AVIÃO DE CARREIRA

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Publicada em 27/06/2019 às 22:41:00

 

* Lelê Teles
Os grandes jornais brazucas até agora não chamaram o traficante de traficante, alguém sabe por que?
Bora dá nome pras coisas?
Um traficante brasileiro foi preso em Sevilha, na Espanha, com 39 quilos de cocaína.
Até aí nada demais.
O diabo é que o cabra é militar, e transportava toda essa farinhada em um avião também militar. 
E, desgraçadamente, a aeronave fazia parte da comitiva do presidente desta república federativa, que é um militar de pijamas.
E, veja você, a tal comitiva que acompanha o presidente na tour internacional, está sob a proteção e vigilância de um militarzão, o general Heleno, convertido em ministro do gabinete de segurança institucional.
Heleno é aquele sujeito que esmurrou a mesa pedindo prisão perpétua para o preso político Lula da Silva.
Perguntado por uma jornalista se não farejara nada de anormal na bagagem pesada do sargento traficante, o general se saiu com essa: "como iria saber, não tenho bola de cristal".
Ora, ora, ora.
E foi com bola de cristal que os agentes espanhóis conseguiram flagrar o colega de Heleno?
Ou usaram a elementar checagem de bagagem?
Heleno não tem lá um cão com um bom faro pra dar uma cafungada nas bagagens da rapazeada? 
Cada um entra nessa aeronave levando o que quiser? Não há sequer um réles aparelho de Raio-X pra ver se não transportam coisas intransportáveis?
39 quilos de pó?
O mais interessante não é o tamanho da bagagem que o sargento traficante levava, mas a que ele traria.
Porque esses 39 quilos de pó seriam convertidos em milhões de euros, o que aumentaria significativamente a bagagem do sujeito.
E entra-se com uma mochila nessa aeronave e volta-se com malas e tudo bem?
Que zona é essa? 
E querem fazer crer que toda essa vista grossa não é conivência, ou melhor, cumplicidade? 
Querem me fazer crer que o sargento traficante agia sozinho?
Que era uma mula? 
Mulas levam cocaína no estômago, amarradas ao corpo, introduzidas no ânus... pequenas quantidades. 
O que se flagrou aí foi um descarado esquema de tráfico internacional de drogas envolvendo militares! 
Ainda bem que o sujeito foi preso nas estranjas, lá a cobra vai fumar. por aqui, como sabemos, aviões e helicópteros da traficância, pertencentes a gente bem relacionada, nunca dá em nada.
E pensar que o negro Rafael Braga foi exposto de forma vexosa, chamado disso e daquilo, e amarga uma cana dura por levar consigo menos de um grama de maconha é de lascar!
E outra, essas explicações cheiram muito mal e tem cara de quem quer empurrar o pó para debaixo do tapete.
Pode ser fim de carreira para este sargento traficante, mas tudo indica que enquanto não derem uma bola de cristal para o general a coisa vai continuar correndo solta.
Palavra da salvação.
***
Equiskilze-me, sãr, mas terei que dizê-lo.
Depois que foram publicadas, em áudio, as escusas de Moro aos tontos do mbl, o ainda ministro deve escusas públicas à colega Laura Tessler.
Porque os tontos foram chamados de tontos enquanto faziam tonterías, como se diz em espanhol, mas Laura foi chamada de incompetente enquanto tentava fazer o seu trabalho.
E mais, Moro ainda sugeriu ao seu subserviente amigo (!) que Laura fosse afastada do Caso Lula, obrigando-a a assistir ao espetáculo midiático pela TV.
Sugestão essa que foi capáchicamente acatada.
Há mais.
Moro enviou as tais escusas na surdina, o áudio era pra ter ficado apenas entre ele e os militontos, mas o tal Mamãe Falei acabou falando pra todo mundo.
Há, ainda, uma questão enigmática aí.
Por que diabos Moro se desculpou da molecada e não procurou fazer o mesmo com a procuradora?
Ora, porque o ainda ministro (até quando?) não precisa de Laura, o que ele precisa é das milícias digitais e dos midiotas úteis nas ruas para defender suas indefensáveis falcatruas.
Raciocine comigo, diligente internauta.
Ao acusar que fora hackeado, Moro simula uma facada virtual redentora. 
Mas esse destrambelhado pedido de desculpas mela tudo. 
Porque Moro, embora tenha dito à molecada que não sabe se disse o que disse e, se disse, não lembra de ter dito e, assim mesmo, se desculpa por dizer o que não se lembra de ter dito, diz o seguinte:
"Olha, eu não tenho como provar que não disse aquilo que tão dizendo que eu disse; porém, até que eu apresente alguma prova, deixem o dito pelo não dito".
Como se vê, Moro, em nenhum momento afirma que as telegrâmicas mensagens são falsas; porque sabe que é uma facada sem sangue.
Quem aí também acha que o ainda ministro deve escusas a Laura Tessler?
Pode ser em latim.
Por falar em latim, depois de espancar a língua portuguesa, o marreco marrento não teve coragem de afrontar o jornalista gringo usando aquele inglês de Maringá, atacou de latim.
Mas o diabo é que o ainda ministro atribui a Horácio uma frase de Esopo.
Procurei em todos os gibis da Turma da Mônica que tenho em casa e não encontrei um único almanaque em que Horácio, aquele dinossaurozinho, se expresse na língua morta.
Ao invés de tentar se passar por sabichão, Moro deveria seguir a sugestão do etê Bilu, que veio de uma estrela distante e, quando questionado por um repórter que mensagem deixaria para a humanidade, o forasteiro das galáxias foi lacônico, mas se expressou em bom português:
"Apenas que... busquem conhecimento".
Palavra da salvação.
* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista

* Lelê Teles

Os grandes jornais brazucas até agora não chamaram o traficante de traficante, alguém sabe por que?
Bora dá nome pras coisas?
Um traficante brasileiro foi preso em Sevilha, na Espanha, com 39 quilos de cocaína.
Até aí nada demais.
O diabo é que o cabra é militar, e transportava toda essa farinhada em um avião também militar. 
E, desgraçadamente, a aeronave fazia parte da comitiva do presidente desta república federativa, que é um militar de pijamas.
E, veja você, a tal comitiva que acompanha o presidente na tour internacional, está sob a proteção e vigilância de um militarzão, o general Heleno, convertido em ministro do gabinete de segurança institucional.
Heleno é aquele sujeito que esmurrou a mesa pedindo prisão perpétua para o preso político Lula da Silva.
Perguntado por uma jornalista se não farejara nada de anormal na bagagem pesada do sargento traficante, o general se saiu com essa: "como iria saber, não tenho bola de cristal".
Ora, ora, ora.
E foi com bola de cristal que os agentes espanhóis conseguiram flagrar o colega de Heleno?
Ou usaram a elementar checagem de bagagem?
Heleno não tem lá um cão com um bom faro pra dar uma cafungada nas bagagens da rapazeada? 
Cada um entra nessa aeronave levando o que quiser? Não há sequer um réles aparelho de Raio-X pra ver se não transportam coisas intransportáveis?
39 quilos de pó?
O mais interessante não é o tamanho da bagagem que o sargento traficante levava, mas a que ele traria.
Porque esses 39 quilos de pó seriam convertidos em milhões de euros, o que aumentaria significativamente a bagagem do sujeito.
E entra-se com uma mochila nessa aeronave e volta-se com malas e tudo bem?
Que zona é essa? 
E querem fazer crer que toda essa vista grossa não é conivência, ou melhor, cumplicidade? 
Querem me fazer crer que o sargento traficante agia sozinho?
Que era uma mula? 
Mulas levam cocaína no estômago, amarradas ao corpo, introduzidas no ânus... pequenas quantidades. 
O que se flagrou aí foi um descarado esquema de tráfico internacional de drogas envolvendo militares! 
Ainda bem que o sujeito foi preso nas estranjas, lá a cobra vai fumar. por aqui, como sabemos, aviões e helicópteros da traficância, pertencentes a gente bem relacionada, nunca dá em nada.
E pensar que o negro Rafael Braga foi exposto de forma vexosa, chamado disso e daquilo, e amarga uma cana dura por levar consigo menos de um grama de maconha é de lascar!
E outra, essas explicações cheiram muito mal e tem cara de quem quer empurrar o pó para debaixo do tapete.
Pode ser fim de carreira para este sargento traficante, mas tudo indica que enquanto não derem uma bola de cristal para o general a coisa vai continuar correndo solta.
Palavra da salvação.
***
Equiskilze-me, sãr, mas terei que dizê-lo.
Depois que foram publicadas, em áudio, as escusas de Moro aos tontos do mbl, o ainda ministro deve escusas públicas à colega Laura Tessler.
Porque os tontos foram chamados de tontos enquanto faziam tonterías, como se diz em espanhol, mas Laura foi chamada de incompetente enquanto tentava fazer o seu trabalho.
E mais, Moro ainda sugeriu ao seu subserviente amigo (!) que Laura fosse afastada do Caso Lula, obrigando-a a assistir ao espetáculo midiático pela TV.
Sugestão essa que foi capáchicamente acatada.
Há mais.
Moro enviou as tais escusas na surdina, o áudio era pra ter ficado apenas entre ele e os militontos, mas o tal Mamãe Falei acabou falando pra todo mundo.
Há, ainda, uma questão enigmática aí.
Por que diabos Moro se desculpou da molecada e não procurou fazer o mesmo com a procuradora?
Ora, porque o ainda ministro (até quando?) não precisa de Laura, o que ele precisa é das milícias digitais e dos midiotas úteis nas ruas para defender suas indefensáveis falcatruas.
Raciocine comigo, diligente internauta.
Ao acusar que fora hackeado, Moro simula uma facada virtual redentora. 
Mas esse destrambelhado pedido de desculpas mela tudo. 
Porque Moro, embora tenha dito à molecada que não sabe se disse o que disse e, se disse, não lembra de ter dito e, assim mesmo, se desculpa por dizer o que não se lembra de ter dito, diz o seguinte:
"Olha, eu não tenho como provar que não disse aquilo que tão dizendo que eu disse; porém, até que eu apresente alguma prova, deixem o dito pelo não dito".
Como se vê, Moro, em nenhum momento afirma que as telegrâmicas mensagens são falsas; porque sabe que é uma facada sem sangue.
Quem aí também acha que o ainda ministro deve escusas a Laura Tessler?
Pode ser em latim.
Por falar em latim, depois de espancar a língua portuguesa, o marreco marrento não teve coragem de afrontar o jornalista gringo usando aquele inglês de Maringá, atacou de latim.
Mas o diabo é que o ainda ministro atribui a Horácio uma frase de Esopo.
Procurei em todos os gibis da Turma da Mônica que tenho em casa e não encontrei um único almanaque em que Horácio, aquele dinossaurozinho, se expresse na língua morta.
Ao invés de tentar se passar por sabichão, Moro deveria seguir a sugestão do etê Bilu, que veio de uma estrela distante e, quando questionado por um repórter que mensagem deixaria para a humanidade, o forasteiro das galáxias foi lacônico, mas se expressou em bom português:
"Apenas que... busquem conhecimento".
Palavra da salvação.

* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista