Sessentões adolescentes

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 22/05/2019 às 09:15:00

 

* Domingos Pascoal
"É tão difícil chegar um touro ao mourão quanto um tolo à razão".
Dito popular no interior do Ceará.
 
Nada mais difícil do que lidar com 
pessoas de egos inflados; às vezes 
nem os cabelos brancos os separam dos procedimentos adolescentes dos radiosos anos de suas vidas, quando ainda eram meninos.
Na verdade, ao que parece, essas pessoas, mesmo quando já sessentões, comportam-se como crianças querendo um pirulito de ki-suco. Ainda não ultrapassaram a fase contestatória e irracional do tudo meu! Tudo meu! Procedem e agem com as mesmas inexplicáveis e insustentáveis opiniões adolescentes, confundem desejo com direito, querer com poder e obrigação com liberdade.
São criaturas afetadas, que se "emburram" com facilidade, que relativizam tudo, que só veem o que lhes convêm, que não toleram derrotas, que não sabem perdoar, que não aceitam a máxima de que "o seu direito acaba quando o do outro começa", que o mundo é a casa de todos e que todos respiram o mesmo ar, dividem os mesmos espaços e têm as mesmas necessidades.
Deliberadamente, essas pessoas não entendem que nem sempre é possível ser vitorioso em tudo. No nosso claudicante caminhar dos dias, às vezes ganhamos, outros perdemos; às vezes acertamos, outras erramos, vitórias e derrotas fazem parte do jogo da existência, e é exatamente quando perdemos e erramos que mais aprendemos.
Os "aborrecentes" são xenófobos, ciumentos, rudes e, sobretudo, do contra: "é fulano que faz? Não quero, é ruim, é mal feito". São pessoas que "escurecem luz de refletor de estádio"; que conseguem como diz o Prof. Marins, "azedar balde de sal de frutas".
Conheço muito bem os cidadãos que assim procedem. Eu mesmo fui, por muito tempo, um deles. Como fiz sofrer quem não merecia! Como sofri também, pois ninguém consegue amar um rabugento assim. As pessoas toleram, por conveniências, é claro! Mas amar? Bem, amar, é um pouquinho mais difícil.
Peço sempre perdão, até hoje, por isso. Sinceramente, quando me lembro de como eu era, sinto-me ridículo. Obrigo-me a tudo fazer para me distanciar deste padrão. Felizmente acordei da letargia. Hoje, ajo e penso totalmente diferente. Procuro entender as coisas do ponto de vista dos outros também, afinal, eles, "os outros", têm, também, os seus direitos, seus questionamentos e suas necessidades. Esforço-me para ver as coisas como realmente são, não apenas como eu quero que elas sejam, ou como me disseram que elas seriam.
É bom ser bom, já escrevi sobre isso, e acrescento: é bom compreender que as nossas aspirações nem sempre serão alcançadas. Para chegarmos até onde queremos, haverá sempre algumas barreiras e, se quisermos chegar, teremos de ultrapassá-las. Não basta querer, temos de fazer e, sobretudo, temos de tolerar.
A tolerância é, sem dúvida - ou deveria ser - a nossa companheira nessa trajetória. Viver é ultrapassar obstáculos, vencer concorrência e adversários, é vencer opiniões e embates, é seguir sempre em frente. Porém, quando as vitórias não acontecerem, devemos seguir com as derrotas e aprender com elas. Enfim: ganhar ou perder faz parte do jogo.
 * Domingos Pascoal é escritor

* Domingos Pascoal

"É tão difícil chegar um touro ao mourão quanto um tolo à razão".Dito popular no interior do Ceará.
 Nada mais difícil do que lidar com  pessoas de egos inflados; às vezes  nem os cabelos brancos os separam dos procedimentos adolescentes dos radiosos anos de suas vidas, quando ainda eram meninos.
Na verdade, ao que parece, essas pessoas, mesmo quando já sessentões, comportam-se como crianças querendo um pirulito de ki-suco. Ainda não ultrapassaram a fase contestatória e irracional do tudo meu! Tudo meu! Procedem e agem com as mesmas inexplicáveis e insustentáveis opiniões adolescentes, confundem desejo com direito, querer com poder e obrigação com liberdade.
São criaturas afetadas, que se "emburram" com facilidade, que relativizam tudo, que só veem o que lhes convêm, que não toleram derrotas, que não sabem perdoar, que não aceitam a máxima de que "o seu direito acaba quando o do outro começa", que o mundo é a casa de todos e que todos respiram o mesmo ar, dividem os mesmos espaços e têm as mesmas necessidades.
Deliberadamente, essas pessoas não entendem que nem sempre é possível ser vitorioso em tudo. No nosso claudicante caminhar dos dias, às vezes ganhamos, outros perdemos; às vezes acertamos, outras erramos, vitórias e derrotas fazem parte do jogo da existência, e é exatamente quando perdemos e erramos que mais aprendemos.
Os "aborrecentes" são xenófobos, ciumentos, rudes e, sobretudo, do contra: "é fulano que faz? Não quero, é ruim, é mal feito". São pessoas que "escurecem luz de refletor de estádio"; que conseguem como diz o Prof. Marins, "azedar balde de sal de frutas".
Conheço muito bem os cidadãos que assim procedem. Eu mesmo fui, por muito tempo, um deles. Como fiz sofrer quem não merecia! Como sofri também, pois ninguém consegue amar um rabugento assim. As pessoas toleram, por conveniências, é claro! Mas amar? Bem, amar, é um pouquinho mais difícil.
Peço sempre perdão, até hoje, por isso. Sinceramente, quando me lembro de como eu era, sinto-me ridículo. Obrigo-me a tudo fazer para me distanciar deste padrão. Felizmente acordei da letargia. Hoje, ajo e penso totalmente diferente. Procuro entender as coisas do ponto de vista dos outros também, afinal, eles, "os outros", têm, também, os seus direitos, seus questionamentos e suas necessidades. Esforço-me para ver as coisas como realmente são, não apenas como eu quero que elas sejam, ou como me disseram que elas seriam.
É bom ser bom, já escrevi sobre isso, e acrescento: é bom compreender que as nossas aspirações nem sempre serão alcançadas. Para chegarmos até onde queremos, haverá sempre algumas barreiras e, se quisermos chegar, teremos de ultrapassá-las. Não basta querer, temos de fazer e, sobretudo, temos de tolerar.
A tolerância é, sem dúvida - ou deveria ser - a nossa companheira nessa trajetória. Viver é ultrapassar obstáculos, vencer concorrência e adversários, é vencer opiniões e embates, é seguir sempre em frente. Porém, quando as vitórias não acontecerem, devemos seguir com as derrotas e aprender com elas. Enfim: ganhar ou perder faz parte do jogo.

 * Domingos Pascoal é escritor