Festejos juninos em Sergipe

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Publicada em 12/06/2012 às 14:48:00

As festas juninas no Brasil são aguardadas ansiosamente. Em junho são celebrados os dias de Santo Antônio, São João e São Pedro. As comemorações têm suas raízes na colonização portuguesa e com a formação do povo brasileiro foram assimiladas e resignificadas. São religiosas e populares.  Contam com o apoio da Igreja que introduziu e conduz o culto a estes santos e contemplam as crendices populares.   
No estado de Sergipe o mês de junho é pura tradição. Da capital ao interior, impera nas cidades o clima junino com as bandeirinhas enfeitando as ruas e os estabelecimentos comerciais, o forte sabor das comidas de milho, as quadrilhas, a fogueira, o barulho dos fogos, os forrós. Um repleto balaio de elementos que caracterizam esse momento. Diante dessa efervescência Sergipe ficou conhecido como "país do forró". Embora, as tradições do mês de junho se estendam ao Nordeste.
A alegria e as programações vão do primeiro ao último dia deste mês. Santo Antônio dá início às comemorações. Do dia 1º ao dia 13 ocorre o seu trezenário. Os municípios de Aracaju, Itabaiana e Propriá são destaques. A celebração inicia-se com a programação religiosa, na qual os fiéis devotos manifestam os seus agradecimentos e pedidos. Unem-se a isso as atrações musicais em nível local e nacional.
Em Aracaju, a Colina do Santo Antônio é o local festivo. Em Itabaiana, a Festa do Caminhoneiro, dia 12, faz parte das comemorações. Há procissão com os sons das buzinas e a condução do santo pelas ruas da cidade, benção dos caminhoneiros. Propriá assim como Itabaiana que tem Santo Antônio como padroeiro, a animação contagia a cidade. Os ritos tradicionais católicos são marcados com missa, novena, procissão. Havendo também aí a benção dos caminhoneiros e o popular 'forró do comércio', que ocorre nos últimos dias de festa.
A devoção a este santo perpassa pela tradição popular de sê-lo casamenteiro. Assim, é comum encontrar jovens solteiras ou solteironas intercedendo a Santo Antônio por um namorado ou marido. Quem nunca ouviu a história de colocar o santo de cabeça para baixo até arranjar um namorado?! E dizem que dá certo.
Lembrando que o seu dia é 13 de junho antecedido pelo dia dos namorados, 12. Uma relação que possui sua interconexão. Fazendo parte da cultura popular há costumes, práticas de adivinhação, simpatias que estão presente no imaginário e na crença dos fiéis. As quadrilhas, barracas juninas, os shows com cantores da terra e em nível nacional complementam a programação das cidades abençoadas pelo Santo Antônio.
Junho tem um clima e um sabor especial para os sergipanos. Em suas manifestações denuncia aspectos da identidade desse povo. É a micro-história, as práticas do homem comum adentrando a história e caracterizando-o. Nessas comemorações juninas percebe-se a existência do tradicional e do inovador. Como a manutenção de crenças, costumes, ritmos antigos - o forró -, trajes, preservados pelos mais velhos, e a transformação destes ou resignificação por parte da geração mais nova.
As festas acontecem movidas pela tradição religiosa aos santos com a ritualística, fé, devoção e, pelas atrações musicas - estas com maior peso para os reconhecidos nacionalmente - que alegram e motivam os mais jovens. Assim, esse tipo de manifestação popular revela elementos do pensar, ser e agir do homem sergipano denunciando a dinâmica histórica de continuidades e rupturas.          
REFERÊNCIA:
CORRÊA, Antônio Wanderley de Melo; NEVES, Maurício da Conceição; ANJOS, Marcos Vinícius Melo dos. Sergipe sociedade e cultura. Aracaju: Ed. Do Autor, 2007.  

* Juliana Fabricia Oliveira Nascimento é graduada em História Licenciatura Plena pela Universidade Tiradentes. Pós-Graduada em Ensino de História: Novas Abordagens pela Faculdade São Luís de França.