Problemas com fábrica podem ter causado depressão

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Publicada em 05/07/2019 às 01:10:00

 

Casado e pai de cinco filhos, Sadi Paulo Castiel Gitz era de Porto Alegre (RS) e veio morar em Sergipe no começo da década de 1980. Ele era engenheiro, também formado em Administração, e trabalhou em fábricas do setor cerâmico do Estado, antes de constituir sua própria empresa. Gitz ganhou destaque na década passada como líder do setor empresarial, chegando a ser presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (Acese) e do Conselho Deliberativo do Sebrae em Sergipe. Também ocupou cargos de gestão na Superintendência de Transporte e Trânsito (SMTT) e na Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb).
A fábrica de Sadi Gitz era a Cerâmica Sergipe Ltda, conhecida como Escurial e fundada em 1993. Ela entrou em recuperação judicial e paralisou recentemente o funcionamento de sua fábrica em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). A hibernação resultou na demissão de cerca de 600 funcionários. A decisão foi atribuída ao custo cobrado pelo gás natural fornecido pela Sergás, distribuidora de gás natural que tem o Governo do Estado como um de seus acionistas. A estatal afirmava que a empresa devia o equivalente a 100 dias de consumo e descumpriu um acordo judicial para quitar a dívida. Estes problemas podem ter afetado diretamente a saúde psicológica do empresário, de acordo com amigos e colegas que conviviam com ele no setor empresarial. 
Eles relatavam que Gitz vinha enfrentando problemas de depressão e se queixava das dificuldades financeiras e do fechamento da fábrica, mas não dava qualquer indício claro de que poderia tomar uma atitude mais extrema. Alguns empresários presentes no hotel alertaram para a forma como a saúde mental das pessoas vem sendo afetada pela crise econômica do país. "Depressão não é brincadeira. Para uma pessoa vir em um evento nacional como esse e dá um tiro na cabeça, situação dele era realmente crítica. Ele estava angustiado e agoniado com esses problemas, como muitos empresários estão nesse momento de crise. E precisam de ajuda psicológica, familiar", disse o publicitário Alexandre Wendel.
O presidente da Sergás, Eugênio Dezen, estava no evento, mas ficou abalado e preferiu não dar entrevistas. Já o governador se referiu ao assunto ao falar da morte de Sadi e do cancelamento do simpósio. "Ele vinha conversando com a Sergas, e lamentavelmente num momento de fraqueza ele cometeu o suicídio. Eu quero prestar a minha solidariedade à família, sei que não é fácil receber uma notícia dessa, mas a vida segue e por conta disso suspendemos o evento. Seria um desrespeito a ele continuar", disse Belivaldo. A declaração foi muito criticada nas redes sociais e por alguns integrantes da oposição, que enxergaram nela uma demonstração de frieza do governador com a tragédia. (Gabriel Damásio)

Casado e pai de cinco filhos, Sadi Paulo Castiel Gitz era de Porto Alegre (RS) e veio morar em Sergipe no começo da década de 1980. Ele era engenheiro, também formado em Administração, e trabalhou em fábricas do setor cerâmico do Estado, antes de constituir sua própria empresa. Gitz ganhou destaque na década passada como líder do setor empresarial, chegando a ser presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (Acese) e do Conselho Deliberativo do Sebrae em Sergipe. Também ocupou cargos de gestão na Superintendência de Transporte e Trânsito (SMTT) e na Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb).
A fábrica de Sadi Gitz era a Cerâmica Sergipe Ltda, conhecida como Escurial e fundada em 1993. Ela entrou em recuperação judicial e paralisou recentemente o funcionamento de sua fábrica em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). A hibernação resultou na demissão de cerca de 600 funcionários. A decisão foi atribuída ao custo cobrado pelo gás natural fornecido pela Sergás, distribuidora de gás natural que tem o Governo do Estado como um de seus acionistas. A estatal afirmava que a empresa devia o equivalente a 100 dias de consumo e descumpriu um acordo judicial para quitar a dívida. Estes problemas podem ter afetado diretamente a saúde psicológica do empresário, de acordo com amigos e colegas que conviviam com ele no setor empresarial. 
Eles relatavam que Gitz vinha enfrentando problemas de depressão e se queixava das dificuldades financeiras e do fechamento da fábrica, mas não dava qualquer indício claro de que poderia tomar uma atitude mais extrema. Alguns empresários presentes no hotel alertaram para a forma como a saúde mental das pessoas vem sendo afetada pela crise econômica do país. "Depressão não é brincadeira. Para uma pessoa vir em um evento nacional como esse e dá um tiro na cabeça, situação dele era realmente crítica. Ele estava angustiado e agoniado com esses problemas, como muitos empresários estão nesse momento de crise. E precisam de ajuda psicológica, familiar", disse o publicitário Alexandre Wendel.
O presidente da Sergás, Eugênio Dezen, estava no evento, mas ficou abalado e preferiu não dar entrevistas. Já o governador se referiu ao assunto ao falar da morte de Sadi e do cancelamento do simpósio. "Ele vinha conversando com a Sergas, e lamentavelmente num momento de fraqueza ele cometeu o suicídio. Eu quero prestar a minha solidariedade à família, sei que não é fácil receber uma notícia dessa, mas a vida segue e por conta disso suspendemos o evento. Seria um desrespeito a ele continuar", disse Belivaldo. A declaração foi muito criticada nas redes sociais e por alguns integrantes da oposição, que enxergaram nela uma demonstração de frieza do governador com a tragédia. (Gabriel Damásio)