Maioria dos homicídios em SE é de jovens entre 15 e 29 anos

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
A previsão da SSP é de que um novo balanço estatístico dos homicídios e mortes violentas em Sergipe seja divulgado nesta semana
A previsão da SSP é de que um novo balanço estatístico dos homicídios e mortes violentas em Sergipe seja divulgado nesta semana

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 08/06/2019 às 14:47:00

 

Gabriel Damásio
A maioria dos assas
sinatos registrados 
em Sergipe tem como vítimas os homens jovens, com idade entre 15 e 29 anos. Esta é uma das constatações do Atlas da Violência 2019, divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento se baseou em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde (SIM/MS), os quais se referem aos crimes ocorridos em 2017. De acordo com os dados, dos 1.313 homicídios ocorridos em Sergipe no ano retrasado, 767 foram de jovens desta faixa etária - 728 destas vítimas eram homens. 
O total apurado equivale a uma média de homicídios bem acima da média nacional. Se for contabilizado o total de pessoas jovens mortas dividido por 100 mil habitantes desta faixa etária, a taxa de homicídios obtida por Sergipe é de 125,5, o que coloca o estado em sexto lugar em assassinatos de jovens. À frente dele, ficaram os estados do Acre, Alagoas, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte (primeiro lugar do ranking, com 152,3 homicídios por grupo). Se forem contadas apenas as mortes de jovens do sexo masculino, o índice de Sergipe dispara para 240,5 homicídios por grupo de 100 mil. E o estado passa a ser o quinto do ranking, ultrapassando o Acre. 
Os dados do Atlas da Violência trazem também uma boa notícia neste quesito: os números e os índices alcançados por Sergipe em 2017 caíram em relação aos dados de 2016, ano em que 869 jovens entre 15 e 29 anos, incluindo 847 homens, perderam a vida em crimes violentos. Na comparação do período de um ano, a redução foi de 12,1% no total de jovens mortos - e 14,3% no caso dos homens jovens. Neste caso, a redução dos crimes em Sergipe só não foi menor do que a ocorrida em quatro estados: Paraná, Piauí, Rondônia e Distrito Federal. E 2017 foi o primeiro ano em que houve queda nos dados, após uma alta média de 160% nos crimes em um intervalo de 10 anos (2007-2017).
No Brasil, de acordo com o próprio Atlas, 35.783 jovens entre 15 e 29 anos foram assassinados em 2017, total que ficou 6,5% maior em relação ao ano anterior. Isso dá uma assustadora média nacional de 69,9 homicídios por 100 mil habitantes da mesma faixa etária. "Além da tragédia humana, os homicídios de jovens geram consequências sobre o desenvolvimento econômico e redundam em substanciais custos para o país. (...) Esse recorde nos índices da juventude perdida se dá exatamente no momento em que o país passa pela maior transição demográfica de sua história, rumo ao envelhecimento, o que impõe maior gravidade ao fenômeno", diz o relatório do Atlas, citando que "as mortes violentas de jovens custaram ao Brasil cerca de 1,5% do PIB nacional em 2010". 
O recorte específico da análise dos dados nesta faixa etária reflete uma preocupação grande dos pesquisadores e especialistas em segurança: a falta de políticas públicas que incluam os jovens na sociedade e os preparem para ingressar no mercado de trabalho. Para os autores do levantamento, a criminalidade violenta vem sendo fortemente relacionada ao sexo masculino e ao grupo etário dos jovens de 15 a 29 anos, o que explica a presença expressiva deste público como a maior parte das vítimas mortais da violência urbana. 
"A redução da violência letal entre jovens, dessa forma, é um importante quesito para a redução dos homicídios no Brasil. Nesse ponto, é fundamental que se façam investimentos na juventude, por meio de políticas focalizadas nos territórios mais vulneráveis socioeconomicamente, de modo a garantir condições de desenvolvimento infanto-juvenil, acesso à educação, cultura e esportes, além de mecanismos para facilitar o ingresso do jovem no mercado de trabalho. Inúmeros trabalhos científicos internacionais, como os do Prêmio Nobel James Heckman, mostram que é muito mais barato investir na primeira infância e juventude para evitar que a criança de hoje se torne o criminoso de amanhã, do que aportar recursos nas infrutíferas e dispendiosas ações de repressão bélica ao crime na ponta e encarceramento", conclui a pesquisa. 
Dados gerais - O Atlas produzido pelo Ipea e pelo FBSP teve outros destaques relacionados a Sergipe. Um deles foi a redução de 10,4 % na média geral dos homicídios ocorridos no estado em 2017. O total geral dos homicídios, incluindo todas as faixas etárias e sexos, foi de 1.313 no ano retrasado, contra 1.465 casos anotados em 2016. Em relação à taxa de homicídios, na qual o total numérico é dividido por 100 mil habitantes, Sergipe ficou com a média de 57,4 mortes, ficando em quarto lugar no ranking, atrás apenas de Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. 
Outro dado de destaque se refere à população negra, que também aparece como maioria absoluta das vítimas de homicídio. Pelos dados do Atlas, foram 1.232 mortes de pessoas consideradas negras, incluindo as classificadas como pretas ou pardas, contra 79 vítimas enquadradas como brancas, amarelas e indígenas. A estatística eleva a média de homicídios de Sergipe para 68,8 mortes de negros por 100 mil pessoas da mesma raça (quarta mais alta do país). Segundo os pesquisadores, o dado mostra que, em nosso estado, uma pessoa negra tem 4,3 vezes mais chances de ser assassinada em relação a uma não-negra. É o chamado 'índice de vitimização', que foi mais alto ainda nos estados da Paraíba (líder do ranking), do Ceará e do Rio Grande do Norte.
Apesar destes dados ainda colocarem nosso estado entre os mais violentos, a redução no Atlas foi bem recebida pelas autoridades policiais do Estado, já que ele já figurou como líder da mesma tabela, em 2016. Dados recentes divulgados pelo próprio Fórum e pelo Ceacrim (Centro de Estatísticas e Análises Criminais), ligado à Secretaria da Segurança Pública (SSP), também vêm apontando reduções seguidas nos índices de homicídios em Sergipe. Pelo último levantamento, Sergipe foi o quinto estado com menos homicídios registrados no período no início de 2019, com redução de 29,8%. Entre janeiro e fevereiro do ano passado, foram 198 homicídios registrados, e no primeiro bimestre de 2019, o índice reduziu para 139, com tendência projetada de queda.
A previsão da SSP é de que um novo balanço estatístico dos homicídios e mortes violentas em Sergipe seja divulgado nesta semana.

Gabriel Damásio

A maioria dos assas sinatos registrados  em Sergipe tem como vítimas os homens jovens, com idade entre 15 e 29 anos. Esta é uma das constatações do Atlas da Violência 2019, divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento se baseou em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde (SIM/MS), os quais se referem aos crimes ocorridos em 2017. De acordo com os dados, dos 1.313 homicídios ocorridos em Sergipe no ano retrasado, 767 foram de jovens desta faixa etária - 728 destas vítimas eram homens. 
O total apurado equivale a uma média de homicídios bem acima da média nacional. Se for contabilizado o total de pessoas jovens mortas dividido por 100 mil habitantes desta faixa etária, a taxa de homicídios obtida por Sergipe é de 125,5, o que coloca o estado em sexto lugar em assassinatos de jovens. À frente dele, ficaram os estados do Acre, Alagoas, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte (primeiro lugar do ranking, com 152,3 homicídios por grupo). Se forem contadas apenas as mortes de jovens do sexo masculino, o índice de Sergipe dispara para 240,5 homicídios por grupo de 100 mil. E o estado passa a ser o quinto do ranking, ultrapassando o Acre. 
Os dados do Atlas da Violência trazem também uma boa notícia neste quesito: os números e os índices alcançados por Sergipe em 2017 caíram em relação aos dados de 2016, ano em que 869 jovens entre 15 e 29 anos, incluindo 847 homens, perderam a vida em crimes violentos. Na comparação do período de um ano, a redução foi de 12,1% no total de jovens mortos - e 14,3% no caso dos homens jovens. Neste caso, a redução dos crimes em Sergipe só não foi menor do que a ocorrida em quatro estados: Paraná, Piauí, Rondônia e Distrito Federal. E 2017 foi o primeiro ano em que houve queda nos dados, após uma alta média de 160% nos crimes em um intervalo de 10 anos (2007-2017).
No Brasil, de acordo com o próprio Atlas, 35.783 jovens entre 15 e 29 anos foram assassinados em 2017, total que ficou 6,5% maior em relação ao ano anterior. Isso dá uma assustadora média nacional de 69,9 homicídios por 100 mil habitantes da mesma faixa etária. "Além da tragédia humana, os homicídios de jovens geram consequências sobre o desenvolvimento econômico e redundam em substanciais custos para o país. (...) Esse recorde nos índices da juventude perdida se dá exatamente no momento em que o país passa pela maior transição demográfica de sua história, rumo ao envelhecimento, o que impõe maior gravidade ao fenômeno", diz o relatório do Atlas, citando que "as mortes violentas de jovens custaram ao Brasil cerca de 1,5% do PIB nacional em 2010". 
O recorte específico da análise dos dados nesta faixa etária reflete uma preocupação grande dos pesquisadores e especialistas em segurança: a falta de políticas públicas que incluam os jovens na sociedade e os preparem para ingressar no mercado de trabalho. Para os autores do levantamento, a criminalidade violenta vem sendo fortemente relacionada ao sexo masculino e ao grupo etário dos jovens de 15 a 29 anos, o que explica a presença expressiva deste público como a maior parte das vítimas mortais da violência urbana. 
"A redução da violência letal entre jovens, dessa forma, é um importante quesito para a redução dos homicídios no Brasil. Nesse ponto, é fundamental que se façam investimentos na juventude, por meio de políticas focalizadas nos territórios mais vulneráveis socioeconomicamente, de modo a garantir condições de desenvolvimento infanto-juvenil, acesso à educação, cultura e esportes, além de mecanismos para facilitar o ingresso do jovem no mercado de trabalho. Inúmeros trabalhos científicos internacionais, como os do Prêmio Nobel James Heckman, mostram que é muito mais barato investir na primeira infância e juventude para evitar que a criança de hoje se torne o criminoso de amanhã, do que aportar recursos nas infrutíferas e dispendiosas ações de repressão bélica ao crime na ponta e encarceramento", conclui a pesquisa. 

Dados gerais - O Atlas produzido pelo Ipea e pelo FBSP teve outros destaques relacionados a Sergipe. Um deles foi a redução de 10,4 % na média geral dos homicídios ocorridos no estado em 2017. O total geral dos homicídios, incluindo todas as faixas etárias e sexos, foi de 1.313 no ano retrasado, contra 1.465 casos anotados em 2016. Em relação à taxa de homicídios, na qual o total numérico é dividido por 100 mil habitantes, Sergipe ficou com a média de 57,4 mortes, ficando em quarto lugar no ranking, atrás apenas de Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. 
Outro dado de destaque se refere à população negra, que também aparece como maioria absoluta das vítimas de homicídio. Pelos dados do Atlas, foram 1.232 mortes de pessoas consideradas negras, incluindo as classificadas como pretas ou pardas, contra 79 vítimas enquadradas como brancas, amarelas e indígenas. A estatística eleva a média de homicídios de Sergipe para 68,8 mortes de negros por 100 mil pessoas da mesma raça (quarta mais alta do país). Segundo os pesquisadores, o dado mostra que, em nosso estado, uma pessoa negra tem 4,3 vezes mais chances de ser assassinada em relação a uma não-negra. É o chamado 'índice de vitimização', que foi mais alto ainda nos estados da Paraíba (líder do ranking), do Ceará e do Rio Grande do Norte.
Apesar destes dados ainda colocarem nosso estado entre os mais violentos, a redução no Atlas foi bem recebida pelas autoridades policiais do Estado, já que ele já figurou como líder da mesma tabela, em 2016. Dados recentes divulgados pelo próprio Fórum e pelo Ceacrim (Centro de Estatísticas e Análises Criminais), ligado à Secretaria da Segurança Pública (SSP), também vêm apontando reduções seguidas nos índices de homicídios em Sergipe. Pelo último levantamento, Sergipe foi o quinto estado com menos homicídios registrados no período no início de 2019, com redução de 29,8%. Entre janeiro e fevereiro do ano passado, foram 198 homicídios registrados, e no primeiro bimestre de 2019, o índice reduziu para 139, com tendência projetada de queda.
A previsão da SSP é de que um novo balanço estatístico dos homicídios e mortes violentas em Sergipe seja divulgado nesta semana.