
Das duas uma: ou se expurga de Sergipe esse método de disputa entre as quadrilhas, fazendo com que os regulamentos dos concursos punam essa deturpação da dança junina, ou se estiliza tudo e não se permita mais à tradição ou que vire até coisa parecida e copiada com Escola de Samba, temática e tudo mais, para que então se justifique os Concursos de Coreografias e Teatros Juninos.
Por favor, (e até mesmo a TV Sergipe), só não chamem isso de CONCURSO DE QUADRILHAS JUNINAS. Em nome da memória de muitos, da cultura e tradição do nosso povo e em respeito às quadrilhas juninas que ainda dignificam e cultuam nossas danças sem invencionismos ou modismo. É apenas um apelo!

*Elton Coelho é jornalista, licenciado em História, ex-quadrilheiro e ex-dirigente de quadrilha junina desde 1983