PAVÃO MISTERIOSO

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Publicada em 18/06/2019 às 23:27:00

 

* Lelê Teles
"Morreu Serguei", gritou Punkito, o anão de moicano e camiseta do Dead Kennedys, levantando em libação um copo de tequila.
"Serguei é o máximo", completou a minúscula criatura.
Em seguida, lambeu o sal, chupou o limão, careteou e voltou a se sentar na cadeirinha de bebê à nossa mesa, as perninhas agitadas.
Aqui no boteco da minha aldeia tem um bloqueador de celular e é proibido acessar a internet.
Mas é permitido falar sobre o que se passa na rede.
"Quem vocês acham que é o Pavão Misterioso?", quis saber Leôncio sobre a ave trendtópica. 
 "Carluxo é o pavão", sentenciou Siguimundo, o psico analista.
"Como você sabe disso, Sig?", quis saber o anão.
 "A cauda", respondeu o psico, "o cabra deixou o rabo de fora".
"Por falar em rabo",  alertou Leôncio, limpando a gordura do torresmo no próprio bigode, "viram que o ex-senador Roberto Requião tuitou sugerindo que Dallagnol e Moro são cônjes?" 
Disse isso e lembrou que Requião formou essa convicção após ler uma mensagem, interceptada pelo Intercept, que vai além das já conhecidas puxações de saco e babações de ovo.
É que numa misteriosa troca de telegrâmicas mensagens, o imberbe coroinha do MPF enviou ao seu ídolo, Marreco Russo, um trecho do Cântico de Salomão, eis a estrofe:
"Caro, tu és para mim como uma macieira entre os arbustos; como é bom estar ajoelhado à tua sombra, e como é gostoso o teu fruto em minha boca."
"A imagem é clara", disse Leôncio, "nem precisa pedir o VAR".
Vai vendo.
Quem também tuitou sobre homossexualidade foi o terraplanista Olavo de Carvalho.
Ladeado por um esférico globo terrestre que girava em sua mesa, o culólogo da Virgínia alcunhou o nobre parlamentar carioca de Alexandre Fruta.
E nisso fez algumas referências grosseiras sobre o fiofó do jovem ator encanecido.
O velho Olavo, como se sabe, sofre de uma delirante e paranóica obsessão anal.
Já Jean, o Wllys, disse com todos os caracteres que o Twitter permite que Carluxo, o infante, deveria assumir sua homossexualidade e ser como ele, Jean, uma bicha inteligente e orgulhosa.
É que o casal Glenn e Miranda trouxe à superfície essa coisa do orgulho gay.
Quem não tem orgulho desses caras? 
"Ninguém solta a mão do Glenn", gritou o anão.
Mas o diabo é que Carluxo se encontra em uma sinuca de bico: se assume sua homossexualidade ele, automaticamente, arranca o primo do closet.
E você sabe, nem todo mundo é Jean e Requião pra ficar dizendo quem é e quem não é gay, deixa que as pessoas se decidam.
 "Carluxo", disse o psico analista depois de ouvir esse relato, "sofre do complexo do Édipo Gay".
"Não é Édipo Rei?", corrigiu Leôncio.
"Não, há a versão gay de Édipo: ele derrota a mãe numa refrega política , provocando sua morte simbólica, para dar vazão à sua tara pelo pai opressor, materializado na figura de um índio, o lendário Cacique Papacu".
 "Sábia observação", observou Punkito.
"Sapientíssimas palavras", completou.
"O que Carluxo fazia sentado na garupa do Rolls Royce na posse do pai?", perguntou o psico analista de boteco.
E ele mesmo respondeu, "ora, ele exibia ali sua longa cauda de pavão em leque, revelando mais uma vez uma pulsão recalcada, o desejo latente e ardente de se imiscuir na alcova do progenitor, matando agora a madrasta intrusa."
E nada mais foi dito.
Questões enigmáticas.
* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista

* Lelê Teles

"Morreu Serguei", gritou Punkito, o anão de moicano e camiseta do Dead Kennedys, levantando em libação um copo de tequila.
"Serguei é o máximo", completou a minúscula criatura.
Em seguida, lambeu o sal, chupou o limão, careteou e voltou a se sentar na cadeirinha de bebê à nossa mesa, as perninhas agitadas.
Aqui no boteco da minha aldeia tem um bloqueador de celular e é proibido acessar a internet.
Mas é permitido falar sobre o que se passa na rede.
"Quem vocês acham que é o Pavão Misterioso?", quis saber Leôncio sobre a ave trendtópica. 
 "Carluxo é o pavão", sentenciou Siguimundo, o psico analista.
"Como você sabe disso, Sig?", quis saber o anão.
 "A cauda", respondeu o psico, "o cabra deixou o rabo de fora".
"Por falar em rabo",  alertou Leôncio, limpando a gordura do torresmo no próprio bigode, "viram que o ex-senador Roberto Requião tuitou sugerindo que Dallagnol e Moro são cônjes?" 
Disse isso e lembrou que Requião formou essa convicção após ler uma mensagem, interceptada pelo Intercept, que vai além das já conhecidas puxações de saco e babações de ovo.
É que numa misteriosa troca de telegrâmicas mensagens, o imberbe coroinha do MPF enviou ao seu ídolo, Marreco Russo, um trecho do Cântico de Salomão, eis a estrofe:
"Caro, tu és para mim como uma macieira entre os arbustos; como é bom estar ajoelhado à tua sombra, e como é gostoso o teu fruto em minha boca."
"A imagem é clara", disse Leôncio, "nem precisa pedir o VAR".
Vai vendo.
Quem também tuitou sobre homossexualidade foi o terraplanista Olavo de Carvalho.
Ladeado por um esférico globo terrestre que girava em sua mesa, o culólogo da Virgínia alcunhou o nobre parlamentar carioca de Alexandre Fruta.
E nisso fez algumas referências grosseiras sobre o fiofó do jovem ator encanecido.
O velho Olavo, como se sabe, sofre de uma delirante e paranóica obsessão anal.
Já Jean, o Wllys, disse com todos os caracteres que o Twitter permite que Carluxo, o infante, deveria assumir sua homossexualidade e ser como ele, Jean, uma bicha inteligente e orgulhosa.
É que o casal Glenn e Miranda trouxe à superfície essa coisa do orgulho gay.
Quem não tem orgulho desses caras? 
"Ninguém solta a mão do Glenn", gritou o anão.
Mas o diabo é que Carluxo se encontra em uma sinuca de bico: se assume sua homossexualidade ele, automaticamente, arranca o primo do closet.
E você sabe, nem todo mundo é Jean e Requião pra ficar dizendo quem é e quem não é gay, deixa que as pessoas se decidam.
 "Carluxo", disse o psico analista depois de ouvir esse relato, "sofre do complexo do Édipo Gay".
"Não é Édipo Rei?", corrigiu Leôncio.
"Não, há a versão gay de Édipo: ele derrota a mãe numa refrega política , provocando sua morte simbólica, para dar vazão à sua tara pelo pai opressor, materializado na figura de um índio, o lendário Cacique Papacu".
 "Sábia observação", observou Punkito.
"Sapientíssimas palavras", completou.
"O que Carluxo fazia sentado na garupa do Rolls Royce na posse do pai?", perguntou o psico analista de boteco.E ele mesmo respondeu, "ora, ele exibia ali sua longa cauda de pavão em leque, revelando mais uma vez uma pulsão recalcada, o desejo latente e ardente de se imiscuir na alcova do progenitor, matando agora a madrasta intrusa."
E nada mais foi dito.
Questões enigmáticas.

* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista