Estreia 'déjà vu'

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Sonoridade risca faca
Sonoridade risca faca

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Publicada em 02/07/2019 às 22:44:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O único pecado im
perdoável de um 
artista é chover no molhado. Sem a nota de singularidade capaz de significar o emprego do verbo, faz bem quem renuncia a gritos e sussurros, até encontrar razão genuína para soltar a voz. Assim penso eu, um homem de meia idade, apegado a modelos e valores ultrapassados, talvez. A julgar pelo último lançamento da aldeia, a molecada em atividade aqui e agora está mais preocupada em ostentar uma pose Cult.
Cantora e compositora estreante, Taya não quis saber de dar tempo ao tempo. Nas cinco faixas de 'Tormento', a moça pinta e borda, descabelada. Mas passa ao largo do "eu profundo" no âmago da criação.
Bem produzido, 'Tormento' transborda timbres deliciosos, com o fim de emular uma sofrência moderninha, que evoca os redutos encharcados de cerveja, suor e arrocha na periferia de Aracaju. No entanto, qualquer semelhança entre o trabalho de Taya e a música brasileira realmente popular encerra na forma. No fim das contas, o flerte com a sonoridade risca faca reproduz uma fórmula gasta, que já rendeu resultado melhor.
Taya segue os mesmos passos de outros artistas em atividade na terrinha, no encalço de uma aproximação desejável com a cultura emergente nas bordas do mundo. Aqui, tango, bossa nova e valsa, tudo reverbera como uma boa guitarrada. Mas, nem assim, 'Tormento' soa autêntico, nem por um momento.
Na casca, igual ao enunciado. Os cornos de Taya nunca doem sinceramente. Dona de um dedo podre, ela canta o amor pouco das relações malfadadas, traições e desconfianças, em tom monocórdio, sem derramar nenhuma lágrima, nenhuma gota de sangue. A mim, não convence.
Oscilando entre a latinidade de Mestre Madruguinha e a dor de cotovelo de A Banda dos Corações Partidos, 'Tormento' chega atrasado ao terreiro da música Serigy, não passa de subproduto de um modismo em vias de exaustão.

O único pecado im perdoável de um  artista é chover no molhado. Sem a nota de singularidade capaz de significar o emprego do verbo, faz bem quem renuncia a gritos e sussurros, até encontrar razão genuína para soltar a voz. Assim penso eu, um homem de meia idade, apegado a modelos e valores ultrapassados, talvez. A julgar pelo último lançamento da aldeia, a molecada em atividade aqui e agora está mais preocupada em ostentar uma pose Cult.
Cantora e compositora estreante, Taya não quis saber de dar tempo ao tempo. Nas cinco faixas de 'Tormento', a moça pinta e borda, descabelada. Mas passa ao largo do "eu profundo" no âmago da criação.
Bem produzido, 'Tormento' transborda timbres deliciosos, com o fim de emular uma sofrência moderninha, que evoca os redutos encharcados de cerveja, suor e arrocha na periferia de Aracaju. No entanto, qualquer semelhança entre o trabalho de Taya e a música brasileira realmente popular encerra na forma. No fim das contas, o flerte com a sonoridade risca faca reproduz uma fórmula gasta, que já rendeu resultado melhor.
Taya segue os mesmos passos de outros artistas em atividade na terrinha, no encalço de uma aproximação desejável com a cultura emergente nas bordas do mundo. Aqui, tango, bossa nova e valsa, tudo reverbera como uma boa guitarrada. Mas, nem assim, 'Tormento' soa autêntico, nem por um momento.
Na casca, igual ao enunciado. Os cornos de Taya nunca doem sinceramente. Dona de um dedo podre, ela canta o amor pouco das relações malfadadas, traições e desconfianças, em tom monocórdio, sem derramar nenhuma lágrima, nenhuma gota de sangue. A mim, não convence.
Oscilando entre a latinidade de Mestre Madruguinha e a dor de cotovelo de A Banda dos Corações Partidos, 'Tormento' chega atrasado ao terreiro da música Serigy, não passa de subproduto de um modismo em vias de exaustão.