Em clima de Guerra Fria

Geral

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Os ponteiros do relógio 
mundial endoida
ram, começaram a andar para trás. Hoje, tal e qual nos anos de Guerra Fria, fontes oficiais e o sujeito armado com as teorias da conspiração mais cabeludas , embriagado de verdades servidas no boteco da esquina, têm a mesma credibilidade. Um só fato é cúmplice das mais diferentes versões.
A forma da Terra, os doze passos de Armstrong na superfície da lua, o julgamento arbitrário do ex presidente Lula, tudo é tratado como matéria de opinião. A julgar pelos protestos na fila do banco, as forças ocultas não sabem mais o que é descanso. Pelo que se diz por aí, as coitadas nunca trabalharam tanto.
Jogaram tudo para o alto. Nem as páginas numeradas da História estão a salvo de confusão. Episódios fartamente documentados viraram objeto de disputa ideológica. A repercussão política de 'Chernobyl', o drama histórico da HBO, é um excelente exemplo dos laços paranoicos atando os extremos. 
Vladimir Putin, o todo poderoso presidente da Rússia, transformou a série em assunto de Estado. Ex agente da KGB, ele quer presentear o mundo com uma  perspectiva original sobre episódio histórico e prometeu mover céus e terra para  chutar a bunda gorda do Tio Sam.
O papoco ocorreu na Ucrânia, à época de minhas calças curtas. Em 1986, uma explosão na usina de Chernobyl deu fim trágico a dezenas de pessoas, vítimas do maior acidente nuclear da história. Na série da HBO, o cientista Valery Legasov (Jared Harris), a física Ulana Khomyuk (Emily Watson) e o vice-presidente do Conselho de Ministros Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård) investigam as causas do acidente. No mundo real, a televisão estatal russa anuncia que está trabalhando em sua própria versão.
O diretor Aleksey Muradov afirmou que mostrará somente "o que realmente aconteceu". Segundo ele, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) teve envolvimento direto no desastre. De acordo com a revista americana Hollywood Reporter, o Ministério da Cultura russo investiu US$ 463.000 na produção.
'Chernobyl' renova o fôlego de uma queda de braço amparada em um delírio perigoso, a pretensão totalitária de exercer alguma espécie de controle sobre o pensamento. Faz pensar mais uma vez em 'O triunfo da vontade' - um filme impressionante, de propósito horroroso. Em tal embate, a linguagem audiovisual tem o poder de fogo de um canhão.

Os ponteiros do relógio  mundial endoida ram, começaram a andar para trás. Hoje, tal e qual nos anos de Guerra Fria, fontes oficiais e o sujeito armado com as teorias da conspiração mais cabeludas , embriagado de verdades servidas no boteco da esquina, têm a mesma credibilidade. Um só fato é cúmplice das mais diferentes versões.
A forma da Terra, os doze passos de Armstrong na superfície da lua, o julgamento arbitrário do ex presidente Lula, tudo é tratado como matéria de opinião. A julgar pelos protestos na fila do banco, as forças ocultas não sabem mais o que é descanso. Pelo que se diz por aí, as coitadas nunca trabalharam tanto.
Jogaram tudo para o alto. Nem as páginas numeradas da História estão a salvo de confusão. Episódios fartamente documentados viraram objeto de disputa ideológica. A repercussão política de 'Chernobyl', o drama histórico da HBO, é um excelente exemplo dos laços paranoicos atando os extremos. 
Vladimir Putin, o todo poderoso presidente da Rússia, transformou a série em assunto de Estado. Ex agente da KGB, ele quer presentear o mundo com uma  perspectiva original sobre episódio histórico e prometeu mover céus e terra para  chutar a bunda gorda do Tio Sam.
O papoco ocorreu na Ucrânia, à época de minhas calças curtas. Em 1986, uma explosão na usina de Chernobyl deu fim trágico a dezenas de pessoas, vítimas do maior acidente nuclear da história. Na série da HBO, o cientista Valery Legasov (Jared Harris), a física Ulana Khomyuk (Emily Watson) e o vice-presidente do Conselho de Ministros Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård) investigam as causas do acidente. No mundo real, a televisão estatal russa anuncia que está trabalhando em sua própria versão.
O diretor Aleksey Muradov afirmou que mostrará somente "o que realmente aconteceu". Segundo ele, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) teve envolvimento direto no desastre. De acordo com a revista americana Hollywood Reporter, o Ministério da Cultura russo investiu US$ 463.000 na produção.
'Chernobyl' renova o fôlego de uma queda de braço amparada em um delírio perigoso, a pretensão totalitária de exercer alguma espécie de controle sobre o pensamento. Faz pensar mais uma vez em 'O triunfo da vontade' - um filme impressionante, de propósito horroroso. Em tal embate, a linguagem audiovisual tem o poder de fogo de um canhão.

 


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