HOLOCAUSTO BRASILEIRO (II)

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Publicada em 21/06/2019 às 22:37:00

 

* Manoel Moacir Costa Macêdo
O sistema prisional brasileiro, pode 
ser qualificado como mais um 
"holocausto à brasileira", tal qual o "Centro Hospitalar Psiquiátrico", conhecido como "Colônia", em Barbacena, Minas Gerais, onde pelo menos "60 mil internos morreram". Permaneceu em silêncio, até os anos oitenta. As cadeias brasileiras, são masmorras medievais que matam, estrupam, e transformam delinquentes primários em perigosos criminosos. Não corrigem, ao contrário, maltratam, torturam, corrompem e profissionalizam. Os cárceres brasileiros, são qualificadas "universidades do crime organizado, de quadrilhas, facções e rebeliões". Lá estão, os torturados pela injustiça .
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, a combativa OAB, recentemente mostrou, que existem 800 mil encarcerados no País, com uma idade média de 30 anos, e 90% sem o ensino médio. Um exército de esquecidos, de pobres, negros e jovens. Deserdados da sorte, da família e da sociedade. Sobrevivem como desumanos em escuros calabouços, negados dos elementares valores da vida, como higiene, alimentação, trabalho, educação e orientação. Jogados à deriva, e violados os "direitos e garantias individuais" cravados na Constituição Federal do Brasil. Uma população à margem dos valores elementares da civilização. Um amontoado de seres humanos, enjaulados como bichos. Onde cabe um, estão três. Depósito de excluídos, nascidos na Terra de Santa Cruz, predominante cristã, filhos de um mesmo pai e de uma mesma mãe pela graça espiritual, mas abandonados da máxima divina de "amar ao próximo como a si mesmo". 
Esse "holocausto a brasileira", mata, discrimina e exclui. Não recupera e nem insere no meio social, além de ineficiente na prevenção. Apenas 2% dos delitos são identificados pelo aparato policial. Existem 500 mil mandados de prisão em aberto. O Brasil, possui a terceira maior população carcerária do mundo, atrás dos Estados Unidos e da Rússia. O Brasil, prende muito, e prende mal. Evidência do perverso modelo prisional, reproduzido no tempo como vingança e exclusão, jamais como justiça e correção. Uma polícia que mais mata e morre no mundo. Aritmética dos horrores desse holocausto silencioso, para quem não quer ver e ouvir os gritos de salvação de "irmãos marianos". Seculares injustiças, despercebidas pelos poderes republicanos.
A violência brasileira, não para de crescer. Os indicadores são os piores comparados aos países desenvolvidos, a quase um século atrás. Ano após ano, aumentam os assassinatos no Brasil. Em 2017 foram sessenta e cinco mil mortes violentas e intencionais. Em torno de 179 vidas ceifadas por dia, numa sociedade dita passiva e cristã.  Os jovens são as maiores vítimas desse holocausto, 69,9 mortes por 100 mil habitantes. Os homicídios de negras cresceram 33% em dez anos. O Brasil concentra 14% dos homicídios do mundo. Em alguns Estados superam o patamar de 31,6 homicídios para cada 100 mil habitantes. Uma rotina agonizante de assassinatos cruéis, na cidade, no campo e nos podres presídios brasileiros. A indignação social, adormece na insensibilidade. 
Não existem, intervenções estruturantes e estratégicas para atacar essa tragédia anunciada, conhecida e consentida. Comemorações a mais um presidio, e menos uma escola. Um caldeirão de pólvora explodindo a cada dia, sem ser ouvido, por uma sociedade insensível, elitista e hipócrita com as mazelas dos pobres, deserdados e miseráveis. Rostos retratados por padecimentos algozes Uma perversidade acolhida. Castro Alves, poeta abolicionista da escravidão negra, raiz da persistente desigualdade, clamou no longínquo passado aos deuses dos miseráveis no poema épico "O Navio Negreiro": "Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura ... se é verdade. Tanto horror perante os céus?!". Na incapacidade de iluminar pelas mãos humanas essa escuridão na terra, onde "Deus é brasileiro e aqui plantando tudo dá", rogamos os milagres luminosos da pós-materialidade: "a desigualdade social, é obra do homem e não de Deus".
* Manoel Moacir Costa Macêdo, Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

A violência brasileira, não para de crescer. Os indicadores são os piores comparados aos países desenvolvidos, a quase um século atrás. Ano após ano, aumentam os assassinatos no Brasil. Em 2017 foram sessenta e cinco mil mortes violentas e intencionais. Em torno de 179 vidas ceifadas por dia, numa sociedade dita passiva e cristã.  Os jovens são as maiores vítimas desse holocausto, 69,9 mortes por 100 mil habitantes

* Manoel Moacir Costa Macêdo

O sistema prisional brasileiro, pode  ser qualificado como mais um  "holocausto à brasileira", tal qual o "Centro Hospitalar Psiquiátrico", conhecido como "Colônia", em Barbacena, Minas Gerais, onde pelo menos "60 mil internos morreram". Permaneceu em silêncio, até os anos oitenta. As cadeias brasileiras, são masmorras medievais que matam, estrupam, e transformam delinquentes primários em perigosos criminosos. Não corrigem, ao contrário, maltratam, torturam, corrompem e profissionalizam. Os cárceres brasileiros, são qualificadas "universidades do crime organizado, de quadrilhas, facções e rebeliões". Lá estão, os torturados pela injustiça .
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, a combativa OAB, recentemente mostrou, que existem 800 mil encarcerados no País, com uma idade média de 30 anos, e 90% sem o ensino médio. Um exército de esquecidos, de pobres, negros e jovens. Deserdados da sorte, da família e da sociedade. Sobrevivem como desumanos em escuros calabouços, negados dos elementares valores da vida, como higiene, alimentação, trabalho, educação e orientação. Jogados à deriva, e violados os "direitos e garantias individuais" cravados na Constituição Federal do Brasil. Uma população à margem dos valores elementares da civilização. Um amontoado de seres humanos, enjaulados como bichos. Onde cabe um, estão três. Depósito de excluídos, nascidos na Terra de Santa Cruz, predominante cristã, filhos de um mesmo pai e de uma mesma mãe pela graça espiritual, mas abandonados da máxima divina de "amar ao próximo como a si mesmo". 
Esse "holocausto a brasileira", mata, discrimina e exclui. Não recupera e nem insere no meio social, além de ineficiente na prevenção. Apenas 2% dos delitos são identificados pelo aparato policial. Existem 500 mil mandados de prisão em aberto. O Brasil, possui a terceira maior população carcerária do mundo, atrás dos Estados Unidos e da Rússia. O Brasil, prende muito, e prende mal. Evidência do perverso modelo prisional, reproduzido no tempo como vingança e exclusão, jamais como justiça e correção. Uma polícia que mais mata e morre no mundo. Aritmética dos horrores desse holocausto silencioso, para quem não quer ver e ouvir os gritos de salvação de "irmãos marianos". Seculares injustiças, despercebidas pelos poderes republicanos.
A violência brasileira, não para de crescer. Os indicadores são os piores comparados aos países desenvolvidos, a quase um século atrás. Ano após ano, aumentam os assassinatos no Brasil. Em 2017 foram sessenta e cinco mil mortes violentas e intencionais. Em torno de 179 vidas ceifadas por dia, numa sociedade dita passiva e cristã.  Os jovens são as maiores vítimas desse holocausto, 69,9 mortes por 100 mil habitantes. Os homicídios de negras cresceram 33% em dez anos. O Brasil concentra 14% dos homicídios do mundo. Em alguns Estados superam o patamar de 31,6 homicídios para cada 100 mil habitantes. Uma rotina agonizante de assassinatos cruéis, na cidade, no campo e nos podres presídios brasileiros. A indignação social, adormece na insensibilidade. 
Não existem, intervenções estruturantes e estratégicas para atacar essa tragédia anunciada, conhecida e consentida. Comemorações a mais um presidio, e menos uma escola. Um caldeirão de pólvora explodindo a cada dia, sem ser ouvido, por uma sociedade insensível, elitista e hipócrita com as mazelas dos pobres, deserdados e miseráveis. Rostos retratados por padecimentos algozes Uma perversidade acolhida. Castro Alves, poeta abolicionista da escravidão negra, raiz da persistente desigualdade, clamou no longínquo passado aos deuses dos miseráveis no poema épico "O Navio Negreiro": "Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura ... se é verdade. Tanto horror perante os céus?!". Na incapacidade de iluminar pelas mãos humanas essa escuridão na terra, onde "Deus é brasileiro e aqui plantando tudo dá", rogamos os milagres luminosos da pós-materialidade: "a desigualdade social, é obra do homem e não de Deus".

* Manoel Moacir Costa Macêdo, Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra