Brasil, pátria amada, salve salve

Geral

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Todo mundo tem um 
amigo com vergonha 
de vestir a camisa da seleção brasileira. Não é para menos. Adotada como uniforme pelos apoiadores do presidente Bolsonaro, a farda com as cores da bandeira nacional declara um patriotismo canhestro, completamente dissociado da realidade. Se o elenco escolhido por Tite anda ruim das pernas, convenhamos, o time escalado em Brasília joga pior ainda, só marca gol contra. 
A imagem é pobre, eu reconheço. Metáforas futebolísticas só deveriam ser cometidas por quem se emociona com o vai e vem da bola em jogo - e olhe lá! Mas, em termos de linguagem, sobra muito pouco a dizer sobre os "protestos a favor" do último domingo. Como sempre, a carência de ideias redunda em vocabulário ralo.
Os formadores de opinião e os militantes/torcedores de um lado e de outro passaram o domingo de olho na timeline, muito preocupados com as comparações de ordem numérica, ao gosto dos idiotas da objetividade identificados por Nelson Rodrigues em pleno alvorecer das passeatas. Pura perda de tempo. A bem da verdade, os números nunca dizem nada com nada. 
É forçoso reconhecer que o ato realizado de norte a sul do Brasil passou longe do fiasco, embora visivelmente mais tímido do que as manifestações do dia 15 de maio, quando a população foi às as ruas para cobrar o investimento necessário em educação. Mas a falta de imaginação dos bolsominions, expressa em gestos de arminha e coreografias de gincana escolar, sempre se mostrou a mais espaçosa. A turma é capaz de ocupar sete quarteirões ao longo da Avenida Paulista só para fazer barulho. Um repórter com a ingrata missão de encontrar ali uma proposta razoável voltaria para a redação com as mãos abanando, sem cumprir a pauta.
Brasil, pátria amada, salve salve. Estivesse vivo, Machado de Assis teria motivo para um novo capítulo só de negativas. Nenhum cartaz original, nenhuma palavra de ordem mais forte, nenhuma ideia nova. O protesto de domingo acabou ali mesmo, não gerou herdeiros, não transmitiu a ninguém o legado da própria miséria.

Todo mundo tem um  amigo com vergonha  de vestir a camisa da seleção brasileira. Não é para menos. Adotada como uniforme pelos apoiadores do presidente Bolsonaro, a farda com as cores da bandeira nacional declara um patriotismo canhestro, completamente dissociado da realidade. Se o elenco escolhido por Tite anda ruim das pernas, convenhamos, o time escalado em Brasília joga pior ainda, só marca gol contra. 
A imagem é pobre, eu reconheço. Metáforas futebolísticas só deveriam ser cometidas por quem se emociona com o vai e vem da bola em jogo - e olhe lá! Mas, em termos de linguagem, sobra muito pouco a dizer sobre os "protestos a favor" do último domingo. Como sempre, a carência de ideias redunda em vocabulário ralo.
Os formadores de opinião e os militantes/torcedores de um lado e de outro passaram o domingo de olho na timeline, muito preocupados com as comparações de ordem numérica, ao gosto dos idiotas da objetividade identificados por Nelson Rodrigues em pleno alvorecer das passeatas. Pura perda de tempo. A bem da verdade, os números nunca dizem nada com nada. 
É forçoso reconhecer que o ato realizado de norte a sul do Brasil passou longe do fiasco, embora visivelmente mais tímido do que as manifestações do dia 15 de maio, quando a população foi às as ruas para cobrar o investimento necessário em educação. Mas a falta de imaginação dos bolsominions, expressa em gestos de arminha e coreografias de gincana escolar, sempre se mostrou a mais espaçosa. A turma é capaz de ocupar sete quarteirões ao longo da Avenida Paulista só para fazer barulho. Um repórter com a ingrata missão de encontrar ali uma proposta razoável voltaria para a redação com as mãos abanando, sem cumprir a pauta.
Brasil, pátria amada, salve salve. Estivesse vivo, Machado de Assis teria motivo para um novo capítulo só de negativas. Nenhum cartaz original, nenhuma palavra de ordem mais forte, nenhuma ideia nova. O protesto de domingo acabou ali mesmo, não gerou herdeiros, não transmitiu a ninguém o legado da própria miséria.

 


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