O triste fim de um jornalista

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60 anos de jornalismo nas costas
60 anos de jornalismo nas costas

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Publicada em 15/07/2019 às 22:48:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Em minhas estantes 
de livros, a literatura 
reina absoluta. Tenho a cabeça nas nuvens. Não troco um só verso de Drummond por todo 'O Capital' de Karl Marx. E, no entanto, eu considero o jornalismo profissional a atividade mais importante do mundo - mais necessária, até, do que a própria Poesia.
Eu sou suspeito. Há quinze anos, pago todas as minhas contas com o salário recebido pelo Jornal do Dia. O veterano Ivan Valença, por sua vez, não deve menos à lida nas redações, por meio da qual fez nome e se mantém desde o tempo dos sonhos molhados. Mas, por alguma razão obscura, este senhor de cabelos brancos resolveu cuspir no prato em que comeu e ainda come, do alto de respeitáveis 75 anos de idade. Moderno todo, Ivan aconselha os próprios leitores a buscar informação no alarido incivilizado do Facebook e WhatsApp. 
Ivan Valença transformou a coluna mantida no portal Infonet em um almoço de domingo, quando a parentada sentada à mesa briga pelo bocado mais suculento fumegando nas panelas. Segundo o jornalista, The Intercept, Folha de São Paulo e Veja não são fontes de informação confiável. Para fugir à conspiração da grande imprensa contra o ministro Sérgio Moro e a operação Lava Jato, seria aconselhável consultar um tal Pavão Misterioso, último bastião do jornalismo isento, em uma luta inglória contra o dragão da maldade.
Na coluna da última segunda-feira, Ivan Valença afirma com todas as letras, antes de resvalar em homofobia, ao acusar o matrimônio do jornalista Glenn Greenwald com o deputado federal Davi Miranda (Psol), além de reproduzir um bom punhado de Fake News em letra de imprensa: "Hoje, é preciso acessar as redes sociais para se obter informações diversificadas de ambos os lados da contenda, a direita ou a esquerda". E por aí vai.
É um espanto! Quando Ivan Valença botou os pés numa redação pela primeira vez, muitos entre os leitores deste Jornal do Dia certamente não eram nascidos. Há mais de 60 anos, ele dá pitacos sobre o comportamento de governantes com repercussão na vida dos governados. Mas tanta vivência não o ajudou a discernir entre o joio e o trigo das narrativas em conflito no primeiro escalão da República. O jornalista foi tragado pela polarização política, ou então sucumbiu à senilidade.

Em minhas estantes  de livros, a literatura  reina absoluta. Tenho a cabeça nas nuvens. Não troco um só verso de Drummond por todo 'O Capital' de Karl Marx. E, no entanto, eu considero o jornalismo profissional a atividade mais importante do mundo - mais necessária, até, do que a própria Poesia.
Eu sou suspeito. Há quinze anos, pago todas as minhas contas com o salário recebido pelo Jornal do Dia. O veterano Ivan Valença, por sua vez, não deve menos à lida nas redações, por meio da qual fez nome e se mantém desde o tempo dos sonhos molhados. Mas, por alguma razão obscura, este senhor de cabelos brancos resolveu cuspir no prato em que comeu e ainda come, do alto de respeitáveis 75 anos de idade. Moderno todo, Ivan aconselha os próprios leitores a buscar informação no alarido incivilizado do Facebook e WhatsApp. 
Ivan Valença transformou a coluna mantida no portal Infonet em um almoço de domingo, quando a parentada sentada à mesa briga pelo bocado mais suculento fumegando nas panelas. Segundo o jornalista, The Intercept, Folha de São Paulo e Veja não são fontes de informação confiável. Para fugir à conspiração da grande imprensa contra o ministro Sérgio Moro e a operação Lava Jato, seria aconselhável consultar um tal Pavão Misterioso, último bastião do jornalismo isento, em uma luta inglória contra o dragão da maldade.
Na coluna da última segunda-feira, Ivan Valença afirma com todas as letras, antes de resvalar em homofobia, ao acusar o matrimônio do jornalista Glenn Greenwald com o deputado federal Davi Miranda (Psol), além de reproduzir um bom punhado de Fake News em letra de imprensa: "Hoje, é preciso acessar as redes sociais para se obter informações diversificadas de ambos os lados da contenda, a direita ou a esquerda". E por aí vai.
É um espanto! Quando Ivan Valença botou os pés numa redação pela primeira vez, muitos entre os leitores deste Jornal do Dia certamente não eram nascidos. Há mais de 60 anos, ele dá pitacos sobre o comportamento de governantes com repercussão na vida dos governados. Mas tanta vivência não o ajudou a discernir entre o joio e o trigo das narrativas em conflito no primeiro escalão da República. O jornalista foi tragado pela polarização política, ou então sucumbiu à senilidade.