Uma experiência pessoal com Véio

Geral

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br 
Próxima quarta-feira, 
em nova edição do 
projeto Ocupe a Praça, o palco do teatro João Costa, no Centro Cultural de Aracaju, vai receber a presença ilustre de Véio. A notícia me remete ao acervo do Espaço D'Época, agora em São Cristóvão, sob a tutela da colecionadora Sayonara Viana. Lá, eu pude ver de perto o trabalho de mestres de todos os tempos. Zé de Dome, J Inácio, Eurico Luiz, e por aí vai. Entre as jóias mais preciosas da coroa, entretanto, simples peças de madeira trabalhadas de maneira rudimentar. Um caso para estudo.
O hype criado em torno da assinatura de Véio, único dos nossos a romper a membrana do circuito internacional de arte, está longe de fazer justiça à verdadeira potência de seu trabalho. E a exposição 'Sergipanos D'Época', sob a curadoria de Paulo César de Oliveira, abrigada no Café da Gente, em 2015, proporcionou uma experiência real, ainda que breve (a mostra contava com apenas quatro peças confeccionadas pelo artista), com o áspero singelo da matéria sertaneja. Foi o que me bastou para ficar de queixo caído.
De Nossa Senhora da Glória para o mundo. Não faltam razões para explicar tamanha curiosidade. O interesse pronunciado pelo material e o processo, por exemplo, além da diluição das fronteiras entre a arte popular e erudita, estão entre os dogmas cultivados pela crítica de agora. Convém sublinhar, contudo, o genuíno inconfundível no talho discreto de Véio e insistir numa interrogação já muito antiga: Quem, afinal de contas, autoriza o exercício artístico?
Uma questão de paradigmas. O status da arte sempre esteve subordinado ao pensamento dominante da época. Não deixa de ser curioso, portanto, observar os valores aproximados em conflito com a abertura radical das práticas ora chanceladas pelos circuitos hegemônicos. Na melhor das hipóteses, os parâmetros em voga refletem o reconhecimento tardio das diversas regiões e sensibilidades à margem dos centros difusores. Caso único, Véio é também a possibilidade confirmada numa seara de muitos.

Próxima quarta-feira,  em nova edição do  projeto Ocupe a Praça, o palco do teatro João Costa, no Centro Cultural de Aracaju, vai receber a presença ilustre de Véio. A notícia me remete ao acervo do Espaço D'Época, agora em São Cristóvão, sob a tutela da colecionadora Sayonara Viana. Lá, eu pude ver de perto o trabalho de mestres de todos os tempos. Zé de Dome, J Inácio, Eurico Luiz, e por aí vai. Entre as jóias mais preciosas da coroa, entretanto, simples peças de madeira trabalhadas de maneira rudimentar. Um caso para estudo.
O hype criado em torno da assinatura de Véio, único dos nossos a romper a membrana do circuito internacional de arte, está longe de fazer justiça à verdadeira potência de seu trabalho. E a exposição 'Sergipanos D'Época', sob a curadoria de Paulo César de Oliveira, abrigada no Café da Gente, em 2015, proporcionou uma experiência real, ainda que breve (a mostra contava com apenas quatro peças confeccionadas pelo artista), com o áspero singelo da matéria sertaneja. Foi o que me bastou para ficar de queixo caído.
De Nossa Senhora da Glória para o mundo. Não faltam razões para explicar tamanha curiosidade. O interesse pronunciado pelo material e o processo, por exemplo, além da diluição das fronteiras entre a arte popular e erudita, estão entre os dogmas cultivados pela crítica de agora. Convém sublinhar, contudo, o genuíno inconfundível no talho discreto de Véio e insistir numa interrogação já muito antiga: Quem, afinal de contas, autoriza o exercício artístico?
Uma questão de paradigmas. O status da arte sempre esteve subordinado ao pensamento dominante da época. Não deixa de ser curioso, portanto, observar os valores aproximados em conflito com a abertura radical das práticas ora chanceladas pelos circuitos hegemônicos. Na melhor das hipóteses, os parâmetros em voga refletem o reconhecimento tardio das diversas regiões e sensibilidades à margem dos centros difusores. Caso único, Véio é também a possibilidade confirmada numa seara de muitos.

 


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