NÓS E O AQUECIMENTO GLOBAL

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Publicada em 15/07/2019 às 22:35:00

 

* Ailton Rocha
A grande conferência da ONU sobre mudança do clima que ocorreu em Copenhague capital da Dinamarca em 2009, reunindo 190 países, entre eles o Brasil, criou um acordo que prevê o limite do aquecimento da terra em dois graus, mas lançou a desilusão quanto às metas das emissões de CO2 dos estados industrializados até 2020.
O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), formado por 2,5 mil cientistas, afirma que a Terra já aqueceu cerca de 0,7°C desde a Revolução Industrial. O IPCC projetou cenários futuros que preveem o aquecimento do planeta em pelo menos 1,8°C até o fim deste século, dependendo das medidas tomadas pelos países para reduzir as emissões. A mudança do clima coloca em risco a sobrevivência de muitas espécies de animais e plantas.
Atualmente, mais da metade da população mundial vive em cidades. Estima-se que mais de 2 bilhões de pessoas vá se tornar moradores urbanos nos próximos 30 anos. Este rápido crescimento da urbanização traz muitos desafios nas diferentes áreas das políticas públicas, habitação, emprego e renda, educação, patrimônio cultural, mobilidade, planejamento urbano, a relação com o meio ambiente, entre outros.
A Conferência Climática de Paris, a COP 21, reuniu em dezembro de 2015 representantes de 195 países com um objetivo ambicioso: chegar a um acordo universal em relação ao clima, para tentar limitar o aquecimento global a, no máximo, 2°C.
Apesar dos estudos, ainda existem incertezas quanto às consequências dos efeitos das mudanças climáticas e sua relação com o agravamento de eventos críticos. Porém, há um risco associado a essas possíveis mudanças, que está relacionado à oferta de água e exige um processo de gestão do risco climático nos recursos hídricos.
Na atualidade, a preocupação com a universalização do acesso à água, sua conservação para fins múltiplos e a resolução de conflitos de usos tornam o tema prioritário na agenda internacional em face dos graves problemas ambientais que se apresentam em escala planetária.
No Brasil, o desmatamento é responsável por 75% das emissões de gases causadores do efeito estufa. São desmatados cerca de 21 mil quilômetros quadrados por ano, o que representa um Estado de Sergipe de floresta no chão por ano.
Em reunião da ABEMA (Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente) no dia 25/06/2019, foi feito o convite pelo Centro Brasil no Clima para criação do Conselho dos Governadores pelo Clima, que poderão nos credenciar a captar recursos financeiros internacionais em forma de doação ou de financiamento a partir de créditos de carbono.
Nos últimos anos (2012-2018), o nordeste brasileiro conviveu com secas recorrentes comprometendo a produção agropecuária e o volume equivalente dos reservatórios. Em Sergipe durante o ano de 2018, de acordo com o monitor de secas, a intensidade da seca foi de extrema a excepcional, e para ficar em alguns exemplos das consequências, a Barragem de Jabiberi em Tobias Barreto operou no volume morto e a de Poção da Ribeira (Gov. João Alves Flho) em Itabaiana chegou a 10% do seu volume útil. Em ambas foi suspensa a água destinada para irrigação para destiná-la exclusivamente ao abastecimento público.
Entretanto nos 12 dias iniciais de julho de 2019, ocorreram precipitações nunca registradas até então no estado de Sergipe, Alagoas e parte da Bahia, provocando o transbordamento de barragens, cheias e inundações levando transtorno as populações ribeirinhas.
Até o rio Vaza Barris que nasce no sopé da serra dos Macacos, sertão da Bahia, próximo ao município de Uauá, no raso da Catarina, uma região de baixa precipitação, registrou uma vazão de 600 m³/s nunca conhecida na sua história, segundo a Agência Nacional das Águas, provocando o rompimento de barragens e transbordamento intenso na barragem do Gasparino em Coronel João Sá/BA.
Em Sergipe não se teve conhecimento de rompimento de barragens, mas todas elas transbordaram e os rios saíram do seu leito natural provocando enchentes e inundações.
Confirmado por 97% dos cientistas, o aquecimento global tem provocado mudanças climáticas com graves consequências para o planeta terra, tornando o nordeste brasileiro a ter que conviver com eventos extremos que vão de secas recorrentes a cheias e inundações. Neste sentido é preciso aprimorar o monitoramento, combater o desmatamento e a poluição, investir em estruturas mais robustas e fortalecer as defesas civis, entre outras medidas.
* Ailton Rocha, engenheiro agrônomo e advogado, superintendente da SERHMA/SEDURBS

* Ailton Rocha

A grande conferência da ONU sobre mudança do clima que ocorreu em Copenhague capital da Dinamarca em 2009, reunindo 190 países, entre eles o Brasil, criou um acordo que prevê o limite do aquecimento da terra em dois graus, mas lançou a desilusão quanto às metas das emissões de CO2 dos estados industrializados até 2020.
O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), formado por 2,5 mil cientistas, afirma que a Terra já aqueceu cerca de 0,7°C desde a Revolução Industrial. O IPCC projetou cenários futuros que preveem o aquecimento do planeta em pelo menos 1,8°C até o fim deste século, dependendo das medidas tomadas pelos países para reduzir as emissões. A mudança do clima coloca em risco a sobrevivência de muitas espécies de animais e plantas.
Atualmente, mais da metade da população mundial vive em cidades. Estima-se que mais de 2 bilhões de pessoas vá se tornar moradores urbanos nos próximos 30 anos. Este rápido crescimento da urbanização traz muitos desafios nas diferentes áreas das políticas públicas, habitação, emprego e renda, educação, patrimônio cultural, mobilidade, planejamento urbano, a relação com o meio ambiente, entre outros.
A Conferência Climática de Paris, a COP 21, reuniu em dezembro de 2015 representantes de 195 países com um objetivo ambicioso: chegar a um acordo universal em relação ao clima, para tentar limitar o aquecimento global a, no máximo, 2°C.
Apesar dos estudos, ainda existem incertezas quanto às consequências dos efeitos das mudanças climáticas e sua relação com o agravamento de eventos críticos. Porém, há um risco associado a essas possíveis mudanças, que está relacionado à oferta de água e exige um processo de gestão do risco climático nos recursos hídricos.
Na atualidade, a preocupação com a universalização do acesso à água, sua conservação para fins múltiplos e a resolução de conflitos de usos tornam o tema prioritário na agenda internacional em face dos graves problemas ambientais que se apresentam em escala planetária.
No Brasil, o desmatamento é responsável por 75% das emissões de gases causadores do efeito estufa. São desmatados cerca de 21 mil quilômetros quadrados por ano, o que representa um Estado de Sergipe de floresta no chão por ano.
Em reunião da ABEMA (Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente) no dia 25/06/2019, foi feito o convite pelo Centro Brasil no Clima para criação do Conselho dos Governadores pelo Clima, que poderão nos credenciar a captar recursos financeiros internacionais em forma de doação ou de financiamento a partir de créditos de carbono.
Nos últimos anos (2012-2018), o nordeste brasileiro conviveu com secas recorrentes comprometendo a produção agropecuária e o volume equivalente dos reservatórios. Em Sergipe durante o ano de 2018, de acordo com o monitor de secas, a intensidade da seca foi de extrema a excepcional, e para ficar em alguns exemplos das consequências, a Barragem de Jabiberi em Tobias Barreto operou no volume morto e a de Poção da Ribeira (Gov. João Alves Flho) em Itabaiana chegou a 10% do seu volume útil. Em ambas foi suspensa a água destinada para irrigação para destiná-la exclusivamente ao abastecimento público.
Entretanto nos 12 dias iniciais de julho de 2019, ocorreram precipitações nunca registradas até então no estado de Sergipe, Alagoas e parte da Bahia, provocando o transbordamento de barragens, cheias e inundações levando transtorno as populações ribeirinhas.
Até o rio Vaza Barris que nasce no sopé da serra dos Macacos, sertão da Bahia, próximo ao município de Uauá, no raso da Catarina, uma região de baixa precipitação, registrou uma vazão de 600 m³/s nunca conhecida na sua história, segundo a Agência Nacional das Águas, provocando o rompimento de barragens e transbordamento intenso na barragem do Gasparino em Coronel João Sá/BA.
Em Sergipe não se teve conhecimento de rompimento de barragens, mas todas elas transbordaram e os rios saíram do seu leito natural provocando enchentes e inundações.
Confirmado por 97% dos cientistas, o aquecimento global tem provocado mudanças climáticas com graves consequências para o planeta terra, tornando o nordeste brasileiro a ter que conviver com eventos extremos que vão de secas recorrentes a cheias e inundações. Neste sentido é preciso aprimorar o monitoramento, combater o desmatamento e a poluição, investir em estruturas mais robustas e fortalecer as defesas civis, entre outras medidas.

* Ailton Rocha, engenheiro agrônomo e advogado, superintendente da SERHMA/SEDURBS