Nâo é para tanto...

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Na flor dos anos
Na flor dos anos

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Publicada em 28/05/2019 às 22:47:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Com todo o respeito 
devido a milhares de 
fãs que jamais saberão desta coluna, a partida precoce do cantor Gabriel Diniz foi transformada em um espetáculo muito maior do que o seu trabalho. Embora tenha conhecido o lampejo artificial dos holofotes ainda em vida, a verdade nua e crua é uma só: o artista não deixa nenhum legado.
Sejamos francos, Gabriel Diniz foi um cantor mediano, igual a tantos outros. Conceda-se a ele, vá lá, a virtude de um homem obstinado. Emplacou um hit nas FM's financiadas com a grana suja do jabá, não há proveito em negar os fatos. Mas, não fosse a tragédia, o cantor seria um forte candidato ao completo esquecimento.
O amanhã a Deus pertence. Aqui e agora, no entanto, fica patente, mais uma vez, a inocuidade intelectual de alguns profissionais de imprensa, necrófilos da arte. Somente uma preocupante inclinação mórbida justifica o verniz lançado sobre a canção 'Jenifer', uma música enjoadinha, irmã gêmea de milhares, um sucesso descartável. Segundo um tal Felipe Betim, em artigo publicado no El País, o cantor foi "um cronista do amor nos tempos de match". Em determinada passagem do texto, o valente compara Gabriel Diniz com Chico Buarque, "o totem da MPB". Cá entre nós, não é caso para tanto.
Menos, muito menos. Nem Chico, nem Caetano, nem Nelson Golçalves, nem Cauby Peixoto, nem Paulinho da Viola, nem Reginaldo Rossi, nem Renato Teixeira, nem Cartola, nem Gil. Em todos os segmentos, há profissionais de variados quilates. Gabriel Diniz podia até chegar a conhecer o sucesso duradouro - quem quiser subestime a força da grana. Mas jamais ascenderia ao Olimpo da música popular brasileira.
Foi-se um homem jovem, na flor dos anos. É triste. O artista Gabriel Diniz, ao contrário, não fez por merecer as saudades de ninguém. As coisas são como são, alheias ao gosto meu e seu. Por pouco, no caixão do cantor, não jogam também o cadáver insepulto do jornalismo.

Com todo o respeito  devido a milhares de  fãs que jamais saberão desta coluna, a partida precoce do cantor Gabriel Diniz foi transformada em um espetáculo muito maior do que o seu trabalho. Embora tenha conhecido o lampejo artificial dos holofotes ainda em vida, a verdade nua e crua é uma só: o artista não deixa nenhum legado.
Sejamos francos, Gabriel Diniz foi um cantor mediano, igual a tantos outros. Conceda-se a ele, vá lá, a virtude de um homem obstinado. Emplacou um hit nas FM's financiadas com a grana suja do jabá, não há proveito em negar os fatos. Mas, não fosse a tragédia, o cantor seria um forte candidato ao completo esquecimento.
O amanhã a Deus pertence. Aqui e agora, no entanto, fica patente, mais uma vez, a inocuidade intelectual de alguns profissionais de imprensa, necrófilos da arte. Somente uma preocupante inclinação mórbida justifica o verniz lançado sobre a canção 'Jenifer', uma música enjoadinha, irmã gêmea de milhares, um sucesso descartável. Segundo um tal Felipe Betim, em artigo publicado no El País, o cantor foi "um cronista do amor nos tempos de match". Em determinada passagem do texto, o valente compara Gabriel Diniz com Chico Buarque, "o totem da MPB". Cá entre nós, não é caso para tanto.
Menos, muito menos. Nem Chico, nem Caetano, nem Nelson Golçalves, nem Cauby Peixoto, nem Paulinho da Viola, nem Reginaldo Rossi, nem Renato Teixeira, nem Cartola, nem Gil. Em todos os segmentos, há profissionais de variados quilates. Gabriel Diniz podia até chegar a conhecer o sucesso duradouro - quem quiser subestime a força da grana. Mas jamais ascenderia ao Olimpo da música popular brasileira.
Foi-se um homem jovem, na flor dos anos. É triste. O artista Gabriel Diniz, ao contrário, não fez por merecer as saudades de ninguém. As coisas são como são, alheias ao gosto meu e seu. Por pouco, no caixão do cantor, não jogam também o cadáver insepulto do jornalismo.