A terra dos meus pecados

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Tédio, caranguejo e mais nada
Tédio, caranguejo e mais nada

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Publicada em 15/05/2019 às 00:44:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Depois de uma viagem, 
o filho pródigo sempre 
demora um pouco para colocar as coisas no devido lugar. A casa parece incomodada com a sua presença inesperada e reage à chave na porta como a um estranho. Os dois não se reconhecem mais. Um homem jamais molha os pés duas vezes no mesmo rio.
Heráclito de Éfeso foi o primeiro a perceber a natureza volátil de tudo, a pedra e o espírito. Basta chegar à esquina. No caminho de volta, para quem tem olhos de ver, o mundo inteiro é outro.
A previsibilidade é uma exigência cabível apenas em matéria política, ossos do ofício abraçado pelos homens públicos. Quando um presidente da República diz que vai, mas não vai, como fez Bolsonaro, ausência gritante no jantar oferecido em Gotham City, a frágil e necessária confiança eventualmente depositada em seu País desce pelo ralo. Do mesmo modo, ninguém mais bota fé na gestão de Conceição Vieira, à frente da Aperipê. Os releases no site da Fundação afirmam o propósito de estreitar os laços com quem faz Cultura em Sergipe. No entanto, as ruas de Aracaju e no interior do estado continuam pobres de sentido.
A página desafia qualquer um a procurar o que fazer hoje na capital sergipana, em qualquer lugar, a qualquer hora do dia. Em verdade, dependesse dos esforços de Conceição Vieira, um turista acidental morreria de tédio, com a boca entupida de caranguejo.
O trade turístico da terrinha não cansa de chorar pitangas junto ao Governo de Sergipe, mas esquece de apontar o dedo para a Fundação Aperipê. Sem Cultura, todo destino é sem graça. Não espanta, por exemplo, que Salvador lembre a torre de Babel, povoada por gente de todas as cores, falante de todas as línguas, o ano inteiro, mesmo durante a baixa estação. Com disposição, na capital baiana, o visitante bate perna o dia todo e não vê tudo, só volta para o hotel depois de vencido pelo cansaço.
Sergipe é o lugar onde Zé Peixe não mereceu batizar uma ponte. À parte a programação abrigada pelo Centro Cultural de Aracaju, o grande feito do prefeito Edvaldo Nogueira, a terra dos meus pecados é uma velha de pouca idade, sem nenhuma alegria na vida. Bastam alguns dias longe de casa para ver claro como o dia: Aqui ninguém sonha, ninguém canta, ninguém dança, ninguém se anima com nada.

Depois de uma viagem,  o filho pródigo sempre  demora um pouco para colocar as coisas no devido lugar. A casa parece incomodada com a sua presença inesperada e reage à chave na porta como a um estranho. Os dois não se reconhecem mais. Um homem jamais molha os pés duas vezes no mesmo rio.
Heráclito de Éfeso foi o primeiro a perceber a natureza volátil de tudo, a pedra e o espírito. Basta chegar à esquina. No caminho de volta, para quem tem olhos de ver, o mundo inteiro é outro.
A previsibilidade é uma exigência cabível apenas em matéria política, ossos do ofício abraçado pelos homens públicos. Quando um presidente da República diz que vai, mas não vai, como fez Bolsonaro, ausência gritante no jantar oferecido em Gotham City, a frágil e necessária confiança eventualmente depositada em seu País desce pelo ralo. Do mesmo modo, ninguém mais bota fé na gestão de Conceição Vieira, à frente da Aperipê. Os releases no site da Fundação afirmam o propósito de estreitar os laços com quem faz Cultura em Sergipe. No entanto, as ruas de Aracaju e no interior do estado continuam pobres de sentido.
A página desafia qualquer um a procurar o que fazer hoje na capital sergipana, em qualquer lugar, a qualquer hora do dia. Em verdade, dependesse dos esforços de Conceição Vieira, um turista acidental morreria de tédio, com a boca entupida de caranguejo.
O trade turístico da terrinha não cansa de chorar pitangas junto ao Governo de Sergipe, mas esquece de apontar o dedo para a Fundação Aperipê. Sem Cultura, todo destino é sem graça. Não espanta, por exemplo, que Salvador lembre a torre de Babel, povoada por gente de todas as cores, falante de todas as línguas, o ano inteiro, mesmo durante a baixa estação. Com disposição, na capital baiana, o visitante bate perna o dia todo e não vê tudo, só volta para o hotel depois de vencido pelo cansaço.
Sergipe é o lugar onde Zé Peixe não mereceu batizar uma ponte. À parte a programação abrigada pelo Centro Cultural de Aracaju, o grande feito do prefeito Edvaldo Nogueira, a terra dos meus pecados é uma velha de pouca idade, sem nenhuma alegria na vida. Bastam alguns dias longe de casa para ver claro como o dia: Aqui ninguém sonha, ninguém canta, ninguém dança, ninguém se anima com nada.