Guerra infinita

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Publicada em 31/05/2019 às 22:17:00

 

Entre todos os inimigos reais e 
imaginários eleitos pelo gover-
no Bolsonaro, nenhum é tão perigoso para os seus propósitos quanto os profissionais de educação. Articulados, engajados politicamente, favorecidos pela capilaridade própria da rede pública de ensino, professores e alunos já derrubaram um ministro. Se seguir na mesma toada beligerante, em clima de guerra infinita, Weintraub pode enveredar por um caminho sem volta, no rastro de Ricardo Vélez.
Aos membros do governo Bolsonaro não faltam apenas ideias, indispensáveis a qualquer um que se coloque à frente do destino do País. Falta também compostura, atenção ao decoro exigido pelo cargo. Neste particular, os seguidores do guru Olavo de Carvalho aboletados no primeiro escalão da República se comportam com especial estardalhaço. Ao invés de responderem às demandas da administração com projetos e dados, recorrem sempre à desqualificação e a galhofa. O destempero é tamanho, a ponto de provocar a reação da Procuradoria Geral e o Ministério Público.
Sobre as manifestações dos estudantes contrários aos cortes nas verbas de educação só caberia uma observação: trata-se de um direito democrático. Weintraub, no entanto, preferiu dar ao MEC poder de polícia e fez divulgar ameaças contra professores, estudantes e até pais de alunos. Para ele, "professores, servidores, funcionários, alunos, pais e responsáveis" não poderiam divulgar e estimular os protestos durante o horário escolar. Em nota, o MEC pediu à população para formalizar denúncias junto à ouvidoria do ministério.
Lá se vai mais uma excelente oportunidade para o ministro ficar calado. Desde o início do governo Bolsonaro, as universidades são atacadas como redutos militantes a serviço da esquerda. Weintraub chegou a caracterizar alguns campi como lugar de balbúrdia. Deu com os burros n'água. A régua ideológica adotada pelo presidente para disciplinar eventuais imposturas é palmatória que não assusta professores, nem estudantes.

Entre todos os inimigos reais e  imaginários eleitos pelo gover- no Bolsonaro, nenhum é tão perigoso para os seus propósitos quanto os profissionais de educação. Articulados, engajados politicamente, favorecidos pela capilaridade própria da rede pública de ensino, professores e alunos já derrubaram um ministro. Se seguir na mesma toada beligerante, em clima de guerra infinita, Weintraub pode enveredar por um caminho sem volta, no rastro de Ricardo Vélez.
Aos membros do governo Bolsonaro não faltam apenas ideias, indispensáveis a qualquer um que se coloque à frente do destino do País. Falta também compostura, atenção ao decoro exigido pelo cargo. Neste particular, os seguidores do guru Olavo de Carvalho aboletados no primeiro escalão da República se comportam com especial estardalhaço. Ao invés de responderem às demandas da administração com projetos e dados, recorrem sempre à desqualificação e a galhofa. O destempero é tamanho, a ponto de provocar a reação da Procuradoria Geral e o Ministério Público.
Sobre as manifestações dos estudantes contrários aos cortes nas verbas de educação só caberia uma observação: trata-se de um direito democrático. Weintraub, no entanto, preferiu dar ao MEC poder de polícia e fez divulgar ameaças contra professores, estudantes e até pais de alunos. Para ele, "professores, servidores, funcionários, alunos, pais e responsáveis" não poderiam divulgar e estimular os protestos durante o horário escolar. Em nota, o MEC pediu à população para formalizar denúncias junto à ouvidoria do ministério.
Lá se vai mais uma excelente oportunidade para o ministro ficar calado. Desde o início do governo Bolsonaro, as universidades são atacadas como redutos militantes a serviço da esquerda. Weintraub chegou a caracterizar alguns campi como lugar de balbúrdia. Deu com os burros n'água. A régua ideológica adotada pelo presidente para disciplinar eventuais imposturas é palmatória que não assusta professores, nem estudantes.