Uma reflexão em tempo de festas

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Publicada em 01/07/2019 às 22:45:00

 

* Raymundo Mello
(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)
 
Não obstante os festejos juninos e a 'Copa 
América' de futebol acontecendo, dia-
após-dia vemos crescer o sentimento de revolta dos brasileiros pela 'catastrófica' situação atual do país em todos os sentidos - uma crise 'incomparável' em toda a sua história, difícil de ser resolvida, posto que tem sua origem no problema moral, nos valores perdidos.
Repito. Fonte de tudo: a crise moral. 
Todos queremos e clamamos por mudanças, por melhoras na sociedade brasileira, na convivência social, mas estas mudanças só acontecerão na medida em que cada um mudar, na medida em que a população 'civilizar-se'.
Sim, civilizar-se!!! Porque não eram os tranquilos índios que aqui viviam, em 1500, quando os colonizadores desembarcaram e, dizendo-os "silvícolas", buscaram civilizá-los, que faziam o Brasil - que não era ainda Brasil, mas "Terra de Vera Cruz" ou "Ilha de Vera Cruz", como registrou Pero Vaz de Caminha na sua famosa carta endereçada ao Rei de Portugal, à época, Dom Manuel I, comunicando-lhe o "descobrimento" (entre aspas mesmo) e relatando-lhe suas impressões, enquanto escrivão, sobre as novas terras - precisar de 'colonização'. Silvícolas somos nós, hoje, que habitamos o Brasil do século XXI, tão tecnológico, onde as pessoas tanto se ufanam com o imenso número de "amigos" e "seguidores" que têm em suas redes sociais, mas são incapazes de conviver em harmonia com o irmão que passa ao lado. São incapazes de exercer o respeito pelo outro. Este sim, é um país colônia. Sempre fomos colônia, porque jamais evoluímos como 'nação' e como um povo que se respeita. Desconhecemos o conceito de 'alteridade'.
Desrespeito nas famílias, nos ambientes de trabalho, nas escolas, nas ruas, no trânsito, nos locais de lazer, enfim, em todos os lugares.
Crise de valores!!!
Tenho insistido - ao falar e escrever - no tema 'Cidadania'. Melhor: resgate da Cidadania. Sim, resgate. O 'Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa' conceitua, entre outros significados, o ato de resgatar como "tirar do esquecimento; livrar da ruína; conseguir algo à custa de muito esforço, de sacrifício; voltar a ter; recuperar". São estes significados que evoco em relação ao tema.
Sou convicto que, antes de qualquer outra crise que se possa elencar - crise econômica, crise política, crise na saúde, crise na educação, crise na previdência, etc. -, é necessário que se compreenda que a raiz de todas elas está na 'crise de valores'. Valores morais, valores éticos, compromisso social.
Ouço, em todos os lugares por onde passo, pessoas reclamando de algo errado (ou tudo errado, talvez) no país. Mas, vá esmiuçar a vida dessas pessoas e não se encontrará comportamento ilibado.
"Não! Sou direito, pessoa de bem!", dizem muitos. Retruco: Você pode até ser correto, não duvido, mas, diga-me: faz aquela famosa "roubadinha" no trânsito? Desperdiça água? Joga papel e outras coisas nas ruas, fora do lixeiro? Mente? Conspira para ocupar a função do outro no seu trabalho? Enfim, tantas outras "coisinhas pequenas" ... que são erros. Podem até ser mais amenos, mas são erros. Ferem o conceito de Cidadania, que não inclui apenas ter direitos, mas 'ter deveres' também...
Voltarei a este assunto oportunamente. Agora, faz-se mister admitirmos que a sociedade brasileira está gravemente doente, não apenas de saúde física e mental, cujos índices são alarmantes, mas adoecida no seu aspecto moral.
Não estou aqui defendendo os valores morais pertinentes a esta ou aquela ideologia religiosa, filosófica, política. Tenho os meus, como Cristão Católico Apostólico Romano que sou. Mas refiro-me aos valores pertinentes ao 'contrato social', às normas éticas de convivência, que bem permitem, independente de leis e punições, a harmonia entre os membros de uma dada sociedade.
Enquanto não conseguirmos resgatar tais valores nos indivíduos em si, afirmo com convicção que jamais conseguiremos tirar o Brasil de qualquer de suas crises. Apenas amenizar. Providências de impacto e resultados apenas aparentes. 
Tudo como numa novela, tão mal feito quanto mal feitas são as novelas atualmente exibidas a título de 'entretenimento' para o povo brasileiro, que, anestesiado, não se dá conta do quanto trazem embutidas nas suas tramas o 'veneno fatal' para os seus - já agonizantes - valores morais.
Assim vejo a nossa 'brasilidade' hoje. Sei que muitos hão de achar-me um pessimista, principalmente aqueles que se enfileiram nas correntes político-partidárias e seguem "cegos" atrás dos emergentes "salvadores da pátria". Que fazer? Estamos num estado que se diz democrático, então, respeito o direito de pensar de cada um. Mas tenho as minhas convicções.
Que em meio às tantas "atrações" que nos tiram o foco do 'essencial', possamos refletir sobre esta triste realidade.
Enfim, nesta primeira publicação do novo semestre, desejo que renovemos as nossas vidas, nossas energias, nossos ideais, nosso desejo de sermos melhores e construirmos um mundo melhor.
Que assim seja!
* Raymundo Mello é Memorialista
raymundopmello@yahoo.com.br

* Raymundo Mello

(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)

Não obstante os festejos juninos e a 'Copa  América' de futebol acontecendo, dia- após-dia vemos crescer o sentimento de revolta dos brasileiros pela 'catastrófica' situação atual do país em todos os sentidos - uma crise 'incomparável' em toda a sua história, difícil de ser resolvida, posto que tem sua origem no problema moral, nos valores perdidos.
Repito. Fonte de tudo: a crise moral. 
Todos queremos e clamamos por mudanças, por melhoras na sociedade brasileira, na convivência social, mas estas mudanças só acontecerão na medida em que cada um mudar, na medida em que a população 'civilizar-se'.
Sim, civilizar-se!!! Porque não eram os tranquilos índios que aqui viviam, em 1500, quando os colonizadores desembarcaram e, dizendo-os "silvícolas", buscaram civilizá-los, que faziam o Brasil - que não era ainda Brasil, mas "Terra de Vera Cruz" ou "Ilha de Vera Cruz", como registrou Pero Vaz de Caminha na sua famosa carta endereçada ao Rei de Portugal, à época, Dom Manuel I, comunicando-lhe o "descobrimento" (entre aspas mesmo) e relatando-lhe suas impressões, enquanto escrivão, sobre as novas terras - precisar de 'colonização'. Silvícolas somos nós, hoje, que habitamos o Brasil do século XXI, tão tecnológico, onde as pessoas tanto se ufanam com o imenso número de "amigos" e "seguidores" que têm em suas redes sociais, mas são incapazes de conviver em harmonia com o irmão que passa ao lado. São incapazes de exercer o respeito pelo outro. Este sim, é um país colônia. Sempre fomos colônia, porque jamais evoluímos como 'nação' e como um povo que se respeita. Desconhecemos o conceito de 'alteridade'.
Desrespeito nas famílias, nos ambientes de trabalho, nas escolas, nas ruas, no trânsito, nos locais de lazer, enfim, em todos os lugares.
Crise de valores!!!
Tenho insistido - ao falar e escrever - no tema 'Cidadania'. Melhor: resgate da Cidadania. Sim, resgate. O 'Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa' conceitua, entre outros significados, o ato de resgatar como "tirar do esquecimento; livrar da ruína; conseguir algo à custa de muito esforço, de sacrifício; voltar a ter; recuperar". São estes significados que evoco em relação ao tema.
Sou convicto que, antes de qualquer outra crise que se possa elencar - crise econômica, crise política, crise na saúde, crise na educação, crise na previdência, etc. -, é necessário que se compreenda que a raiz de todas elas está na 'crise de valores'. Valores morais, valores éticos, compromisso social.
Ouço, em todos os lugares por onde passo, pessoas reclamando de algo errado (ou tudo errado, talvez) no país. Mas, vá esmiuçar a vida dessas pessoas e não se encontrará comportamento ilibado.
"Não! Sou direito, pessoa de bem!", dizem muitos. Retruco: Você pode até ser correto, não duvido, mas, diga-me: faz aquela famosa "roubadinha" no trânsito? Desperdiça água? Joga papel e outras coisas nas ruas, fora do lixeiro? Mente? Conspira para ocupar a função do outro no seu trabalho? Enfim, tantas outras "coisinhas pequenas" ... que são erros. Podem até ser mais amenos, mas são erros. Ferem o conceito de Cidadania, que não inclui apenas ter direitos, mas 'ter deveres' também...
Voltarei a este assunto oportunamente. Agora, faz-se mister admitirmos que a sociedade brasileira está gravemente doente, não apenas de saúde física e mental, cujos índices são alarmantes, mas adoecida no seu aspecto moral.
Não estou aqui defendendo os valores morais pertinentes a esta ou aquela ideologia religiosa, filosófica, política. Tenho os meus, como Cristão Católico Apostólico Romano que sou. Mas refiro-me aos valores pertinentes ao 'contrato social', às normas éticas de convivência, que bem permitem, independente de leis e punições, a harmonia entre os membros de uma dada sociedade.
Enquanto não conseguirmos resgatar tais valores nos indivíduos em si, afirmo com convicção que jamais conseguiremos tirar o Brasil de qualquer de suas crises. Apenas amenizar. Providências de impacto e resultados apenas aparentes. 
Tudo como numa novela, tão mal feito quanto mal feitas são as novelas atualmente exibidas a título de 'entretenimento' para o povo brasileiro, que, anestesiado, não se dá conta do quanto trazem embutidas nas suas tramas o 'veneno fatal' para os seus - já agonizantes - valores morais.
Assim vejo a nossa 'brasilidade' hoje. Sei que muitos hão de achar-me um pessimista, principalmente aqueles que se enfileiram nas correntes político-partidárias e seguem "cegos" atrás dos emergentes "salvadores da pátria". Que fazer? Estamos num estado que se diz democrático, então, respeito o direito de pensar de cada um. Mas tenho as minhas convicções.
Que em meio às tantas "atrações" que nos tiram o foco do 'essencial', possamos refletir sobre esta triste realidade.
Enfim, nesta primeira publicação do novo semestre, desejo que renovemos as nossas vidas, nossas energias, nossos ideais, nosso desejo de sermos melhores e construirmos um mundo melhor.
Que assim seja!

* Raymundo Mello é Memorialistaraymundopmello@yahoo.com.br