O rock errou

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Não adianta torcer o nariz
Não adianta torcer o nariz

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Publicada em 12/07/2019 às 22:42:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br 
O rock errou. E a mai
or prova são as pa
lavras no alto da página, roubadas a um disco de Lobão. Hoje, caindo de velho, domesticado pelo brilho falso do vil metal, o rock passa ao largo das revoluções do comportamento, alheio às próprias origens. Sem as guitarras ora reivindicadas pelos donos do mundo, pretos e pobres, os viados, as minas dançam funk.
Além do centro, tudo é beira. Toda esperança de transformação e afronta ao status quo emerge sempre nas periferias. Não é preciso se municiar de um olhar histórico para perceber a relação umbilical entre a música dos deserdados pela sorte e a ascensão de valores sociais imprevistos. Aqui e agora, no aperto dos ônibus, na batalha, geral rebola e cria com o próprio corpo e os nervos uma nova linguagem.
Meio e mensagem. A celulite de Anitta, a existência de Pablo Vittar e o beijo oportunista de Nego do Borel (alguém lembra?) dizem mais sobre as questões contemporâneas do que qualquer riff de guitarra. Sinal dos tempos e estratégia de mercado. Antes de qualquer elaboração, a evidência física. O embate se dá principalmente no plano do aparente, onde o argumento comunica a sua verdade a olho nu.
A explicação de John Lennon, segundo quem o rock não passa pelo cérebro, mas atinge as plateias como um soco no estômago, carece de atualização. De pouco ou nada adianta torcer o nariz e virar o rosto para o fenômeno em curso. Tampouco se pretende aqui celebrar o "sucesso" (com ênfase nas aspas) de uns e outros, em termos estritamente comerciais. Trata-se, ao contrário, de admitir os limites de parâmetros estéticos superados por uma nova ordem, irrefutável.
Hoje, 13 de julho, será comemorado o Dia do Rock. Mas, verdade seja dita: somente homens de cabelos brancos, nostálgicos, barrigudos, este jornalista incluído, ainda têm razões para felicitar o bom e velho rock'n roll.

O rock errou. E a mai or prova são as pa lavras no alto da página, roubadas a um disco de Lobão. Hoje, caindo de velho, domesticado pelo brilho falso do vil metal, o rock passa ao largo das revoluções do comportamento, alheio às próprias origens. Sem as guitarras ora reivindicadas pelos donos do mundo, pretos e pobres, os viados, as minas dançam funk.
Além do centro, tudo é beira. Toda esperança de transformação e afronta ao status quo emerge sempre nas periferias. Não é preciso se municiar de um olhar histórico para perceber a relação umbilical entre a música dos deserdados pela sorte e a ascensão de valores sociais imprevistos. Aqui e agora, no aperto dos ônibus, na batalha, geral rebola e cria com o próprio corpo e os nervos uma nova linguagem.
Meio e mensagem. A celulite de Anitta, a existência de Pablo Vittar e o beijo oportunista de Nego do Borel (alguém lembra?) dizem mais sobre as questões contemporâneas do que qualquer riff de guitarra. Sinal dos tempos e estratégia de mercado. Antes de qualquer elaboração, a evidência física. O embate se dá principalmente no plano do aparente, onde o argumento comunica a sua verdade a olho nu.
A explicação de John Lennon, segundo quem o rock não passa pelo cérebro, mas atinge as plateias como um soco no estômago, carece de atualização. De pouco ou nada adianta torcer o nariz e virar o rosto para o fenômeno em curso. Tampouco se pretende aqui celebrar o "sucesso" (com ênfase nas aspas) de uns e outros, em termos estritamente comerciais. Trata-se, ao contrário, de admitir os limites de parâmetros estéticos superados por uma nova ordem, irrefutável.
Hoje, 13 de julho, será comemorado o Dia do Rock. Mas, verdade seja dita: somente homens de cabelos brancos, nostálgicos, barrigudos, este jornalista incluído, ainda têm razões para felicitar o bom e velho rock'n roll.