TRIBUTO A LEVON

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Publicada em 10/05/2019 às 22:36:00

 

* Manoel Moacir Costa Macêdo
As organizações são estruturas essenciais à sociedade. Destaque para a mais conhecida delas: o Estado. O essencial, não são as onerosas estruturas físicas, prédios e equipamentos, mas as pessoas, competências, engajamento e humanismo. As organizações sem gente, inexistem. 
A Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, organização estatal, no tempo de sua existência, tem cumprido missões e vencido desafios. Potencializou a produção agropecuária brasileira. O Brasil, passou de importador a exportador de alimentos. Na contabilidade organizacional, pessoas contribuíram para essas conquistas, às vezes, anônimas e esquecidas dos registros oficiais dos vencedores, tatuadas apenas, nos anais dos vencidos.
Levon Yeganiantz, simplesmente Levon, era uma delas. Recentemente, partiu sem dizer adeus, mas até breve. Uma viagem, para outra morada, na imensidão do cosmo sideral. Cidadão de múltiplas pátrias. Apartado da ascendência familiar em vida. Não era um solitário, mas único, como a "assinatura cerebral" no pós-materialismo. Armênio de nascimento, americano como refugiado da "banalidade do mal" e brasileiro na pátria do "coração do mundo". Constituiu na terra de Santa Cruz, uma angelical família brasileira. Dedicada esposa e duas filhas.
Levon, manso e acolhedor. Marcado pelos traços gentis e particulares da "genérica cabeleira", "especial careca" e "idioma candango-tropical", uma inusitada mistura do inglês, do espanhol, do português e do "portunhol". Possuidor de generosidade e tolerância nas vivências e labores. Incapaz de perdoar, pois nunca ofendia. Agregador e prestativo. Desmaterializado das coisas e bens profanos. Privilégios para aqueles que conviveram com as qualidades ímpares desse ser humano fraterno. Comprometido integralmente em "corpo, alma, dia e noite", nos afazeres "embrapianos". Conseguia transitar do clássico economista agrícola, para a complexidade da ética, do meio ambiente, da sociologia, da bioeconomia, do direito e da propriedade intelectual, entre outros temas emergentes da atualidade.  
Possuidor de uma formação intelectual sólida. Bacharel em Agronomia e Engenharia Agrícola pela American University of Beirut, no Líbano. Mestre em Economia pela Saouth Dakota State University, e Doutor pela University of Maryland System (1969), ambas nos Estados Unidos. Pós-doutor em economia dos recursos naturais, pela Universidade de Brasília. Uma formação ampliada do oriente ao ocidente, e do primeiro ao terceiro mundo. 
Levon, foi um sábio na Embrapa e na vida. Imune às contrariedades menores do cotidiano. Dizia silenciosamente, aos pecadores do orgulho: "vaidade, das vaidades". Albergou com esperança as expiações da reencarnação. Operário da humildade e simplicidade. Tolerante com as diferenças. Viveu mais de sete décadas, no local e no global, para descansar no universal, do outro lado das estrelas. Para seres dessa grandeza, a diferença entre o presente e o futuro, é uma ilusão. A essência, perceptível àqueles que "têm ouvidos para ouvir e olhos para enxergar" na imensidão do saber. Antecipou-se à pós-modernidade num tempo de positivismo científico, ao mitigar os rigores do método, com as experiências qualitativas do viver. Escrevi vinte anos atrás, num livro que o dediquei: "ao colega Levon Yeganiantz, exemplo de sabedoria, humildade e capacidade de sobrevivência na adversidade". Os livros, uma das suas paixões, eram "arrumados em camadas montanhosas", um modo próprio de organizar.
Levon era culto, amigo, solidário, generoso, teimoso, esposo e pai exemplar. Benevolente, sem distinções de crenças e raças. Desarrumado, jamais desorganizado. 
* Manoel Moacir Costa Macêdo, Engenheiro Agrônomo, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

Levon, foi um sábio na Embrapa e na vida. Imune às contrariedades menores do cotidiano. Dizia silenciosamente, aos pecadores do orgulho: "vaidade, das vaidades". Albergou com esperança as expiações da reencarnação. Operário da humildade e simplicidade. Tolerante com as diferenças. Viveu mais de sete décadas, no local e no global, para descansar no universal, do outro lado das estrelas

* Manoel Moacir Costa Macêdo

As organizações são estruturas essenciais à sociedade. Destaque para a mais conhecida delas: o Estado. O essencial, não são as onerosas estruturas físicas, prédios e equipamentos, mas as pessoas, competências, engajamento e humanismo. As organizações sem gente, inexistem. 
A Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, organização estatal, no tempo de sua existência, tem cumprido missões e vencido desafios. Potencializou a produção agropecuária brasileira. O Brasil, passou de importador a exportador de alimentos. Na contabilidade organizacional, pessoas contribuíram para essas conquistas, às vezes, anônimas e esquecidas dos registros oficiais dos vencedores, tatuadas apenas, nos anais dos vencidos.
Levon Yeganiantz, simplesmente Levon, era uma delas. Recentemente, partiu sem dizer adeus, mas até breve. Uma viagem, para outra morada, na imensidão do cosmo sideral. Cidadão de múltiplas pátrias. Apartado da ascendência familiar em vida. Não era um solitário, mas único, como a "assinatura cerebral" no pós-materialismo. Armênio de nascimento, americano como refugiado da "banalidade do mal" e brasileiro na pátria do "coração do mundo". Constituiu na terra de Santa Cruz, uma angelical família brasileira. Dedicada esposa e duas filhas.
Levon, manso e acolhedor. Marcado pelos traços gentis e particulares da "genérica cabeleira", "especial careca" e "idioma candango-tropical", uma inusitada mistura do inglês, do espanhol, do português e do "portunhol". Possuidor de generosidade e tolerância nas vivências e labores. Incapaz de perdoar, pois nunca ofendia. Agregador e prestativo. Desmaterializado das coisas e bens profanos. Privilégios para aqueles que conviveram com as qualidades ímpares desse ser humano fraterno. Comprometido integralmente em "corpo, alma, dia e noite", nos afazeres "embrapianos". Conseguia transitar do clássico economista agrícola, para a complexidade da ética, do meio ambiente, da sociologia, da bioeconomia, do direito e da propriedade intelectual, entre outros temas emergentes da atualidade.  
Possuidor de uma formação intelectual sólida. Bacharel em Agronomia e Engenharia Agrícola pela American University of Beirut, no Líbano. Mestre em Economia pela Saouth Dakota State University, e Doutor pela University of Maryland System (1969), ambas nos Estados Unidos. Pós-doutor em economia dos recursos naturais, pela Universidade de Brasília. Uma formação ampliada do oriente ao ocidente, e do primeiro ao terceiro mundo. 
Levon, foi um sábio na Embrapa e na vida. Imune às contrariedades menores do cotidiano. Dizia silenciosamente, aos pecadores do orgulho: "vaidade, das vaidades". Albergou com esperança as expiações da reencarnação. Operário da humildade e simplicidade. Tolerante com as diferenças. Viveu mais de sete décadas, no local e no global, para descansar no universal, do outro lado das estrelas. Para seres dessa grandeza, a diferença entre o presente e o futuro, é uma ilusão. A essência, perceptível àqueles que "têm ouvidos para ouvir e olhos para enxergar" na imensidão do saber. Antecipou-se à pós-modernidade num tempo de positivismo científico, ao mitigar os rigores do método, com as experiências qualitativas do viver. Escrevi vinte anos atrás, num livro que o dediquei: "ao colega Levon Yeganiantz, exemplo de sabedoria, humildade e capacidade de sobrevivência na adversidade". Os livros, uma das suas paixões, eram "arrumados em camadas montanhosas", um modo próprio de organizar.
Levon era culto, amigo, solidário, generoso, teimoso, esposo e pai exemplar. Benevolente, sem distinções de crenças e raças. Desarrumado, jamais desorganizado. 

* Manoel Moacir Costa Macêdo, Engenheiro Agrônomo, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra