O mesmo Forró Caju de sempre

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O mesmo, mais acanhado
O mesmo, mais acanhado

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Publicada em 14/06/2019 às 22:53:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O prefeito Edvaldo 
Nogueira fez como 
gato escaldado. Depois de sofrer desgaste político imenso, na forma de uma dívida assumida com os artistas sergipanos, ele tinha mesmo razão para ficar desconfiado e adotar todo o cuidado do mundo. Ontem, às vésperas do evento, a programação completa do Forró Caju 2019 finalmente foi anunciada.
Para o bem ou para o mal, a estrutura da festa encolheu um bocado. Um arraial e um palco, apenas. Entre as atrações, grupos folclóricos, quadrilhas, artistas de todos os gêneros e origens. Amorosa, Lucas Campo, Mestrinho e Trio Nordestino honram a louvável tradição do cancioneiro regional com um forró autêntico, enraizado, enquanto desnaturados da estirpe de um tal Luan Estilizado acenam às massas. Como se vê, afora as restrições orçamentárias, o Forró Caju 2019 será o mesmo de sempre.
Uma pena. À frente do extinto Ministério da Cultura, durante o breve e controverso governo Michel Temer, de triste memória, Sérgio Sá Leitão prometeu colocar a diferença entre o investimento realizado no Forró Caju e a receita gerada em forma de imposto na ponta do lápis. Seria uma maneira de defender o investimento em Cultura, sempre na mira dos reacionários. Mas acontece que o estudo realizado em Sergipe nunca foi divulgado. Assim, o potencial econômico dos chamados grandes eventos, principal argumento em favor da aculturação dos festejos juninos no estado, não passa de mero palpite, uma aposta.
Como diria o jornalista Clóvis Rossi, decano da Folha de São Paulo, que acaba de passar desta pra melhor, depois de conquistar o reconhecimento do dever cumprido: as pessoas têm direito à própria opinião, mas não aos próprios fatos. Há quem goste do Forró Caju exatamente como ele é, sem sinal de devoção aos santos de junho. Paciência. O desserviço prestado em termos de Cultura e identidade local, no entanto, merece o nome feio de truísmo. 
Acanhado, o Forró Caju perde a imponência dos melhores dias, sem condições de ostentar a dignidade de uma relação profunda com o chão da aldeia. Falta ambição. Aparentemente, ninguém aqui tem a pretensão de um dia colocar Sergipe no mapa.

O prefeito Edvaldo  Nogueira fez como  gato escaldado. Depois de sofrer desgaste político imenso, na forma de uma dívida assumida com os artistas sergipanos, ele tinha mesmo razão para ficar desconfiado e adotar todo o cuidado do mundo. Ontem, às vésperas do evento, a programação completa do Forró Caju 2019 finalmente foi anunciada.
Para o bem ou para o mal, a estrutura da festa encolheu um bocado. Um arraial e um palco, apenas. Entre as atrações, grupos folclóricos, quadrilhas, artistas de todos os gêneros e origens. Amorosa, Lucas Campo, Mestrinho e Trio Nordestino honram a louvável tradição do cancioneiro regional com um forró autêntico, enraizado, enquanto desnaturados da estirpe de um tal Luan Estilizado acenam às massas. Como se vê, afora as restrições orçamentárias, o Forró Caju 2019 será o mesmo de sempre.
Uma pena. À frente do extinto Ministério da Cultura, durante o breve e controverso governo Michel Temer, de triste memória, Sérgio Sá Leitão prometeu colocar a diferença entre o investimento realizado no Forró Caju e a receita gerada em forma de imposto na ponta do lápis. Seria uma maneira de defender o investimento em Cultura, sempre na mira dos reacionários. Mas acontece que o estudo realizado em Sergipe nunca foi divulgado. Assim, o potencial econômico dos chamados grandes eventos, principal argumento em favor da aculturação dos festejos juninos no estado, não passa de mero palpite, uma aposta.
Como diria o jornalista Clóvis Rossi, decano da Folha de São Paulo, que acaba de passar desta pra melhor, depois de conquistar o reconhecimento do dever cumprido: as pessoas têm direito à própria opinião, mas não aos próprios fatos. Há quem goste do Forró Caju exatamente como ele é, sem sinal de devoção aos santos de junho. Paciência. O desserviço prestado em termos de Cultura e identidade local, no entanto, merece o nome feio de truísmo. 
Acanhado, o Forró Caju perde a imponência dos melhores dias, sem condições de ostentar a dignidade de uma relação profunda com o chão da aldeia. Falta ambição. Aparentemente, ninguém aqui tem a pretensão de um dia colocar Sergipe no mapa.