Esse alguém sem nome

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Publicada em 01/07/2019 às 22:46:00

 

*Rangel Alves da Costa
Segundo o Gênesis bíblico, no sexto dia Deus criou o homem e a mulher. Distinguiu, pois, as espécies segundo o sexo. Contudo, o passar dos anos, e para efeito de indicação do ser ou espécie humana, os sexos feminino e masculino deram lugar apenas aos termos homem, sujeito, pessoa ou indivíduo. Tanto é assim que o substantivo homem, dentro de determinado contexto, serve para indicar tanto o homem propriamente dito como a mulher.
Pois bem. Tal introito tornou-se essencial no sentido de reconhecer o poder humano de transformar o dado em algo desejado. Desejou que o termo homem passasse a designar o ser humano em geral, bem como criou outras nomenclaturas para designar a existência de seres humanos espalhados mundo afora. Daí se falar em agrupamento, em coletividade, em sociedade. O ser humano, assim, passou a se disseminar segundo contextos diversificados.
Contudo, os novos conceitos, nomenclaturas e designações, bem como a tendência cada vez maior de ver os seres humanos como uma totalidade, no amplo contexto social, não tiveram o condão de ofuscar a importância do ser individual, daquele ser nele mesmo, com suas aptidões. Um ser sem nome, pois apenas em ser em sua plenitude. E a todo instante cresce a importância desse alguém sem nome. Aquele alguém existente em cada um.
Esse alguém sem nome, que é o próprio homem em sua plenitude, está evidenciado em cada ser humano existente na face da terra. E sem nome porque apenas pessoa, e pessoa humana, podendo ser homem ou mulher, menino ou velho, pobre ou rico, de qualquer raça ou cor, habitante de qualquer lugar. Eis que nesse contexto o que importa e merece ser valorizado é a pessoa em si, aquele alguém sem nome identificável, porém tão reconhecível pela sua existência.
Esse alguém sem nome forma a sociedade, está nas regiões mais distantes, nos centros urbanos, nos subúrbios e arredores. Trabalha para o progresso, labuta para sobreviver, se esforça para subsistir. Acorda na madrugada, se sacrifica para chegar ao trabalho, bate o ponto, anseia para ouvir o apito sinalizando o fim da jornada do dia. Também se entrega ao trabalho no campo desde o amanhecer, planta, colhe, e esperançoso suporta e consegue vencer os sacrifícios da vida.
Esse alguém sem nome também está nas esferas de poder, nos governos, nos órgãos de mando, mas do mesmo modo encontrado nos barracos das favelas, nos submundos dos lixões, embaixo de marquises, pelas esquinas e ao relento. De família nobre ou apenas mais um de uma origem qualquer, nada disso importa, pois no contexto social todos devem ser reconhecidos na igualdade do ser humano. Por isso apenas pessoa, gente, ser humano, ou um alguém sem nome.
Esse alguém sem nome sou eu e é você. Somos nós. Esse alguém sem nome é aquele que lhe diz não e outro que lhe diz sim; é o amigo e o desafeto; é o parente ou o desconhecido. Não precisa sequer saber da existência do outro, pois sabendo que existe em algum lugar, pois cada um que agora está no seu afazer, na sua lida. E é preciso acreditar que todos, enquanto seres humanos, são igualmente importantes, ainda que apenas um indivíduo vivendo na solidão de uma ilha.
E esse alguém sem nome possui tamanha importância que poucos já tiveram a capacidade de analisar e reconhecer. Eis que ninguém sozinho faz importantes transformações, impulsiona uma revolução, faz uma manifestação para mostrar indignações, ou mesmo modifica qualquer coisa de forma duradoura. Sempre necessitará de apoio, da ajuda do outro, ainda que apenas como agente passivo da ação.
Esse alguém sem nome estava em cada um que já fez a guerra. Estava nas lutas renhidas pelos processos de independência das nações. Estava segredando revoltas nas escuridões dos porões. E também está, neste momento, traçando alianças, discutindo os destinos dos povos, agindo em nome do poder e em nome do futuro dos todos. Daí que o alguém sem nome pode ser um general, um governante, um líder, uma pessoa qualquer. E sem nome porque qualquer pessoa poderá um dia estar incumbido da tomada de decisões.
Disso tudo decorre a certeza da importância de cada um, de cada ser humano. Se é tido como um nada hoje, amanhã poderá ser diferente. Exsurge, assim, a necessidade da valorização de todos, e independente do que seja ou do que faça. Alguém desconhecido poderá se tornar presença constante na vida, alguém cuja humildade e singeleza de vida não mereça mais que um olhar passageiro, este talvez traga consigo a sabedoria tão importante de ser ouvida e seguida.
Daí a importância desse alguém sem nome, que é a importância de cada ser humano existente na terra. E por isso mesmo não se deve subjugar, discriminar ou desvalorizar quem quer que seja. Todos são importantes naquilo que fazem. Mas principalmente por ser humano, por ser um igual.
*Rangel Alves da Costa, Advogado e escritor
Membro da Academia de Letras de Aracaju
blograngel-sertao.blogspot.com

*Rangel Alves da Costa

Segundo o Gênesis bíblico, no sexto dia Deus criou o homem e a mulher. Distinguiu, pois, as espécies segundo o sexo. Contudo, o passar dos anos, e para efeito de indicação do ser ou espécie humana, os sexos feminino e masculino deram lugar apenas aos termos homem, sujeito, pessoa ou indivíduo. Tanto é assim que o substantivo homem, dentro de determinado contexto, serve para indicar tanto o homem propriamente dito como a mulher.
Pois bem. Tal introito tornou-se essencial no sentido de reconhecer o poder humano de transformar o dado em algo desejado. Desejou que o termo homem passasse a designar o ser humano em geral, bem como criou outras nomenclaturas para designar a existência de seres humanos espalhados mundo afora. Daí se falar em agrupamento, em coletividade, em sociedade. O ser humano, assim, passou a se disseminar segundo contextos diversificados.
Contudo, os novos conceitos, nomenclaturas e designações, bem como a tendência cada vez maior de ver os seres humanos como uma totalidade, no amplo contexto social, não tiveram o condão de ofuscar a importância do ser individual, daquele ser nele mesmo, com suas aptidões. Um ser sem nome, pois apenas em ser em sua plenitude. E a todo instante cresce a importância desse alguém sem nome. Aquele alguém existente em cada um.
Esse alguém sem nome, que é o próprio homem em sua plenitude, está evidenciado em cada ser humano existente na face da terra. E sem nome porque apenas pessoa, e pessoa humana, podendo ser homem ou mulher, menino ou velho, pobre ou rico, de qualquer raça ou cor, habitante de qualquer lugar. Eis que nesse contexto o que importa e merece ser valorizado é a pessoa em si, aquele alguém sem nome identificável, porém tão reconhecível pela sua existência.
Esse alguém sem nome forma a sociedade, está nas regiões mais distantes, nos centros urbanos, nos subúrbios e arredores. Trabalha para o progresso, labuta para sobreviver, se esforça para subsistir. Acorda na madrugada, se sacrifica para chegar ao trabalho, bate o ponto, anseia para ouvir o apito sinalizando o fim da jornada do dia. Também se entrega ao trabalho no campo desde o amanhecer, planta, colhe, e esperançoso suporta e consegue vencer os sacrifícios da vida.
Esse alguém sem nome também está nas esferas de poder, nos governos, nos órgãos de mando, mas do mesmo modo encontrado nos barracos das favelas, nos submundos dos lixões, embaixo de marquises, pelas esquinas e ao relento. De família nobre ou apenas mais um de uma origem qualquer, nada disso importa, pois no contexto social todos devem ser reconhecidos na igualdade do ser humano. Por isso apenas pessoa, gente, ser humano, ou um alguém sem nome.
Esse alguém sem nome sou eu e é você. Somos nós. Esse alguém sem nome é aquele que lhe diz não e outro que lhe diz sim; é o amigo e o desafeto; é o parente ou o desconhecido. Não precisa sequer saber da existência do outro, pois sabendo que existe em algum lugar, pois cada um que agora está no seu afazer, na sua lida. E é preciso acreditar que todos, enquanto seres humanos, são igualmente importantes, ainda que apenas um indivíduo vivendo na solidão de uma ilha.
E esse alguém sem nome possui tamanha importância que poucos já tiveram a capacidade de analisar e reconhecer. Eis que ninguém sozinho faz importantes transformações, impulsiona uma revolução, faz uma manifestação para mostrar indignações, ou mesmo modifica qualquer coisa de forma duradoura. Sempre necessitará de apoio, da ajuda do outro, ainda que apenas como agente passivo da ação.
Esse alguém sem nome estava em cada um que já fez a guerra. Estava nas lutas renhidas pelos processos de independência das nações. Estava segredando revoltas nas escuridões dos porões. E também está, neste momento, traçando alianças, discutindo os destinos dos povos, agindo em nome do poder e em nome do futuro dos todos. Daí que o alguém sem nome pode ser um general, um governante, um líder, uma pessoa qualquer. E sem nome porque qualquer pessoa poderá um dia estar incumbido da tomada de decisões.
Disso tudo decorre a certeza da importância de cada um, de cada ser humano. Se é tido como um nada hoje, amanhã poderá ser diferente. Exsurge, assim, a necessidade da valorização de todos, e independente do que seja ou do que faça. Alguém desconhecido poderá se tornar presença constante na vida, alguém cuja humildade e singeleza de vida não mereça mais que um olhar passageiro, este talvez traga consigo a sabedoria tão importante de ser ouvida e seguida.
Daí a importância desse alguém sem nome, que é a importância de cada ser humano existente na terra. E por isso mesmo não se deve subjugar, discriminar ou desvalorizar quem quer que seja. Todos são importantes naquilo que fazem. Mas principalmente por ser humano, por ser um igual.

*Rangel Alves da Costa, Advogado e escritorMembro da Academia de Letras de Aracajublograngel-sertao.blogspot.com