Rômulo defende mudanças no comando do PT

Geral


  • Rômulo Rodrigues ao receber título de cidadão sergipano

 

Aposentado da Pe-
trobras, Rômulo Ro-
drigues, 76 anos, natural de Caicó-RN, é cidadão sergipano, aracajuano e estanciano, ex-presidente do PT-Aracaju, com 61 anos de militância política. Foi Secretário de Participação Popular da PMA de dezembro de 2005 a dezembro de 2012, coordenou as Conferências Territoriais do Governo de Sergipe em 2013 e atualmente mantém ampla militância política, se revelando um grande observador político. Nessa condição, concedeu a seguinte entrevista ao Jornal do Dia:
JD - Como o senhor analisa a conjuntura nacional nesses seis meses de governo Bolsonaro?
RR - Antes de analisar o governo em si, é preciso ver como se chegou até aqui. O Brasil é vítima de uma Guerra Híbrida cujo laboratório testou a fórmula nos golpes de Honduras em 2009 e o do Paraguai em 2011. O golpe aqui começou a ser testado em 2013 e foi executado em 2016, quando se deram por satisfeitos com o processo de homogeinização da opinião pública. Em 2018, o establishment insinuou as candidaturas do Capitão do Mato, Joaquim Barbosa, e do Candidato raiz da Globo, Luciano Huck, que não vingaram, e diante do fiasco de Geraldo Alckmin, teve que apostar suas fichas no único que se mantinha estável numa faixa de 20% em todas as pesquisas que era Jair Bolsonaro. A estratégia foi elaborada por Steve Benson, calcada em Fake News por disparos de robôs, a um custo de R$ 2 bilhões e a cooptação do Juiz Moro aliado do DEA e da CIA que abriu os caminhos com a prisão de Lula. Hoje, olhando pela fresta da janela onde se possa enxergar 1/8 do tempo de um governo, podemos dizer que ele morreu antes de começar, até porque, um candidato que usou e abusou de subterfúgios para não comparecer a debates e que não apresentou um programa de governo para análise da sociedade, só poderia dar razão ao Barão de Itararé: "de onde menos se espera, é daí que não sai nada mesmo". A catástrofe está espelhada em números. O achatamento de R$ 200 no Salário Mínimo, retirando R$ 13,5 bilhões mensais de circulação do pequeno comércio e feiras livres, a quebra das oito maiores empresas da indústria de engenharia pesada, que respondiam por metade de toda a parcela da formação do capital no Brasil,  que contribuiu para que o País tenha 13,5 milhões de desempregados, agravado pelo fato do País sair do 3º lugar como referência para investimentos estrangeiros, para estar fora da lista dos 25, é um decreto de calamidade.
JD - O senhor acha que o ministro Moro tem condições morais de permanecer no cargo?
RR - Não! Como juiz, ele tem um prontuário que supera o de muitos delinquentes, desde os tempos do Banestado até a formação da quadrilha da Lava Jato, suscitando a dúvida de ser um juiz vendido ou um ministro comprado. A fuga da licença após as vaias é uma saída desonrosa que soa como confissão de culpa.
JD - Apesar da divulgação das conversas do ex-juiz Moro com procuradores da Lava Jato, o ex-presidente Lula continua preso e o STF não parece ter qualquer pressa em analisar os recursos. Qual é sua opinião sobre o caso?
RR - Fez um ano do episódio do HC de Lula no TRF-4. Ali, ficou evidente uma possível trama criminosa onde a chefia externa do golpe ligou para a Globo, que repassou a ordem de revogação para o então general Vilas Boas, que ligou para alguém do STF, que suspendeu o HC, em tempo de sair a notícia no JN. Desde então está claro que o STF sofre intervenção militar. Entretanto, é importante destacar que o acampamento "Lula Livre" é um dos focos de resistência mais revolucionário da luta do povo brasileiro e a palavra de ordem "Lula Livre" é uma chama que mantém acesa a fogueira da resistência. Porém, há algo que o PT e toda a esquerda parecem não entender: Lula não é um preso político, é um prisioneiro de guerra e, só estará livre quando a sociedade civil organizada ganhar esta guerra. Ou seja, vencer a Guerra Híbrida deflagrada pelos EUA no Brasil.
JD - Qual a avaliação que o senhor faz do governo Belivaldo Chagas, eleito com a participação do PT?
RR- Diante de uma correlação de forças desfavorável para o PT e seus aliados, a vitória de Belivaldo, em 2º, foi fruto da somatória de esforço de todo um bloco, com participação especial do PT, com a vice-governadora. Entretanto, o governo Belivaldo há de ser um governo de uma grande travessia que poderá se transformar no mais longo dos governos de Sergipe. Não pelo período, e sim pelo imenso caminho de dificuldades e que vai ser exitoso pela resiliência. Com o País sem nenhuma estratégia para atravessar uma recessão, Sergipe tem alguns mecanismos, vocações e gente capacitada para superar a crise de trabalho e renda, provocada pelo desgoverno federal, em que pese a tragédia da semana.
JD - E a administração do prefeito Edvaldo Nogueira, que também tem a participação do PT?
RR- Quando o PC do B, no apagar das luzes do prazo de 2000, aceitou o convite do PT para indicar o vice da chapa encabeçada por Marcelo Deda, o fez sabendo que estava em formação uma aliança de convivência e não de conveniência. Com o passar do tempo, Edvaldo veio sinalizando que sua opção é pela conveniência. Em 2012, ao criar obstáculos para a candidatura de Rogério a prefeito; em 2104, ao não se empenhar na campanha de Rogério para senador e em 2018, ao praticar fogo amigo apoiando André Moura para o senado, vem deixando claro que o PT, para ele, só quando for conveniente. Por isso, é que com este sentimento, a grande maioria da militância do PT, exige que o Partido tenha candidatura própria à prefeitura de Aracaju, com chance de voltar a governar a Capital do Estado.
JD - O PT está dividido entre apresentar ou não candidato a prefeito de Aracaju em 2020. Qual a sua posição? Quem seria o melhor nome do partido?
RR - O PT não está dividido. O que há é a constância da vida do PT, sempre avaliando a conjuntura e se posicionando sobre o que é estratégico ou, meramente tático. Para a maioria, é estratégico ter candidatura própria em Aracaju; já tem cidades que poderá ser estratégico e tem cidade que poderá ser tático disputar só proporcionais e eleger boas bancadas. Minha opinião é que é estratégico encabeçar uma chapa em Aracaju onde temos dois nomes fortes -  Eliane e Marcio Macedo.
JD - O senhor é daqueles que considera a eleição de 2020 como 'preparatória' para a sucessão de Belivaldo em 2022?
RR - Não vejo meramente como preparatória. Mas vejo que é da leitura correta das urnas de 2020 que virá o norte para a disputa de 2022. Como o PT é o partido mais forte do Brasil e do Estado, é natural que se espere sair fortalecido para a próxima disputa.
JD - Nas eleições passadas, o PT elegeu Rogério Carvalho como senador. Qual a avaliação que o senhor faz do mandato que ele exerce no Congresso Nacional.
RR - Rogério tem alguns predicativos que são fundamentais. Corajoso, estudioso, preparado, atento e firmeza ideológica. Já está entre as 100 cabeças pensantes do Congresso Nacional. Posso afirmar com segurança: chegou, viu e está vencendo. Precisa apenas de um leve toque no botão de ajuste da arrogância. Para finalizar, devo dizer que o PT tem um desafio interno pela frente e é bom que Rogério e João Daniel entendam que a conjuntura exigirá deles muito mais do que já exigiu e que no PED encontrem um militante com firmeza ideológica, experiência política, conhecimento do partido, referência e credibilidade, sem projeto pessoal, para articular com as outras forças políticas do Estado e que tenha tempo integral para desempenhar a tarefa de presidi-lo, sem rótulo de pertencimento. Que seja o melhor para o PT e para todos.

Aposentado da Pe- trobras, Rômulo Ro- drigues, 76 anos, natural de Caicó-RN, é cidadão sergipano, aracajuano e estanciano, ex-presidente do PT-Aracaju, com 61 anos de militância política. Foi Secretário de Participação Popular da PMA de dezembro de 2005 a dezembro de 2012, coordenou as Conferências Territoriais do Governo de Sergipe em 2013 e atualmente mantém ampla militância política, se revelando um grande observador político. Nessa condição, concedeu a seguinte entrevista ao Jornal do Dia:

JD - Como o senhor analisa a conjuntura nacional nesses seis meses de governo Bolsonaro?

RR - Antes de analisar o governo em si, é preciso ver como se chegou até aqui. O Brasil é vítima de uma Guerra Híbrida cujo laboratório testou a fórmula nos golpes de Honduras em 2009 e o do Paraguai em 2011. O golpe aqui começou a ser testado em 2013 e foi executado em 2016, quando se deram por satisfeitos com o processo de homogeinização da opinião pública. Em 2018, o establishment insinuou as candidaturas do Capitão do Mato, Joaquim Barbosa, e do Candidato raiz da Globo, Luciano Huck, que não vingaram, e diante do fiasco de Geraldo Alckmin, teve que apostar suas fichas no único que se mantinha estável numa faixa de 20% em todas as pesquisas que era Jair Bolsonaro. A estratégia foi elaborada por Steve Benson, calcada em Fake News por disparos de robôs, a um custo de R$ 2 bilhões e a cooptação do Juiz Moro aliado do DEA e da CIA que abriu os caminhos com a prisão de Lula. Hoje, olhando pela fresta da janela onde se possa enxergar 1/8 do tempo de um governo, podemos dizer que ele morreu antes de começar, até porque, um candidato que usou e abusou de subterfúgios para não comparecer a debates e que não apresentou um programa de governo para análise da sociedade, só poderia dar razão ao Barão de Itararé: "de onde menos se espera, é daí que não sai nada mesmo". A catástrofe está espelhada em números. O achatamento de R$ 200 no Salário Mínimo, retirando R$ 13,5 bilhões mensais de circulação do pequeno comércio e feiras livres, a quebra das oito maiores empresas da indústria de engenharia pesada, que respondiam por metade de toda a parcela da formação do capital no Brasil,  que contribuiu para que o País tenha 13,5 milhões de desempregados, agravado pelo fato do País sair do 3º lugar como referência para investimentos estrangeiros, para estar fora da lista dos 25, é um decreto de calamidade.

JD - O senhor acha que o ministro Moro tem condições morais de permanecer no cargo?

RR - Não! Como juiz, ele tem um prontuário que supera o de muitos delinquentes, desde os tempos do Banestado até a formação da quadrilha da Lava Jato, suscitando a dúvida de ser um juiz vendido ou um ministro comprado. A fuga da licença após as vaias é uma saída desonrosa que soa como confissão de culpa.

JD - Apesar da divulgação das conversas do ex-juiz Moro com procuradores da Lava Jato, o ex-presidente Lula continua preso e o STF não parece ter qualquer pressa em analisar os recursos. Qual é sua opinião sobre o caso?

RR - Fez um ano do episódio do HC de Lula no TRF-4. Ali, ficou evidente uma possível trama criminosa onde a chefia externa do golpe ligou para a Globo, que repassou a ordem de revogação para o então general Vilas Boas, que ligou para alguém do STF, que suspendeu o HC, em tempo de sair a notícia no JN. Desde então está claro que o STF sofre intervenção militar. Entretanto, é importante destacar que o acampamento "Lula Livre" é um dos focos de resistência mais revolucionário da luta do povo brasileiro e a palavra de ordem "Lula Livre" é uma chama que mantém acesa a fogueira da resistência. Porém, há algo que o PT e toda a esquerda parecem não entender: Lula não é um preso político, é um prisioneiro de guerra e, só estará livre quando a sociedade civil organizada ganhar esta guerra. Ou seja, vencer a Guerra Híbrida deflagrada pelos EUA no Brasil.

JD - Qual a avaliação que o senhor faz do governo Belivaldo Chagas, eleito com a participação do PT?

RR- Diante de uma correlação de forças desfavorável para o PT e seus aliados, a vitória de Belivaldo, em 2º, foi fruto da somatória de esforço de todo um bloco, com participação especial do PT, com a vice-governadora. Entretanto, o governo Belivaldo há de ser um governo de uma grande travessia que poderá se transformar no mais longo dos governos de Sergipe. Não pelo período, e sim pelo imenso caminho de dificuldades e que vai ser exitoso pela resiliência. Com o País sem nenhuma estratégia para atravessar uma recessão, Sergipe tem alguns mecanismos, vocações e gente capacitada para superar a crise de trabalho e renda, provocada pelo desgoverno federal, em que pese a tragédia da semana.

JD - E a administração do prefeito Edvaldo Nogueira, que também tem a participação do PT?

RR- Quando o PC do B, no apagar das luzes do prazo de 2000, aceitou o convite do PT para indicar o vice da chapa encabeçada por Marcelo Deda, o fez sabendo que estava em formação uma aliança de convivência e não de conveniência. Com o passar do tempo, Edvaldo veio sinalizando que sua opção é pela conveniência. Em 2012, ao criar obstáculos para a candidatura de Rogério a prefeito; em 2104, ao não se empenhar na campanha de Rogério para senador e em 2018, ao praticar fogo amigo apoiando André Moura para o senado, vem deixando claro que o PT, para ele, só quando for conveniente. Por isso, é que com este sentimento, a grande maioria da militância do PT, exige que o Partido tenha candidatura própria à prefeitura de Aracaju, com chance de voltar a governar a Capital do Estado.

JD -
O PT está dividido entre apresentar ou não candidato a prefeito de Aracaju em 2020. Qual a sua posição? Quem seria o melhor nome do partido?

RR - O PT não está dividido. O que há é a constância da vida do PT, sempre avaliando a conjuntura e se posicionando sobre o que é estratégico ou, meramente tático. Para a maioria, é estratégico ter candidatura própria em Aracaju; já tem cidades que poderá ser estratégico e tem cidade que poderá ser tático disputar só proporcionais e eleger boas bancadas. Minha opinião é que é estratégico encabeçar uma chapa em Aracaju onde temos dois nomes fortes -  Eliane e Marcio Macedo.

JD - O senhor é daqueles que considera a eleição de 2020 como 'preparatória' para a sucessão de Belivaldo em 2022?

RR - Não vejo meramente como preparatória. Mas vejo que é da leitura correta das urnas de 2020 que virá o norte para a disputa de 2022. Como o PT é o partido mais forte do Brasil e do Estado, é natural que se espere sair fortalecido para a próxima disputa.

JD -
Nas eleições passadas, o PT elegeu Rogério Carvalho como senador. Qual a avaliação que o senhor faz do mandato que ele exerce no Congresso Nacional.

RR - Rogério tem alguns predicativos que são fundamentais. Corajoso, estudioso, preparado, atento e firmeza ideológica. Já está entre as 100 cabeças pensantes do Congresso Nacional. Posso afirmar com segurança: chegou, viu e está vencendo. Precisa apenas de um leve toque no botão de ajuste da arrogância. Para finalizar, devo dizer que o PT tem um desafio interno pela frente e é bom que Rogério e João Daniel entendam que a conjuntura exigirá deles muito mais do que já exigiu e que no PED encontrem um militante com firmeza ideológica, experiência política, conhecimento do partido, referência e credibilidade, sem projeto pessoal, para articular com as outras forças políticas do Estado e que tenha tempo integral para desempenhar a tarefa de presidi-lo, sem rótulo de pertencimento. Que seja o melhor para o PT e para todos.


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