Com sangue nas veias

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A inflexão das ruas e o tumulto do slam
A inflexão das ruas e o tumulto do slam

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Publicada em 23/05/2019 às 22:46:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Os meus professores 
de literatura nunca 
chegaram a um acordo. Para uns, Chico Buarque merecia a reputação de um compositor de gênio. Outros diziam com todas as letras: É um poeta! O tempo passou, Bob Dylan esnobou os entendidos da Academia Sueca, o sambista foi agraciado com o prêmio Camões. Pra frente é que se anda. Se houvesse justiça no mundo, Allan Jones teria agora as mãos grandes em cima de um Grammy. 
'Luz dentro do caos' (2019), ousadia da banda Madame Javali, dá de ombros para qualquer limite estabelecido por convenção e transforma a música em veículo de uma verdadeira enxurrada de palavras. Em certa medida, o mesmo pode ser dito de qualquer canção. Mas na armada do poeta Allan Jones e o guitarrista Fábio Barros (Alunte), os versos preservam a inflexão das ruas, rescendem ao tumulto criativo próprio do slam. 
O projeto logo ganhou a adesão de João Mário (El Presidente), Gabriel Perninha (The Baggios) e Luno Torres (Plástico Lunar), instrumentistas com manha suficiente para dotar a experiência  de valor musical evidente. Aqui e ali, um verso é cantado, surge algo parecido com um refrão. Puro artifício de dinâmica. No todo, 'Luz dentro do caos' soa como uma extravagância literária, poesia com sangue nas veias.
Não é a primeira vez que um poeta digno da alcunha renega a tradição beletrista e renova a linguagem adoentada de pompa, com auxílio de outros meios, além de papel e caneta. Pedro Bomba é um bom exemplo de poeta disposto a tudo para se expressar em alto e bom som. O disco da banda Madame Javali se distingue, no entanto, pela consistência do produto. Poucos volumes de poesia, lançados às pencas por estas praias, chegaram a ponto de fazer tão bonito.
E ainda tem gente com a audácia de questionar a minha má vontade com as academias encarquilhadas de letras. Estes precisam ouvir a estreia da banda Madame Javali.  Há versos para todos os gostos. A mim, agrada a poesia que tem pulso, servida quente.
A quem interessar possa: 'Luz dentro do caos' está à disposição no Spotfy e Youtube.

Os meus professores  de literatura nunca  chegaram a um acordo. Para uns, Chico Buarque merecia a reputação de um compositor de gênio. Outros diziam com todas as letras: É um poeta! O tempo passou, Bob Dylan esnobou os entendidos da Academia Sueca, o sambista foi agraciado com o prêmio Camões. Pra frente é que se anda. Se houvesse justiça no mundo, Allan Jones teria agora as mãos grandes em cima de um Grammy. 
'Luz dentro do caos' (2019), ousadia da banda Madame Javali, dá de ombros para qualquer limite estabelecido por convenção e transforma a música em veículo de uma verdadeira enxurrada de palavras. Em certa medida, o mesmo pode ser dito de qualquer canção. Mas na armada do poeta Allan Jones e o guitarrista Fábio Barros (Alunte), os versos preservam a inflexão das ruas, rescendem ao tumulto criativo próprio do slam. 
O projeto logo ganhou a adesão de João Mário (El Presidente), Gabriel Perninha (The Baggios) e Luno Torres (Plástico Lunar), instrumentistas com manha suficiente para dotar a experiência  de valor musical evidente. Aqui e ali, um verso é cantado, surge algo parecido com um refrão. Puro artifício de dinâmica. No todo, 'Luz dentro do caos' soa como uma extravagância literária, poesia com sangue nas veias.
Não é a primeira vez que um poeta digno da alcunha renega a tradição beletrista e renova a linguagem adoentada de pompa, com auxílio de outros meios, além de papel e caneta. Pedro Bomba é um bom exemplo de poeta disposto a tudo para se expressar em alto e bom som. O disco da banda Madame Javali se distingue, no entanto, pela consistência do produto. Poucos volumes de poesia, lançados às pencas por estas praias, chegaram a ponto de fazer tão bonito.
E ainda tem gente com a audácia de questionar a minha má vontade com as academias encarquilhadas de letras. Estes precisam ouvir a estreia da banda Madame Javali.  Há versos para todos os gostos. A mim, agrada a poesia que tem pulso, servida quente.
A quem interessar possa: 'Luz dentro do caos' está à disposição no Spotfy e Youtube.