Assassino de transexual é condenado a 19 anos de prisão

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Publicada em 06/07/2019 às 00:47:00

 

Gabriel Damásio
O 2º Tribunal do Júri 
da Comarca de 
Aracaju condenou o assassino confesso da transexual Denise Rocha Melo, a 'Denise Sollony', morta em 24 de junho de 2017, após ser baleada na porta de sua casa, no conjunto Augusto Franco (zona sul). Em julgamento finalizado no início da noite desta quinta-feira, no Fórum Gumercindo Bessa, o vigilante Adilson Porto Silva Filho foi punido com 19 anos e nove meses de prisão, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo. 
Adilson foi preso em maio de 2018, quase um ano depois do crime, depois de uma complexa investigação do Departamento de Homicídios da Polícia Civil. Segundo a denúncia, ele foi o homem que, no dia do crime, passou pela casa de Denise na garupa de uma moto e fez vários disparos de arma de fogo, matando a vítima e ferindo de raspão o companheiro dela, Jorge Luiz de Jesus. "Essas investigações durante quase um ano de trabalho exaustivo de inteligência policial, onde esse indivíduo e sua família foram monitorados. Vislumbramos ainda a prática de outros crimes", disse o delegado Mário de Carvalho Leony, que comandou as investigações do caso, em um vídeo gravado nas redes sociais.
A defesa tentou diminuir a pena, apresentando a tese de que Adilson teria matado a vítima para vingar uma suposta agressão física contra a mãe dele, após um desentendimento em um bar. Mas a tese foi contestada tanto pela família de Denise quanto pelo Ministério Público, que com base nas provas e investigações da Polícia Civil, concluiu que o crime teve motivação homofóbica, isto é, por discriminação contra homossexuais e transexuais. Os jurados consideraram que o homicídio teve motivação torpe e foi praticado sem chances de defesa às vitimas. 
O julgamento foi acompanhado por familiares e amigos da vítima, além de ativistas e integrantes de entidades que defendem os direitos da população LGBT. Um deles foi o delegado Mário Leony, para quem o resultado representa justiça à vítima e esperança às demais vítimas de mortes motivadas por homofobia. Isso é muito importante, pela memória da Denise e de centenas de milhares de LGBTs que são assassinados no nosso país, em crimes que muitas vezes têm requintes de crueldade e nenhuma punição. É importante que essa vitória não seja uma exceção, que a LGBTfobia não produza mais vítimas, e que a segurança pública e o judiciário possam dar uma resposta no sentido de fazer justiça a esses crimes bárbaros", afirmou ele. 
O crime teve a participação de um segundo homem, que pilotava a moto para Adilson no dia da morte de Denise, mas não teve sua identificação comprovada. Um suspeito chegou a ser preso junto com Adilson, mas não foi arrolado no processo. A defesa do réu pode recorrer da decisão. 

Gabriel Damásio

O 2º Tribunal do Júri  da Comarca de  Aracaju condenou o assassino confesso da transexual Denise Rocha Melo, a 'Denise Sollony', morta em 24 de junho de 2017, após ser baleada na porta de sua casa, no conjunto Augusto Franco (zona sul). Em julgamento finalizado no início da noite desta quinta-feira, no Fórum Gumercindo Bessa, o vigilante Adilson Porto Silva Filho foi punido com 19 anos e nove meses de prisão, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo. 
Adilson foi preso em maio de 2018, quase um ano depois do crime, depois de uma complexa investigação do Departamento de Homicídios da Polícia Civil. Segundo a denúncia, ele foi o homem que, no dia do crime, passou pela casa de Denise na garupa de uma moto e fez vários disparos de arma de fogo, matando a vítima e ferindo de raspão o companheiro dela, Jorge Luiz de Jesus. "Essas investigações durante quase um ano de trabalho exaustivo de inteligência policial, onde esse indivíduo e sua família foram monitorados. Vislumbramos ainda a prática de outros crimes", disse o delegado Mário de Carvalho Leony, que comandou as investigações do caso, em um vídeo gravado nas redes sociais.
A defesa tentou diminuir a pena, apresentando a tese de que Adilson teria matado a vítima para vingar uma suposta agressão física contra a mãe dele, após um desentendimento em um bar. Mas a tese foi contestada tanto pela família de Denise quanto pelo Ministério Público, que com base nas provas e investigações da Polícia Civil, concluiu que o crime teve motivação homofóbica, isto é, por discriminação contra homossexuais e transexuais. Os jurados consideraram que o homicídio teve motivação torpe e foi praticado sem chances de defesa às vitimas. 
O julgamento foi acompanhado por familiares e amigos da vítima, além de ativistas e integrantes de entidades que defendem os direitos da população LGBT. Um deles foi o delegado Mário Leony, para quem o resultado representa justiça à vítima e esperança às demais vítimas de mortes motivadas por homofobia. Isso é muito importante, pela memória da Denise e de centenas de milhares de LGBTs que são assassinados no nosso país, em crimes que muitas vezes têm requintes de crueldade e nenhuma punição. É importante que essa vitória não seja uma exceção, que a LGBTfobia não produza mais vítimas, e que a segurança pública e o judiciário possam dar uma resposta no sentido de fazer justiça a esses crimes bárbaros", afirmou ele. 
O crime teve a participação de um segundo homem, que pilotava a moto para Adilson no dia da morte de Denise, mas não teve sua identificação comprovada. Um suspeito chegou a ser preso junto com Adilson, mas não foi arrolado no processo. A defesa do réu pode recorrer da decisão.